abc+

SAÚDE

Médicos residentes do Hospital Universitário decidem paralisar atividades

Segundo o Simers, a mobilização é motivada pelas condições inadequadas de operação do HU

Taís Forgearini
Publicado em: 27/01/2026 às 18h:49 Última atualização: 28/01/2026 às 11h:20
Publicidade

Os médicos residentes do Hospital Universitário (HU) de Canoas decidiram, por unanimidade, paralisar as atividades a partir de quinta-feira (29). Conforme o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a decisão informada durante a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) foi motivada pelas condições inadequadas de operação do hospital.

Publicidade

Hospital Universitário volta ao centro de discussões | abc+



Hospital Universitário volta ao centro de discussões

Foto: PAULO PIRES/GES

FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

A mobilização afeta os programas de residência de cirurgia geral, pediatria, neonatologia, otorrinolaringologia, ginecologia e obstetrícia. Os residentes do programa de clínica médica não terão as atividades paralisadas.

“Há falta de profissionais com especialização adequada para acompanhar os residentes. Faltam preceptores nas escalas. A ausência de anestesistas também é gravíssima, sem eles não há como realizar as cirurgias. Também há deficiência em equipamentos e materiais. É uma situação caótica e inadmissível, que compromete o ensino e o futuro dos residentes e, também, a assistência à população”, salienta o presidente do Simers, Marcelo Matias.

O sindicato defende a realocação ou transferência de residentes que desejam ir para outra instituição hospitalar. No começo desta semana, o Simers encaminhou ofícios à mantenedora da Ulbra, Associação Educacional Luterana do Brasil (Aelbra), à comissão e ao conselho estadual de residência médica, Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Ministério Público, Secretaria Municipal de Saúde e à gestora do HU, a Associação Saúde em Movimento (ASM).

Publicidade

“Estamos abertos ao diálogo em busca de soluções. Nesta quinta-feira, devido à mobilização dos residentes, vamos acompanhar a comissão estadual e a nacional de residência médica durante uma visita técnica no Hospital Universitário para avaliar as condições dos programas de residência”, destaca Matias.

Reivindicações dos residentes

De acordo com o Simers, as principais condições para que os residentes incluem: pagamento em dia dos preceptores, que façam parte do corpo clínico, com a especialização pertinente em cada área e vínculo com a Comissão de Residência Médica (Coreme); pagamento em dia aos anestesistas para garantir a rotina de procedimentos; escalas completas de especialistas e dimensionadas adequadamente ao número de leitos; condições de atendimento à população, com acesso a exames, materiais e equipamentos adequados; plano operativo que garanta aos residentes a realização de procedimentos para formação completa e garantia de manutenção dos programas com as condições apropriadas.

Solicitação de encerramento

Segundo o presidente, o cenário mais grave abrange o programa de residência de cirurgia geral. Nesta terça-feira (27), o sindicato solicitou o descredenciamento do programa na especialidade de cirurgia geral no Hospital Universitário. O ofício foi encaminhado à Comissão Estadual de Residência Médica (Cerem-RS), com cópia à Comissão Nacional.

Publicidade

“É uma medida extrema, mas necessária. A inexistência de condições mínimas e adequadas para a realização das atividades formativas prejudica a formação dos residentes. Temos denúncias de desconformidade com a legislação e normativas que regem a residência médica. Os médicos residentes relatam exposição e risco assistencial. Eles não estão conseguindo exercer atividades indispensáveis, como cirurgias. Por exemplo, cirurgião vascular, tem uma semana, na outra não. Também faltam anestesistas devidamente capacitados para o cumprimento das escalas”, pontua.

Confira um trecho do ofício

“A situação relatada pelos médicos residentes revela um quadro crítico, prolongado e atualmente insustentável, que persiste há mais de um ano, com agravamento progressivo. O serviço apresenta falta crônica e recorrente de materiais básicos indispensáveis à prática cirúrgica segura, instabilidade frequente da equipe de anestesiologia, volume extremamente reduzido de procedimentos cirúrgicos eletivos e de urgência, além de uma diminuição drástica do atendimento ambulatorial.

Publicidade

Tal cenário decorre, em grande medida, da inadimplência recorrente no pagamento dos honorários médicos, situação que vem culminando em instabilidade contínua no fechamento das escalas assistenciais, principalmente no que se refere aos anestesiologistas. Em razão da ausência de pagamento regular, não se consegue a contratação e manutenção de médicos anestesiologistas devidamente capacitados para o cumprimento das escalas, o que tem ocasionado frequentes cancelamentos de cirurgias.”

Sem manifestação

Segundo a assessoria de comunicação do Hospital Universitário, uma reunião marcada para o sábado (24) foi remarcada a pedido dos residentes.

“A solução para esse caso está sendo tratada entre diversos atores envolvidos: o HU, como campo de prática médica, a Ulbra (universidade a quem os alunos estão ligados) e a Secretaria Municipal de Saúde, que acompanha o caso”, diz o comunicado.

Publicidade

O que diz a Ulbra

A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) informou que acompanha o processo de mobilização anunciado pelos médicos residentes do Hospital Universitário de Canoas. No entanto, a universidade reforçou que não possui envolvimento direto na gestão da unidade hospitalar.

“A instituição esclarece que a Prefeitura de Canoas é a responsável direta pelo Hospital Universitário de Canoas, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é referência em média e alta complexidade para a região. Desde dezembro de 2024, a gestão operacional do HU passou a ser exercida pela Associação Saúde em Movimento (ASM), substituindo a Fundação de Saúde do Alto e Médio São Francisco (FUNAM).

Publicidade

A Ulbra reafirma seu compromisso histórico com a formação médica de qualidade, com a defesa do ensino, da assistência à saúde e do diálogo institucional. A Universidade destacou ainda que permanece à disposição para colaborar, dentro de suas atribuições, com as instâncias responsáveis, acompanhando as discussões em andamento e buscando contribuir para a construção de soluções que assegurem a continuidade dos programas de residência médica e a segurança do atendimento à população”, diz a nota.

Publicidade