O encanador aposentado Darci Ribeiro, 64 anos, estava acostumado a embarcar em um veículo que opera por aplicativo no ponto da Avenida Victor Barreto que fica em frente ao Calçadão de Canoas.
Nesta sexta-feira (25), contudo, acabou orientado para se deslocar até o ponto em frente ao Colégio La Salle, onde os motoristas estava embarcando e desembarcando passageiros ao longo do dia.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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“Falaram que estão multando todo mundo que para o carro perto da Estação Canoas ou do Via Porcello”, reclama. “Não dá para entender, porque a gente está acostumado e agora, assim, do nada, não pode mais.”
Foi ao longo da última semana que motoristas de aplicativo e passageiros acabaram surpreendidos com placas de proibido estacionar ao longo do trecho da Victor Barreto que fica entre as ruas Fioravante Milanes e a Muck.
As placas receberam o reforço de agentes de Trânsito, que durante o horário comercial passaram a monitorar o espaço, conhecido por ser “corredor de ônibus”, e multar os motoristas que desobedeciam à proibição.
A medida gerou críticas por meio das redes sociais, com manifestações fervorosas de motoristas profissionais e também de quem se vale do serviço para circular na área central da cidade.
À frente da Secretaria de Mobilidade Urbana, o secretário Thiago Moyses esclarece que a decisão, embora pareça impopular, é bastante óbvia e centrada em regras de trânsito conhecidas em todo o Brasil.
“Onde é que já se viu veículos pararem em um corredor de ônibus?”, argumenta. “Essa proibição sempre existiu, mas a diferença agora é que há uma preocupação em melhorar o fluxo do tráfego para quem circula no Centro”, avisa.
Frota de 300 mil por dia
A decisão tomada no Centro de Canoas é a primeira de uma série de medidas tomadas pela Secretaria de Mobilidade Urbana objetivando a melhoria no tráfego do Centro, afirma o secretário Thiago Moyses.
Um levantamento da Secretaria aponta que a frota em Canoas cresceu 30% nos últimos dez anos. Hoje são 300 mil veículos circulando pela cidade diariamente, sendo 229 mil somente entre os emplacados na cidade.
Durante as próximas semanas, portanto, à parte os táxis que têm ponto fixo próximo ao Calçadão, a área de embarque e desembarque para passageiros continua rente ao muro do Colégio La Salle.
“Estamos aproveitando as férias escolares para implementar a mudança”, esclarece o secretário. “É claro que após este período haverá uma nova conclusão sobre o assunto, mas por enquanto, ali em frente ao La Salle é o local indicado.”

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
São 41 mil circulando de ônibus
Foram semanas de levantamento apontando as infrações de trânsito na Avenida Victor Barreto, segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana.
Durante o período, os agentes observaram condutores que paravam no corredor de ônibus entre 15 e 20 minutos, dependendo do horário.
A Prefeitura, defende o secretário Moyses, vem priorizando o transporte coletivo desde o início da gestão.
O município, aponta o secretário, contabilizou 1,23 milhão de viagens sem custo somente ao longo do mês de junho. A média de passeiros nos ônibus é de 41 mil por dia.
“O prefeito [Airton Souza] é sensível à população e quer a garantia de que o usuário do transporte coletivo receba um serviço de qualidade”, salienta. “Então não dá para permitir que motoristas tomem o espaço no Centro exclusivo para a circulação dos ônibus.”
O secretário aponta ter ele mesmo conferido a imprudência de condutores no local. Observou veículos parados em fila dupla e motoristas de ônibus “aguardando” para descer passageiros no popular paradão.
“Não é possível deixar um grupo de pessoas que depende do transporte ser prejudicado por uma parcela que está tomando o espaço que sempre foi de circulação dos ônibus”, avalia. “Isso acaba a partir de agora.”
Insatisfação
Motorista de aplicativo há dois anos e meio para complementar a renda em casa, Clodoaldo Filho, 47 anos, não critica a medida, mas diz que o ideal seria haver uma semana de adaptação e orientações; não multas.
“Todo mundo suando a camisa pelo leite das crianças”, ressalta. “Se houvesse uma orientação antes, a gente não parava, mas meteram a caneta sem nem pensar que só o aviso bastava”, lamenta.