A pessoa caminha pelo calçadão de Canoas quando de repente é abordada por um assaltante. Ela levanta os braços para o alto. Uma câmera automaticamente identifica a situação considerada anômala, característica de um roubo, e dispara um sinal de alerta na tela do Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria de Segurança Pública.

Foto: Paulo Pires/GES
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A situação hipotética descrita acima é baseada no tipo de tecnologia que está sendo implementada em Canoas. Por meio do videomonitoramento inteligente, esta é uma nova investida da Prefeitura para reforçar a segurança na cidade. O projeto-piloto está atualmente em testes na área central.
Segundo o secretário de Segurança Pública, o major Alexandre Alberto Rocha, serão 17 novas câmeras com inteligência artificial, ampliando, nas próximas semanas, a capacidade de vigilância do Município e representando uma inovação para a atuação das forças de segurança.
Com essa tecnologia, esclarece o secretário, é possível identificar situações de risco com mais agilidade e precisão, além de ser possível também a incorporação de bancos de dados responsáveis por identificar na tela rostos suspeitos, foragidos e desaparecidos.
“Ao ampliar a câmera, é possível ver até a cor dos olhos de uma pessoa”, explica. “Este sistema inovou a segurança no Brasil e no mundo e, a partir de agora, passa a fazer parte da realidade de Canoas”, avisa.
Rocha aponta que, em um primeiro momento, somente a área central será contemplada. A estimativa, no entanto, é que esta realidade passe posteriormente a fazer parte da vigilância nos bairros Mathias Velho, Guajuviras, Rio Branco e Niterói.
“O sistema puxa os dados da pessoa e avisa se é suspeito de crime, foragido ou desaparecido. Os agentes são acionados e correm ao local para a abordagem”, explica. “Então, é claro que queremos ver este sistema operando nos principais bairros de Canoas, já que nosso objetivo é reduzir os índices de criminalidade.”
Planejamento
Atualmente há 260 câmeras de videomonitoramento instaladas em Canoas, aponta a Secretaria de Segurança. Deste número, 179 estão em operação. Há equipamentos de última geração, como o sistema inteligente e recém-instalado e também câmeras que, durante a noite, não se consegue enxergar nada, avalia o secretário.
“Assumimos o governo, encontramos 222 câmeras e instalamos mais 38”, frisa. “É preciso lembrar que o lado oeste da cidade acabou inundado e perdemos muitos equipamentos e cabos. Já mapeamos e conhecemos as necessidades do sistema. Estamos trabalhando em cima dos problemas, inclusive substituindo aquelas câmeras que não se enxerga nada à noite ou quando está chovendo.”
A Secretaria está em processo de homologação do sistema, avisa o secretário e, se tudo der certo, a Administração passará a contar com 78 câmeras inteligentes espalhadas em pontos considerados estratégicos pelas Polícias.
“Estamos ouvindo a Brigada Militar, a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal”, esclarece. “Para a PRF, por exemplo, existe a importância de que exista uma câmera na Avenida das Canoas, por se tratar de uma rota usada para o tráfico. Vamos trabalhar para garantir essa tecnologia lá, porque agora sabemos ser importante.”

Foto: Paulo Pires/GES
Operacional
Não adianta toda a tecnologia à disposição, se não houver braços para chegar à raiz do crime, prega a cartilha da segurança pública. Portanto, em paralelo ao trabalho de reforço no monitoramento, a Prefeitura quer novos agentes.
O secretário Rocha aponta que a Administração conta hoje com 111 servidores ativos. O planejamento é chamar, no segundo semestre, mais 24 aprovados no último concurso público, que saiu há quase dois anos, e permanece em vigor, conforme a lei do Município.
“O prefeito [Airton Souza] já sinalizou positivamente e queremos reforçar o quadro, com um novo chamamento no meio deste ano”, confirma. “Sabemos da importância de ter os agentes prontos para agir, aliado a este aparato tecnológico.”
Um veterano na atuação da segurança, Rocha ressalta que o sistema implementado ficará à disposição para o “espelhamento” da Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal. A ideia é que se continue somando esforços no combate ao crime.
“O sistema é nosso”, afirma. “Foi criado pensando na segurança na totalidade. Então estará à disposição da Brigada, Polícia Civil e PRF para espelhamento. A união é importante quando o assunto é segurança. Porque onde não houver uma viatura da Guarda, haverá uma Brigada e vice-versa.”