Quando Canoas tinha recém completado 16 anos, a Paróquia Nossa Senhora das Graças abriu as suas portas à comunidade e nunca mais fechou. Os seus 70 anos de história agora estão sendo contados num livro de mais de cem páginas escritos por uma figura que já se faz ilustre entre as bancadas cor de vinho.
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Foto: Paulo Pires/GES
A professora Iranélci Padilha é a responsável pela obra de capa de dura que traz a história da paróquia na cidade. As mãos firmes da docente aposentada escreveram sobre a pedra fundamental, a inauguração, o altar, a torre, os sinos até as personalidades que contribuíram para a história da paróquia.
O lançamento do livro “Paróquia Nossa Senhora das Graças – Jubileu 70 anos” acontece na próxima sexta-feira (18), às 19h30, no salão paroquial. O evento deve contar com a presença de toda a comunidade e autoridades canoenses convidadas.
A pedido do filho
A escritora é também moradora do santuário jubilar já que seu filho mais novo é o pároco da igreja. E foi a pedido do padre César Leandro Padilha, logo após a mudança da família há cerca de três anos, que motivou dona Iranélci a relembrar estes 70 anos.
“Chegamos aqui e meu filho disse ‘mãe, escreve um livro’. Eu disse sim. O tempo passou, chegamos aqui no dia 28 de setembro de 2022 e em 2024, estoura aquela enchente. A nossa casa era o refúgio de Canoas. Comida, roupa, família, 150 pessoas nós acolhemos e o padre Leandro dizia ‘mãe, conversa com essas pessoas, acaricia e reza'”, relembra a escritora.
E assim não faltou nada para quem buscou abrigo, como conta Iranélci. E também não faltou conversa e trabalho. A obra ser lançada começou a ser elaborada em maio do ano passado.
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Peregrinações
“Naqueles dias 3 e 4, quando estourou e eu vi aquela miséria, aquela pobreza, pessoas perdendo tudo. Ai eu me prôpus a escrever. Foi muito difícil, foi o livro mais difícil pela extensão, pela profundidade. Eu procurei, neste livro, centralizar, focar nestes assuntos na paróquia”, conta. Esse acolhimento à população canoense também se estende aos fiéis e integrantes de outras paróquias.
Entre os temas também tratados está a presença da igreja no roteiro de peregrinação, um momento de fé e devoção. “A Arquidiocese de Porto Alegre escolheu três paróquias como centralidade das visitas das peregrinações. A nossa paróquia é santuário jubilar”, destaca a escritora do livro.
Significado de júbilo deve estar sempre presente
Enquanto professora e evangelizadora, Iranélci gosta de explicar e valorizar o significado das palavras. O termo presente no título do livro e no nome do santuário merece uma atenção especial.

Foto: Paulo Pires/GES
“A igreja antigamente tinha a questão do trabalhar seis anos com a produção da terra. E quando completava sete anos, parava e iam celebrar, festejar. Faziam as cabanas para se recompor daquele cansaço de seis anos de trabalho. E paravam com alegria, com satisfação, com júbilo. Por isso, jubileu”, explica.
O número sete também está na quantidade de rosas escolhidas para acompanhar jubileu. As flores brancas fazem parte de uma história sobre a paróquia que poucos conhecem.
“Nós temos um túmulo de um padre que trabalho aqui por 40 anos. O Cônego Felipe Engelberto Hartmann, foi quem coordenou a construção. O padre Juliano Rech e sete mães, representando a paróquia, depositaram na urna sete rosas brancas”, conta.
Iranélci traz essa memória de alguém que teve a missão de criar a paróquia e depois desfrutou com júbilo.
Obra traz diferentes imagens de N. Sra. das Graças
Além da história da paróquia e sua relação com a cidade, Iranélci trouxe diversas reproduções da imagem da santa que dá nome à igreja e ao bairro. A coleção de cerca de 60 quadros começou a ser montada após a morte de um dos filhos.

Foto: Paulo Pires/GES
“É uma história de dor”, define. “Uma médica amiga me convidou para coordenar uma exposição de Nossa Senhora. Eu aceitei. Ela queria me motivar”, relembra. Iranélci pediu ajuda às amigas que compõem um grupo de escritoras na região.
A coleção, guardada na paróquia, é formada por obras que foram doadas por conhecidos e desconhecidos. As peças já integraram exposições e agora ilustram o livro de 70 anos da paróquia.