Foi-se o tempo em que o entusiasmo pela Copa do Mundo e a Seleção Brasileira irradiavam o verde e amarelo, com o entusiasmo do brasileiro estampado no rosto e o comércio aquecido pelo Mundial.
Na véspera do início da Copa do Mundo e às vésperas da estreia da Seleção, somente meia dúzia de lojas no Centro de Canoas se animaram a investir no mercado verde e amarelo para tentar faturar com o Mundial.

Foto: Paulo Pires/GES
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Ao circular pela área central, a reportagem encontrou não somente comerciantes e lojistas desestimulados. À parte o serviço, também como torcedores, há muita dúvida sobre o desempenho da equipe que estreia no próximo sábado (13).
Vendedor de um bazar no Calçadão de Canoas, Victor Martins aponta que, apesar de a loja investir em camisetas e adereços, vez por outra entra uma mãe que dá ao filho uma bandeirinha.
“Parece que ninguém está dando muita bola”, opina. “Porque é raro, mas às vezes entra uma mãe que dá uma bandeirinha pequena para o menino. Não vejo nada muito além disso, por enquanto”, acrescenta.
Com uma banca há anos no Centro, o comerciante Jorge Bernardes apostou na Seleção e investiu em camisas, bonés, mantas, bandeiras e bolas. Muitas bolas. Amargou, até agora, somente o prejuízo.
“Consegui vender um boné ontem”, contou, desanimando. “Acho que desde 2014 não é mais a mesma coisa. Antigamente, o povo fazia questão de se vestir assim, mas parece que ninguém mais liga.”
Em alta
Melhor desempenho teve uma loja na Avenida Victor Barreto que, devido às boas vendas de camisas amarelas, precisou até mandar buscar mais depois que a clientela passou a pedir adultas e infantis.
“Desde que decoramos a loja, começamos a vender”, explicou a vendedora Eduarda Santos. “Começamos a vender na semana passada e não paramos mais. Adulta e infantil. Povo tem pedido as duas.”
Responsável pela loja, Alex Santos explica que não pode se queixar, mas entende que a concorrência não está se entusiasmando muito em investir na Seleção Brasileira como outrora.
“Sempre investimos, então saiu algo natural e estamos vendendo bem”, observa. “Mas a gente nota que não foi todo mundo que entrou na onda. Tem muita coisa para o povo pensar hoje além da Seleção”, brinca.
Política
Atendendo em uma loja que vende de tudo na Avenida Victor Barreto, o vendedor Hélio Castro opina que a política prejudicou o cenário nos últimos anos, com a identificação da Seleção Brasileira com um partido.
“Muita gente não se sente mais à vontade de usar, porque não quer se identificar como eleitor do Jair Bolsonaro”, afirma. “É igual ao sujeito sair de vermelho na rua, sem estar com a camisa do Inter. Pensam logo no Lula.”
Aparelhos
E se antigamente era moda a venda dos aparelhos de TV durante a época da Copa do Mundo, hoje não se vê a mesma correria atrás dos aparelhos por causa do Mundial.
Gerente de uma loja no Centro, Roberto Gonçalves explica que o movimento é mais de possíveis clientes perguntando o preço da TV do que comprando.
“Pessoal mais da antiga se importa bastante com a Copa do Mundo”, defende. “A maioria hoje olha jogo até no aparelho celular, então nem se liga muito.”
Saiba mais
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história disputada em três países — Estados Unidos, México e Canadá. Ao todo, 16 cidades receberão partidas do torneio, a grande maioria nos EUA.
Esse será o primeiro Mundial com 48 seleções. São 16 a mais do que a última no Catar, em 2022. A abertura ocorrerá nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, na Cidade do México.