Quem circulou pelo Parque Eduardo Gomes, em Canoas, neste domingo (3), observou o gramado do popular Parcão ser palco de um jogo um pouco diferente, em que às vezes as participantes chutam e às vezes arremessam a bola.
Também o sotaque, não apenas em meio à correria de dentro do gramado, mas à beira da grama, era diferente, com a bola chamada de “pelota” e muitos gritos da torcida de “Vamos, Muchacha!”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Acontece que dois campos do Eduardo Gomes acabaram reservados para os venezuelanos que vivem em Canoas, em uma sadia atividade esportiva e de lazer organizada pela Associação dos Migrantes e Refugiados Mato Grande.
Conforme o presidente, Gabriel Lizarraga, a iniciativa visava reunir o maior número de pessoas em atividades sadias contemplando famílias, com venezuelanos não apenas de Canoas.
“Teve quem veio de Porto Alegre, Cachoeirinha, Esteio”, aponta. “Só para estar perto da família em uma atividade recreativa que uniu pais e filhos; avós e netos; em um mesmo espaço.”
Assim, desde o início da manhã, foi possível observar venezuelanos oriundos de Canoas, Esteio e Cachoeirinha circulando pela área, movimentando-se ou mesmo bebendo uma tradicional chica gelada venezuelana.
Carmen Herrera, 49 anos, chegou à cidade logo após a primeira leva de refugiados venezuelanos ser encaminhada pela Organização das Nações Unidas (ONU) lá em 2018.
“Hoje é momento de descontração”, disse, ao apontar para a neta participando de uma partida de Kickingball, esporte muito popular entre as mulheres do país, onde se chuta e se corre como se estivesse em uma partida de beisebol.
“Parece confuso, mas é bem simples, porque a gente só deixa de fora o taco usado no beisebol. O resto é a mesma coisa. Aquelas corridas em círculo para pontuar”, explicou.
Torcida
Morador de um condomínio no bairro Fátima, Diego Alves saiu com a mulher para tomar chimarrão no Parcão, neste domingo, mas decidiu permanecer durante um tempo curtindo o jogo das meninas.
“Admito que nunca tinha ouvido falar sobre Kickingball, mas curti bastante a vibração das meninas jogando”, elogiou o trabalhador de 39 anos. “Eu não sei nem como elas se entendem, mas está bonito de ver.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Tradição
Por falar em beisebol, enquanto as meninas vibravam, pulavam e dançavam em um gramado, os marmanjos se reuniram para um amistoso de softbol, modalidade em que a Venezuela se tornou famosa.
Muito semelhante ao beisebol praticado pelos americanos, o esporte se diferencia por ser praticado em um campo menor e com uma bola consideravelmente maior, o que causa mais impacto no arremesso e tacada.
“Se deixar, o pessoal joga o dia inteiro”, comentou o venezuelano Juan Garcia Rondón, que saiu de Esteio para acompanhar o primo e beber um ou duas chicas enquanto assiste ao jogo.
“Antigamente eu praticava. Fazia o revezamento. Muito trabalhoso. Hoje prefiro ficar na beira do campo curtindo. Dá menos trabalho”, brincou o operário que vive há sete anos em Canoas.