Aos 80 anos, Regina Maciel vive a incerteza. Morando, desde as cheias, em um pequeno barraco às margens do dique Mathias Velho, observou, atônita, o começo da demolição das casas que a cercam na área.
Contemplada pelo programa Compra Assistida, diz somente não saber quando ocorre a mudança. Por isso, ora para não ter ela mesma que deixar o endereço, já que não possui outra casa para chamar de sua.

Foto: PAULO PIRES/GES
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“Eu sei que existe uma casinha no meu nome, porque até já me levaram para ver, mas essa demolição me deixou nervosa. Prometeram que não vão derrubar aqui, mas tenho medo de sair de casa e não conseguir voltar.”
A moradora aponta que será instalada em uma casa em Cachoeirinha, porém ainda não sabe a data da mudança. Enquanto isso, permanece apreensiva com os homens e máquinas trabalhando no local.
“Foi muito triste o que aconteceu no ano passado e ninguém quer passar por uma enchente de novo”, desabafa. “A casa em Cachoeirinha é bem boa, mas preferia que a mudança já tivesse acontecido.”
Foi na última quarta-feira (19) que a Secretaria de Obras e Serviços Urbanos iniciou a demolição das casas que precisam ser removidas para liberar o espaço destinado à obra do dique do bairro Mathias Velho.
Ao todo, 41 residências serão removidas do local. Destas, dez foram demolidas somente nesta quarta. As famílias que viviam nestes imóveis já foram contempladas por programas habitacionais e estão com novas moradias garantidas, garante a Administração.
“Estamos fazendo a remoção dessas casas para que a obra possa avançar no sentido da Avenida Guilherme Schell. Para concluirmos a obra dentro do prazo, essa ação realizada é fundamental”, explicou o secretário de Obras e Reconstrução, Guido Bamberg.

Foto: VINICIUS THORMANN/PMC
Habitação
Conforme o secretário de Habitação e Regularização Fundiária, Fabiano Siqueira, o trabalho da Secretaria de Obras no Mathias Velho se dá em parceria com a Habitação, que coordena a mudança dos contemplados pelo Compra Assistida.
“É importante ressaltar que todas as famílias que estão sendo retiradas foram contempladas em algum programa habitacional e terão sua moradia garantida. Cerca de 1.648 famílias já foram beneficiadas pelo Compra Assistida”, apontou.
Projeto
Foi em maio de 2024 que houve o rompimento do dique Mathias Velho no ponto localizado atrás da Casa de Bombas Seis. Desde então, o assunto sobre as obras necessárias para a proteção da população entrou em discussão.
As obras no dique Mathias Velho, que preveem também a recomposição da estrutura à sua cota ideal, têm um custo estimado em cerca de R$ 68,5 milhões. O projeto, com o conserto do ponto rompido e reforço ao longo da extensão, ganhou fôlego a partir de fevereiro.
Conforme o projeto original, após pronta, a estrutura do dique terá 6,8 metros de altura. A saber, antes da enchente, ela tinha altura de 5 metros, que se revelou insuficiente para a proteção contra as águas.
“Agora, sim, dá para ver o povo trabalhando no dique”, comentou o aposentado Eurico Azevedo. “Porque antes falavam muito, mas a gente não via acontecer nada. É muito bom saber que estão fazendo alguma coisa de verdade para ajudar a gente a descansar um pouco a cabeça”, disse o ex-encanador de 71 anos.