Com a proposta de saber como a população foi afetada pela enchente de 2024 e como está um ano depois, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começa a fazer um levantamento inédito a partir desta segunda-feira (15).
Mais de 30 mil domicílios em 133 municípios serão contatados por telefone na Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (Peers) até dezembro. Os resultados devem ser divulgados no primeiro semestre de 2026.
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Foto: Paulo Pires/GES
Ao todo, os pesquisadores vão ouvir os moradores de 34.072 residências, sendo que as perguntas serão respondidas por apenas uma pessoa, conforme as seguintes condições: se estava morando no município atingido nos meses de abril e maio de 2024, se estava presente no período das chuvas e ter mais de 14 anos de idade e se sentir apto a responder.
As perguntas tratam do perfil do morador, como escolaridade e raça; impactos na própria casa e na vizinhança; necessidade de resgate ou atendimento médicos; impactos no trabalho e no rendimento financeiro e recebimento de auxílio. Ao final, os entrevistados também terão a oportunidade de opinar sobre como está o processo de recuperação da sua cidade.
A pesquisa está dividida em sete fases. A primeira começa a ser aplicada já nesta segunda-feira (15) em 12 municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, como a própria capital, Canoas, Nova Santa Rita, Esteio e Sapucaia do Sul. O contato será através do telefone (21) 2142-0123 até 19 de dezembro. O site da pesquisa pode ser acessado neste link. (Confira o cronograma mais abaixo).
Ouvir quem viveu o desastre
A pesquisa sobre a enchente busca embasar o desenvolvimento de políticas públicas para ajudar as pessoas atingidas e mitigar futuros eventos climáticos extremos. Para isso, o levantamento vai ouvir moradores que viveram o desastre em 133 cidades gaúchas.
Os municípios foram escolhidos porque decretaram situação de calamidade pública ou estado de emergência. Nestas localidades, somam-se 2.011.187 residências, mas nem todas serão ouvidas. Por questões de logística e por não ser um censo, pouco mais de 30 mil moradias foram escolhidas para a realização do estudo.
De acordo com o instituto, os moradores foram previamente contatados por uma carta enviada pelos Correios ou por e-mail. O texto, assinado pelo presidente do IBGE, Marcio Pochmann, explica como será feita a pesquisa e sua intenção. As informações de endereço e contato dos moradores foram colhidas durante o Censo de 2022.
“Um agente do IBGE entrará em contato. Fique atento ao número que aparecerá na tela do seu celular, que será o 21 2142-0123, e por favor, atenda e responda às perguntas de forma a retratar o que aconteceu com aqueles que residem em seu domicílio durante e após a enchente”, diz.
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Morador pode agendar e deve ter cuidado com golpes
A pesquisa será desenvolvida por telefone, exatamente para conseguir ter acesso aos moradores, segundo a gerente substituta de Estudos e Pesquisas Sociais do IBGE, Juliana Paiva. “Quando se fala em uma tragédia, como o que aconteceu no Rio Grande do Sul, muitos domicílios não existem mais. Então, temos por telefone a possibilidade de achar essas pessoas com custos mais baixos”, observa.

Foto: Paulo Pires/GES
Por isso, o instituto está divulgando com destaque o número (21) 2142-0123 e pedindo para que os cidadãos salvem o contato. “O nosso maior problema é as pessoas atenderem. Mas depois que elas atendem, elas gostam de falar da pesquisa. As pessoas começam a falar e não param mais. O problema é atender”, comenta Juliana.
Só vão participar da pesquisa aqueles que foram selecionados e que foram contatados com antecedência pelo IBGE. Sabendo disso, o morador que quiser agendar a sua entrevista, pode entrar em contato pelo telefone 0800 721 8181 ou pelo e-mail peers@ibge.gov.br, informando o nome e endereço de recebimento da Carta do Informante da Pesquisa.
Outro motivo são os golpes. “O DDD do Rio de Janeiro às vezes é um problema, porque as pessoas podem achar que é golpe. O Centro de Coleta é no Rio de Janeiro”, informa.
Para isso, os moradores que receberem o telefonema e desconfiarem podem confirmar a identidade do agente de coleta nos seguintes canais: 0800 721 8181; e-mail: peers@ibge.gov.br; respondendo.ibge.gov.br.
O instituto ainda ressalta que não serão solicitadas informações sigilosas e sensíveis como dados bancários, senhas de cartão, números ou fotos de documentos.
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Abordagem é inédita
A Peers começou a ser desenvolvida ainda no ano passado. De lá para cá, foram apontados diversos temas que devem ser tratados no levantamento que visa mapear o antes e o depois da enchente. O lançamento oficial da pesquisa foi nesta segunda-feira na Secretaria Estadual da Fazenda, no Centro Histórico de Porto Alegre.
A abordagem é considerada experimental e inédita dentro do próprio instituto, como destaca o diretor de Tecnologia da Informação do IBGE, Marcos Mazoni.
“Para nós é uma tarefa obrigatória porque a missão do IBGE é retratar o Brasil. Procuramos fazer isso da melhor forma possível, usando as tecnologias e ciência adequadas, consagradas no mundo todo. Mas algumas necessidades precisam ser rapidamente organizadas. E por isso se chama experimental essa pesquisa. Estamos fazendo aqui algumas adaptações”, explica.
Para avaliar as perguntas e ter um panorama das respostas, foi realizado um teste, entre junho e julho, com mil moradores de Santa Cruz do Sul. As conclusões permitiram o IBGE aperfeiçoar a aplicação da Peers a partir desta segunda.

Foto: Paulo Pires/GES
Todas os dados recolhidos e as futuras conclusões, assim como qualquer outra pesquisa do IBGE, deve servir para embasar políticas públicas a nível federal, estadual e municipal. “Essas informações têm como objetivo melhorar a qualidade de vida das próprias pessoas que estão sendo pesquisadas e, evidentemente, do conjunto de pessoas que foram atingidas de alguma forma ou de outra”, reforça Mazoni.
Por ser inédita no país, os pesquisadores recorreram a materiais desenvolvidos pelas Nações Unidas que tratam de desastres e a estudos feitos sobre eventos climáticos extremos. Um deles, em específico, é sobre o Furacão Katrina que atingiu cidades americanas em 2005.
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Temas a serem tratados na pesquisa
1. Perfil da população
- idade, escolaridade, cor ou raça
- moradia atual, motivo de mudança
- rendimento mensal domiciliar
2. Impactos nas proximidades
- danos em ruas, pontes, rodovias
- transporte público
- segurança e limpeza urbana
3. Impactos nos domicílios
- inundação e acesso
- danos físicos, perdas de bens
- interrupção de serviços (água, luz, internet)
4. Ocorrências e impactos pessoais
- resgate e ajuda emergencial
- atendimento médico e evacuação
- saúde física e mental
5. Educação e trabalho
- frequência à instituição de ensino (faculdade, escola ou creche)
- existência de trabalho remunerado formal ou informal
- perda de rendimento financeiro
6. Auxílio e prevenção
- recebimento de ajuda financeira
- conhecimento sobre medidas de recuperação
- opinião sobre a recuperação
7. Qualidade de vida atual comparado com antes das enchentes
- acesso ao serviço de saúde, fornecimento de água e de energia elétrica
- esgotamento sanitário, transporte coletivo, iluminação de rua e escoamento de água
Cronograma das cidades
Fase 1 – 15 a 29/09
Alvorada, Arroio dos Ratos, Barra do Ribeiro, Cachoeirinha, Canoas, Eldorado do Sul, Esteio, Gravataí, Guaíba, Nova Santa Rita, Porto Alegre e Sapucaia do Sul
Fase 2 – 29/09 a 10/10
Charqueadas, General Câmara, São Jerônimo, Triunfo, Maratá, Montenegro, Pareci Novo, São José do Sul, Bom Princípio, Campo Bom, Capela de Santana, Harmonia, Lindolfo Collor, Novo Hamburgo, São José do Hortêncio, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, São Vendelino, Igrejinha, Parobé, Rolante, Taquara e Três Coroas
Fase 3 – 13 a 17/10
Engenho Velho, Nova Boa Vista, Rodinha, Sarandi, Jacuizinho, Barra do Rio Azul, Ponte Preta, Severiano de Almeida, Novo Tiradentes, Pinhal, Vicente Dutra, Nova Ramada, Nova Alvorada, São Domingos do Sul, Alpestre, Lajeado do Bugre, São José das Missões, São Pedro das Missões, Espumoso, Fontoura Xavier, São José do Herval, Ibiaçá, Barra do Guarita, Derrubadas e Miraguaí.
Fase 4 – 20 a 31/10
Doutor Ricardo, Encantado, Muçum, Nova Bréscia, Putinga, Relvado, Roca Sales, Vespasiano Corrêa, Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Canudos do Vale, Colinas, Coqueiro Baixo, Cruzeiro do Sul, Estrela, Forquetinha, Imigrante, Lajeado, Marquês de Souza, Paverama, Poço das Antas, Pouso Novo, Sério, Taquari, Teutônia, Travesseiro, Candelária, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sul, Vale Verde, Venâncio Aires, Vera Cruz, Ibarama, Passa Sete, Segredo e Tunas.
Fase 5 – 3 a 7/11
Arambaré, Cerro Grande do Sul, Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e São Lourenço do Sul.
Fase 6 – 10 a 14/11
Bento Gonçalves, Boa Vista do Sul, Coronel Pilar, Cotiporã, Santa Tereza, São Valentim do Sul, Caixas do Sul, Feliz, Gramado, Picada Café e São Jorge.
Fase 7 – 17 a 28/11
Cachoeira do Sul, Cerro Branco, Novo Cabrais, Paraíso do Sul, Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Nova Palma, Restinga Sêca, Santa Maria, São João do Polêsine, São Martinho da Serra, São Sepé, Silveira Martins, Toropi. São Gabriel e Manoel Viana.
Fase final – 1º a 19/12
Todas as regiões.
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