“A minha vontade é de fazer a cirurgia e voltar a trabalhar”. Esse é o desejo da Geneci Lourdes Ferreira, 57 anos, que aguarda há 6 anos por uma cirurgia no quadril e agora está arrecadando dinheiro para custear um dos exames pré-operatórios.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
O Ecocardiograma de Estresse Farmacológico custa R$ 800, em Porto Alegre. A paciente é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Universitário de Canoas (HU), mas foi informada que a instituição não oferece o exame, necessitando fazer na rede particular.
Pelo alto valor, Geneci abriu a vaquinha on-line, já que ganha apenas um salário mínimo pelo INSS. “Recebi a sugestão de um dos amigos do meu filho para fazer isso. Na realidade, estava com vergonha de fazer, mas a dor é tanta. Quando eu falo, já começo a chorar”, relata emocionada.
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Em outubro, a paciente recebeu a notícia que de estava perto de fazer a cirurgia. Para isso, os exames pré-operatórios foram logo feitos, mas depois a cardiologista solicitou mais um: o ecocardiograma de estresse. O exame foi solicitado porque Geneci teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em janeiro de 2023.
Desde dezembro, ela entra em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para ter um encaminhamento, já que é paciente do SUS. Mas, sempre é informada que todo o procedimento deve ser feito por profissionais do HU. A Ouvidoria da instituição também não forneceu mais informações para a paciente.
Sem querer esperar mais, a solução encontrada a vaquinha para agilizar uma situação que se arrasta e causa dor há anos. Com a demora, eles ainda correm o risco de perder a validade. “Quando sair o exame, talvez eu retroceda para o final da fila. Talvez a minha cirurgia nunca saia”, lamenta.
Quem estiver interessado em ajudar pode entrar no site da vaquinha online aqui.
“Eu sou nova, posso trabalhar”
O problema de saúde começou após um tratamento com corticoide para dermatite. A medicação afetou os ossos e causou problemas no quadril. “Eu não sabia que consumia o cálcio. Não tenho mais a cartilagem no quadril e a minha perna esquerda está mais curta”, relata.
Geneci também não consegue ficar sentada com os joelhos dobrados e usa andador para se locomover. “Estou com 57 anos, quero ter uma vida normal. Não consigo sentar direito e para entrar no carro, preciso quase me deitar”, conta.
Antes de receber o auxílio do INSS, Geneci trabalhava como operadora de eletrocardiograma no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre. A moradora do bairro Guajuviras há 40 anos se emocionada quando conta sua situação, mas quer seguir firme porque tem planos para o futuro.
“A minha vontade é de fazer a cirurgia e voltar a trabalhar. Quero entrar no mercado e fazer minhas compras sozinha. Eu sou nova, tenho 57 anos, posso trabalhar. É um direito do ser humano prover seu sustento e estão me negando isso”, desabafa.
O que diz o Hospital Universitário
De acordo com o Hospital Universitário de Canoas (HU), a equipe entrou em contato com a Geneci e marcou uma nova consulta para quarta-feira (19) para avaliar a paciente. A família diz que já havia sido informada anteriormente de que o hospital não possui esse exame disponível e que não poderia fazer encaminhamento para realizar o procedimento em outra cidade.