Matemática não é a matéria favorita de muitos estudantes, mas quando não tem professor faz falta. O prejuízo é sentido principalmente por quem está terminando a escola e se preparando para ingressar na universidade. Este é o cenário vivido pelos alunos da Escola Estadual de Ensino Básico (EEEB) Santa Rita, que lidam com a falta de professores desde o início do ano.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Localizada no Centro, em Nova Santa Rita, a instituição de ensino aguarda a chegada de três profissionais, mas ainda precisa de outros dois professores para conseguir fechar o cronograma de períodos. Além da Matemática, Educação Física também é uma lacuna na formação dos alunos neste ano letivo.
Enquanto isso, a escola remaneja os horários e os estudantes ficam um dia da semana em casa ou ficam ociosos nas quadras de esporte. “Segunda-feira não temos aula porque não tem professor. Eu estou tendo RP [Resolução de Problemas], mas estou sem Matemática Financeira e Matemática normal. Era uma professora, mas ela saiu no início do ano”, conta a aluna do 2º ano Letícia Okita, 16 anos. “É chato, mas não está no nosso controle. Não tem o que fazer”, desabafa.
A vice-diretora do turno matutino, Isabel Sarmento, também lamenta a situação. “Ficamos com eles aqui dentro, mas para nós é horrível manter um aluno aqui dentro sem professor. Nós não gostamos disso também. Está bem complicado, já estamos na metade do ano. Iniciamos sem professor e perdemos professores. É muito demorado.” Atualmente, os professores assinam contratos, não entram mais via concurso público.
Preocupação com o futuro
O cenário se tornou insustentável. Na última segunda-feira (2), a comunidade que se preocupa com a escola se reuniu e realizou um protesto em frente à instituição. Cerca de 30 pessoas, incluindo o vice-prefeito Toninho Pfeil, fizeram coro ao pedido de mais professores para Santa Rita.
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Uma dela é a Lia Mara Oliveira, mãe de uma aluna do 2º ano no turno da noite, que se indigna com a situação e se preocupa com o futuro da filha. “A escola está cobrando toda a semana e dizem que precisa aguardar. Nesse aguardar nossos filhos só perdem. Quando chegar no Enem, ela vai competir com escolas particular, quem pagou cursinho”, relata.
“Eles querem índices, metas, mas o 3º ano vai fazer o Enem e metade do ano ficarem sem professor. Agora, esse professor de 20 horas que chegou semana passada demos preferência para os terceiros”, explica a vice-diretora. Além da falta de professor, os estudantes ainda lidam com uma defasagem pós-enchente. A escola não foi atingida, mas muitos dos funcionários e alunos foram, o que atrasou o calendário no ano passado.
Atrás na concorrência
As estudantes do 2º ano Ana Luiza da Silva Pereira e Laura Pfeil Lopes, ambas de 17 anos, não têm aula na segunda-feira e sentem falta das aulas de matemática. “Pensamos muito na questão de fazer vestibular, o Enem. Os alunos de outras escolas estão tendo aula e nós vamos concorrer com eles. Nós estamos perdendo e na hora de concorrer eles vão saber muito mais que nós”, comenta Laura.
“Mesmo tendo a facilidade da internet, a oportunidade de recorrer a isso, mas sem um professor não dá. Nós precisamos do apoio de alguém que estudou, alguém que saiba explicar alguma coisa que não entendemos, tirar dúvida mesmo. É ruim”, completa.
Antes de prestar os concursos, é preciso terminar bem o ano letivo, como destaca Ana Luiza. “Eu tive algumas faltas justificadas e iria fazer uma avaliação numa segunda, mas a professora de Matemática saiu numa sexta-feira antes. Então, fiquei sem uma nota e fui para a recuperação”, relembra. A estudante agora aguarda um novo professor para recuperar o que perdeu.
E as duas amigas pensam justamente em seguir carreiras em áreas que precisam da disciplina: Laura na Engenharia Química e Ana Luiza na área da Saúde. Assim como os estudantes Nathália Ramos, 16 anos, e Nicolas Stran, 17, ambos também do 2º ano.
“Muitas pessoas acham bom ficar em casa, mas é complicado porque estamos perdendo. Acredito que o 2º ano é um ano muito importante, aprendemos muita matéria. E estar sem professor é uma coisa muito complicada”, observa Nathália, que quer cursar Arquitetura
Para Nicolas, a situação é ainda mais difícil. O aluno faz um curso técnico em Mecânica no Senai, em São Leopoldo, e sente que também está ficando para trás nas aulas. “Eu já falei que estou sem professor de Matemática e estão tendo paciência comigo, mas está me afetando bastante. Ninguém sabe se foi bem no trimestre porque não teve avaliação final”, frisa.
O que dizem a 27ª CRE e a Seduc
Inaugurada em 2004, a escola de ensino médio possui 864 alunos matriculados nos três turnos. O problema atinge a todos. Na tentativa de solucionar a falta de professores,diversos ofícios já foram enviados para a 27ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e para a Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
Em nota, o coordenador da 27ª CRE, Francisco Ximenes, informou que está atrás de novos profissionais para atender a demanda da EEEB Santa Rita. “A CRE iniciou seus procedimentos de seleção de professores, no qual implica a aceitação dos candidatos para assumirem as respectivas vagas, o que não tem ocorrido, até o momento.”
Quem também se manifestou por nota foi a Seduc, nesta terça-feira (3). Confira a íntegra:
Em relação às vagas de Matemática para a EEEB Santa Rita, em Nova Santa Rita, a Secretaria da Educação (Seduc) informa que um professor já foi contratado e está em exercício na instituição desde o dia 15 de maio. No entanto, ainda existem outras vagas disponíveis, que foram publicadas por duas vezes nos Editais de Contratação Temporárias, mas não houve candidatos interessados.
A Seduc segue trabalhando para atender as necessidades da escola. A 27ª Coordenadoria Regional de Educação, que abrange o município de Nova Santa Rita, está verificando a possibilidade de ampliar a carga horária de professores disponíveis em municípios próximos, a fim de suprir a demanda existente.
Os Editais para Contratações Temporárias são realizados considerando as necessidades existentes em todos os municípios das CREs. Com isso, há uma chance maior de atrair candidatos qualificados, pois a busca não fica restrita a um único município, aumentando as oportunidades de alocação de professores conforme a necessidade local.
A publicação da vaga, com a informação do componente curricular, carga horária e município, é realizada através do site da Seduc. Além disso, é emitido um e-mail aos candidatos inscritos nos editais vigentes. A cada publicação, é feita uma lista de 200 candidatos, conforme a ordem de classificação. É selecionando o melhor candidato que manifestar interesse para o atendimento.