Aos 44 anos, o paratleta José Lima coleciona pódios e medalhas em competições nacionais e internacionais no snowboard. Após o mais recente desafio realizado em janeiro na Áustria e Suíça, o canoense tem como meta os Jogos Paralímpicos de Inverno de 2030.

Foto: FIS SKI/Divulgação
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Após finalizar o atual ciclo de ranqueamento, Lima não obteve qualificação para as Paralimpíadas de inverno deste ano. O paratleta terminou na 27ª posição do ranking mundial. O Brasil tinha apenas uma vaga, preenchida pelo lajeadense André Barbieri.
“Para o Brasil obter uma segunda vaga, um atleta precisaria estar entre os dez melhores do mundo. A pontuação mínima para ter uma vaga garantida é estar entre os vinte melhores do ranking mundial”, explica Lima.
O paratleta revela que a experiência na Áustria e Suíça o fez sentir que os demais campeonatos serão mais fáceis.
“Foi extremamente desafiador. Fiquei em 9º e 10º lugar. Foram provas muito difíceis, níveis muito elevados, porque estava todo mundo querendo vaga para as Paralimpíadas na Itália. Era muito íngreme. Teve gente se machucando feio. Teve helicópteros buscando gente na montanha.”
Com o novo ciclo competitivo previsto para começar em agosto, Lima conta que os treinamentos começam já em março. “A partir do próximo mês, retorno os treinos aos sábados na Snowland, em Gramado. No início de setembro, a primeira competição será no Chile. O foco para os Jogos Paralímpicos de 2030 começa desde agora.”
Lima compete nas modalidades de Banked Slalom e Snowboard Cross. Ao longo dos anos, conquistou 17 medalhas em campeonatos internacionais e nacionais. Em novembro de 2025, foi tetracampeão no Brasileiro de Para Snowboard.
Além do esporte, o paratleta é servidor de carreira na Prefeitura de Canoas. Devido ao vínculo, não pode receber incentivos municipais.
“Não posso porque trabalho diretamente na Secretaria de Esportes. O apoio de empresas é fundamental para eu seguir minha jornada no esporte. Uma prancha nova custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, por exemplo.”
Interessados em apoiar e/ou patrocinar Lima podem entrar em contato pelo (51) 99149-8596.
Uma vida de superação
Em 2002, aos 21 anos, José Lima perdeu os movimentos do braço esquerdo após um acidente de trânsito. “Na época, estava treinando para seguir a carreira como boxeador. Era meu sonho, mas o acidente mudou tudo. Um carro cortou a frente da minha moto. Tive múltiplas fraturas. Fiquei internado por um bom tempo no hospital.”
O paratleta conta que o esporte sempre esteve presente ao longo dos anos. “Além de trabalhar na Secretaria de Esportes, tenho uma academia de boxe. Por muitos anos andei de skate e, desde 2018, meu foco é o snowboard.”