Passados dez dias das mudanças implementadas pela Prefeitura de Canoas em parte da Avenida Guilherme Schell, em Canoas, os motoristas precisam se adaptar à nova realidade da via.
Planejadas pela Secretaria de Transportes e Mobilidade (SMT) para garantir um melhor fluxo em uma das principais vias de Canoas, o tráfego na área esbarra em problemas pontuais, segundo motoristas e moradores.

Foto: PAULO PIRES/GES
A principal mudança implementada é a alteração de sentido na movimentada Rua Bartolomeu de Gusmão. Se antes, o condutor que dirigia pela Guilherme Schell conseguia acessar a via, hoje não é mais possível.
“Acho que a intenção era boa para o trânsito fluir mais”, opina o motorista de aplicativo Adroaldo Alves, 44 anos. “Só que não é o que a gente percebe, porque à tardinha o para e arranca continua igual para quem desce o viaduto.”
Motorista de caminhão, Fabrício Nunes, explica que o principal problema para o escoamento do tráfego é o semáforo adicionado a poucos metros da Bartolomeu de Gusmão, na Rua Antônio Ficagna.
“Onde é que já se viu colocarem uma sinaleira a metros de outra?”, argumenta o trabalhador de 39 anos. “Às vezes, a gente sai de uma para ficar trancada na outra que instalaram. Se tirarem, melhora, mas assim, não dá.”
Morador do bairro Fátima, o aposentado Cláudio Tavares, 68 anos, observa que, vez por outra, algum veículo ingressa errado na Rua Bartolomeu de Gusmão e acaba criando um problema maior.
“Antes, a gente via os azuizinhos e a Brigada Militar cuidando, mas, com o tempo, meio que largaram de mão, porque é raro ver alguém. Então, o motorista entra na contramão e depois, para voltar, é um problema”, explica.

Foto: PAULO PIRES/GES
De bicicletas para ônibus
A Rua Antônio Ficagna ganhou um semáforo por ter se tornado rota obrigatória para os condutores que almejam ingressar no bairro Fátima, o que antes ocorria pela Rua Bartolomeu de Gusmão.
O problema, aponta quem vive e quem trabalha na área, é que a via escolhida é estreita demais, criando uma série de problemas durante os horários de pico devido ao grande fluxo de veículos.
“Escolheram como via de escoamento da Avenida Guilherme Schell uma rua estreita onde havia marcação até para uma ciclovia”, reclama o microempresário Paulo Azevedo. “Acabaram com a paz”, desabafa o morador de 54 anos.
Comerciante na área há 12 anos, Mirtes Melo conta que a situação para quem circula na Antônio Ficagna tornou-se péssima porque a via não possui a estrutura para receber o fluxo encaminhado pela Guilherme Schell.
“Eu acho que não pensaram direito”, avalia. “Para começar, não pensaram no estacionamento que existia ao longo da Antônio Ficagna. É uma rua muito estreita e do nada virou um perigo parar.”
Já a empresária Carla Eloy, 38 anos, defende que a Antônio Ficagna é a pior escolha possível para servir de passagem para ônibus e caminhões o dia inteiro como acontece há quase duas semanas.
“Não há condições dessa rua estreita receber ônibus e caminhões grandes o dia inteiro”, avalia. “Além disso, piorou muito para quem tem negócio. Porque não dá mais parar aqui.”

Foto: PAULO PIRES/GES
Monitoramento constante
Secretário de Mobilidade, Marcos Melchior, afirma que estudos apontam uma significativa melhoria no fluxo da Avenida Guilherme Schell para milhares de motoristas que circulam pelo local.
“Não houve incidentes e nem batidas de carro no local”, afirma. “Hoje as pessoas conseguem circular, entrar e sair do bairro, com mais segurança. Tráfego está muito melhor desde a mudança.”
E sobre a ausência de fiscalização, o secretário observa que os agentes têm monitorado a área diariamente por se tratar de um período de avaliação do comportamento do trânsito na área.
“Estamos com os agentes lá”, reforça. “A Antônio Ficagna é uma via um pouco mais estreita, mas monitoramos os ônibus e não houve nenhum problema.”