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Trânsito

"Podia ter passado por cima, porque não viu nada", diz mãe de crianças atropeladas na faixa de segurança em frente a escola

Pais e responsáveis se reuniram em frente ao Colégio Adventista para fazer um abaixo-assinado que será encaminhado ao Ministério Público exigindo providências; Prefeitura anuncia mudanças

Publicado em: 16/12/2025 às 15h:33 Última atualização: 16/12/2025 às 16h:18
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A semana começou com sinais de alerta da Defesa Civil e muita preocupação devido ao mau tempo no Rio Grande do Sul, porém, a empresária Bruna Galeazzi Winckler viveu um drama que não tem relação nenhuma com a ventania nesta segunda-feira (15).

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Ela atravessava a faixa de pedestres da Avenida Farroupilha, em frente ao Colégio Adventista, com os dois filhos – de 6 e 11 anos – quando uma carro atingiu os estudantes e os arremessou em direção ao canteiro central da Avenida Farroupilha.

Operação foi organizada, nesta terça-feira (16), pela Secretaria de Mobilidade Urbana na área do acidente | abc+



Operação foi organizada, nesta terça-feira (16), pela Secretaria de Mobilidade Urbana na área do acidente

Foto: PAULO PIRES/GES

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“Ele podia ter passado por cima delas, porque não viu nada”, reclama. “Estava no celular no momento em que acertou as minhas crianças. A minha guria voou e se não fosse a mochila, o impacto na cabeça seria bem maior.”

Segundo a mãe, é verdade que o motorista parou, mas em nenhum momento socorreu as crianças ou mesmo se desculpou. O Samu foi acionado, o menino de 6 anos liberado, mas a menina acabou sendo levada à emergência do Hospital Nossa Senhora das Graças devido à batida na cabeça.

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“Cheguei no hospital somente para ser informada que não havia médico para atendê-la”, reclama. “Tive que ir lá para o Hospital Regina [em Novo Hamburgo] para ela fazer os exames. Não dá para contar com a saúde em Canoas.”

As crianças, felizmente, estão bem, no entanto, a empresária espera que alguma atitude seja tomada sobre a violência no trânsito nas imediações da instituição, já que o desrespeito impera no local.

“Não dá para esperar acontecer uma tragédia para fazer alguma coisa. As crianças estavam bem firmes na mão e não estavam atravessando a faixa sozinhas. Se não fosse a mochila amortecer a queda, a situação da minha guria seria mais grave.”

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Desrespeito à sinalização

Nesta terça-feira (16), um grupo de pais e responsáveis se reuniu em frente ao Colégio Adventista para fazer um abaixo-assinado que será encaminhado ao Ministério Público exigindo providências sobre a situação na área.

O empresário Cláudio Ugarte conta que atravessou a faixa de segurança com o filho somente cinco minutos antes do acidente nesta segunda-feira. Nem chegou a ficar surpreso quando leu sobre as crianças.

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“Fiquei muito triste, mas não dá para dizer que fiquei surpreso”, comenta. “Eles andam a mil nesta faixa, sem respeitar que há uma escola com crianças. Esse acidente poderia ter acontecido comigo.”

Comerciante com um estabelecimento em frente ao Colégio Adventista, Robson Alex da Cruz observa ser necessário um dispositivo que obrigue os condutores a tirarem o pé do acelerador ao passar pela área.

“Somente a faixa de segurança já provou não ser suficiente para que as crianças atravessem seguras”, afirma. “É uma pista onde os motoristas imprimem muita velocidade, sem respeitar a sinalização.”

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Morte em 2024

Em outubro de 2024, uma mulher morreu próximo ao local do acidente desta segunda-feira. Carmem Regina Thomazi Ambrozio, 69 anos, atravessa a rótula da Avenida Farroupilha quando foi atingida por um veículos. Ela chegou a ser socorrida pelo Samu, mas morreu um dia depois, no Hospital Nossa Senhora das Graças.

Naquela época, ainda na adminsitração anterior, falou-se nas melhorias para o trânsito ser mais seguro na área, como duas faixas elevadas em frente ao Colégio Adventista, dois quebra-molas na Rua Aurora, na altura do Sesi, e reforço na sinalização.

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O secretário Thiago Moyses conversou com a mãe da vítimas, a empresária Bruna Galeazzi Winckler, na tarde desta terça-feira (16), em frente ao Colégio Adventista  | abc+



O secretário Thiago Moyses conversou com a mãe da vítimas, a empresária Bruna Galeazzi Winckler, na tarde desta terça-feira (16), em frente ao Colégio Adventista

Foto: PAULO PIRES/GES

Faixa elevada até o início do letivo

No começo da tarde desta terça-feira, o prefeito, Airton Souza, e o secretário de Mobilidade, Thiago Moyses, estiveram no local do acidente, onde conversaram com a população sobre melhorias.

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Segundo o secretário, já houve um estudo no local e o processo licitatório para a criação de uma faixa elevada e de melhoria na sinalização da área está em andamento, visando reforçar o alerta no local.

“Queremos ter melhorias implementadas na área até o início do ano letivo do próximo ano”, avisa. “A licitação está em andamento e prevê melhorias como uma faixa elevada e mais sinalização.”

O secretário adverte, entretanto, que nem todas as melhorias podem deter motoristas imprudentes, já que o caso de atropelamento está ligado ao uso do aparelho celular ao volante.

“A Secretaria de Mobilidade Urbana fará a sua parte e garantirá as mudanças necessárias, porém a imprudência é algo muito sério, porque testemunhas apontaram que o condutor estava no celular quando acertou as crianças”, diz.

Indignação

Prefeito de Canoas, Airton Souza lamentou o acidente. Ele esteve no local, onde deu atenção a pais e responsáveis. Indignado, o prefeito reclamou que o mesmo motorista que corre em Canoas anda a 30 km/h quando está em Gramado.

“O desrespeito no trânsito é enorme”, lamenta. “E o mesmo condutor que afunda o pé no acelerador em Canoas anda bem devagarzinho quando está passeando em Gramado. Isso é lamentável”, acrescentou.

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