Com passos sincronizados e uma postura elegante, o pequeno canoense Mateus Parmeggiani Teixeira de Mello, 8 anos, conquistou o prêmio de Bailarino Revelação na 36º edição do Dançando – Festival de Dança de Novo Hamburgo, no mês passado. O feito revela uma paixão pela dança e uma vontade fazer piruetas o dia inteiro.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
“Eu gostei de dançar, gostei do figurino também. Minhas partes favoritas foram do arabesque, a pirueta e o final”, conta um pouco tímido. Mateus dançou as coreografias “Daí eu era o Basílio e você a Kitri” e “O Circo” junto com a prima Camila Sales no festival. A primeira foi a preferida. “É mais técnica, mais elegante”, observa o bailarino.
Além de dançar, Mateus também gosta de assistir. O hábito de ficar na coxia começou a com prima. “Acaba a nossa dança, ela quer ficar assistindo. Ai sentando ali, fiquei do lado dela, e comecei a gostar também. Eu gosto de ver o figurino, a coreografia, o modelo da dança que eles fazem”, comenta.
O talento, a sensibilidade e toda a energia desta criança emociona e alegra quem acompanha o ballet na região. Isso porque a presença masculina, entre crianças e adultos, é escassa. Mas antes de brilhar aos olhos do público, o pequeno brilhou aos olhos, e à expertise, da mãe Letícia Parmeggiani Mello – professora no Ballet Erenita, no Centro de Canoas.
“Desde muito pequeninho, ele demonstrou uma sensibilidade muito grande, principalmente com a música clássica. Sempre manifestou estar muito confortável nesse universo. Com três aninhos, ele já estava fazendo ballet. E sempre foi muito estimulado”, conta a mãe.
Um talento a ser cultivado devagar
Na sala de espelhos, dando piruetas, Mateus se solta. A diversão é colocar uma música e deixar fluir, criando suas próprias coreografias como uma brincadeira. Isso vem de berço. Letícia é filha de Erenita Parmeggiani, bailarina e fundadora da escola de ballet mais antiga de Canoas. Mas apesar do ambiente fértil e do gostar de dançar, a mãe do Mateus mantém os pés no chão quanto ao talento do filho. “Existe uma tela em branco para explorar”, frisa.
“Enquanto estiver sendo prazeroso para eles, enquanto estiver sendo uma experiência enriquecedora, nós vamos sempre fazer esse fomento. Tem um lugar de escuta, é um lugar que se sente bem, mas entendemos que pode ser algo passageiro”, destaca.
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Inspiração e representatividade
Neste 1º de setembro, celebra-se o Dia da Bailarina. A data mostra que as meninas dominam o imaginário do ballet, em quem se pensa quando se fala em dança. Por isso, a presença de meninos é pouca. Além do Mateus, outros dois meninos são alunos no Ballet Erenita. Por isso, bailarinos chamam a atenção.
E quem captou o interesse do pequeno foi o Brian Soares dos Santos, bailarino canoense que está se formando na Escola Bolshoi, em Joinville, Santa Catarina. Ele esteve na cidade em abril deste ano para participar do projeto Cultura para o Mundo, no Colégio Marechal Rondon. O Mateus foi um dos que acompanhou de perto.
“Eu gostei muito. Ele faz uma pirueta elegante, a coluna bem reta. Ele consegue fazer devagar, eu faço um pouco mais rápido”, ressalta. “O Brian tem um outro controle”, ensina Letícia.
“Nós fomos assistir e ele ficou encantando. É sobre isso, se reconhecer. É um mundo muito feminino. Mas quando ele viu o Brian, acho que ele se viu. Existe uma questão de se identificar e se entender como parte”, complementa.
Para mãe e professora, o caminho vai ser trilhado com cuidado e respeito. “É mostrar que não há limites na dança. Eu sei que ele vai encontrar alguns desafios, ainda mais em termos do Rio Grande do Sul. Eu acho que é uma mentalidade muito diferente. Mas para mim está claro que não há limites, a dança não vai colocar limites.”