Quando se fala em feira do livro, logo vem a imagem das bancas nas praças. Mas a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Duque de Caxias, em Canoas, decidiu fazer diferente e promoveu o evento na quadra de esportes. Neste sábado (29), a escola abriu as portas para a comunidade com exposição de trabalhos, apresentações dos alunos e sessão de autógrafos com o patrono.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Entre as produções expostas, uma chama atenção: o livro feito por uma turma do 5º ano. Nas páginas de “Nossas Histórias: Dias de Luta, Dias de Glória”, os estudantes contaram seus sentimentos, como se identificam e seus planos para o futuro.
A professora Larissa Marcos comandou o projeto e se emociona ao lembrar do processo. “Metade da minha turma é formada por alunos que vieram de abrigo. Decidimos construir um livro, contando essas histórias, de como eles se veem, o que gostam, boas memórias e o que querem para o futuro. É mostrar os seus sentimentos”, explica.
Uma das escritoras foi a Bruna Flores, 10 anos. “Eu gostei de ter feito o livro. Contei quais são as minhas coisas favoritas como anime, Formula 1. Essas coisas que eu gosto de assistir”, comenta. O seu colega de turma João Henrique Pereira Bocca, 11, quis destacar uma boa memória. “Eu contei sobre quando tomei banho de chuva e de piscina ao mesmo tempo. Foi bem legal.”
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Feira tem patrono
Assim como as tradicionais feiras do livro, o evento na Emef Duque de Caxias também teve o seu patrono. O professor José Carlos Walter fez sessão de autógrafos com o seu livro Amizade das Galáxias. A produção infantil, também disponível em Braille, mistura amizade com educação no trânsito.
“É um menino que vem de outro planeta e faz amizade com uma menina aqui da Terra. E ele começa a ensinar algumas regras de trânsito como, por exemplo, o que significa o semáforo, não pode dirigir usando telefone, a faixa de pedestres também. O assunto educação pro trânsito é um tema transversal que é para se trabalhar na escola”, afirma.

Foto: Nicole Goulart/Especial
O pedagogo ensinou o assunto em sala de aula, reunindo as orientações em uma história divertida e bem ilustrada. O retorno dos estudantes está expresso em diversos trabalhos expostos na escola. “Isso me gratifica muito e me deixa muito emocionado. Dá para ver como eles entraram na história, que eles fizeram muitas coisas parecidas com o livro. Eles entenderam a mensagem que eu queria passar”, relata.
Além do reconhecimento dos próprios alunos, também teve o dos colegas. “É importante que o patrono seja um professor da escola. Isso valoriza o nosso corpo docente que se engajou muito nesse projeto”, frisa a diretora da Emef Duque de Caxias, Carla Rocha.
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Aproximar a comunidade
A estudante Laura Proença, 14 anos, foi uma das visitantes no período da manhã. “Eu não estudo aqui, mas quis vim acompanhar, ver o que tinha na feira. Eu gosto de ler, então achei interessante ter uma coisa assim dentro de uma escola. Acho que isso pode incentivar as pessoas a lerem mais”, destaca.
Esta é a primeira edição realizada pela instituição, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, e que conta com 235 estudantes. A proposta é unir pais, alunos e os vizinhos da escola, como ressalta a diretora Carla. “É resgatar a comunidade. Nossa escola está reconstruindo a sua identidade, então pensando nessa feira para trazer os moradores para dentro da escola novamente. A questão cultural pode ajudar a fazer esse vínculo.”