Com diversas bancas espalhadas e artistas de diferentes cidades da região, a primeira edição da Revoada Gráfica trouxe arte, música, gastronomia e movimento para o Centro de Canoas. O evento foi realizado na Casa de Artes Villa Mimosa na tarde deste domingo (13).
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Quem passou pelo local se deparou com camisetas, ecobags, bottoms, adesivos e peças de crochê, além de zines, livros, pães e bolos. O espaço também contou com uma exposição de lambes – cartazes com mensagens artísticas, políticas e sociais. Ao todo, 37 artistas e 17 expositores, ocuparam dentro e fora da casinha amarelada localizada na Avenida Guilherme Schell.
Entre os participantes, estava a artista de Novo Hamburgo, Ana Clara Dieter, 28 anos, com seus adesivos serigrafados no vinil que são resistentes à água. “Faz cerca de três anos que eu comecei a produzir artes gráficas. Foi nesse tempo que eu conheci a serigrafia e as técnicas”, conta.
Na banquinha da moradora do bairro Rincão tem adesivos de cachorros, capivaras, gatos, cogumelos, tesouras, além de camisetas, gravuras e cadernetas. O “estalo” para iniciar a carreira no ramo veio ainda na faculdade de Artes Visuais. “Eu comecei a participar de um projeto de extensão na Feevale e me interessei muito por isso. Sempre há o receito de como viver de arte e as feiras ajudam a se inserir no mercado. Também fica mais acessível para o público que eu quero atingir. Quando a tiragem é maior, o preço fica mais baixo”, destaca.
Além dos moradores da cidade que passavam pelo espaço, o tatuador Gerson Weisheimer, 37 anos, e a estudante de Arquitetura Tassia Furtado, 41, vieram de Porto Alegre para prestigiar a exposição. “Eu morei aqui há muito tempo. Sai de Canoas em 1999 e não lembrava da casa. Estou achando muito legal, tem artistas que eu conheço, então é legal vim acompanhar”, comenta Tassia.
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Foto: Nicole Goulart/Especial
Fazer a arte circular
Inspirada por um projeto que desenvolveu há quatro anos atrás, uma das organizadores do evento, Luana Terra, somou lambes com feira de arte. E como resultado: uma exposição itinerante que vai passar pelo Guajuviras, Rio Branco e Mathias Velho.
Os bairros vão receber uma grande tela produzida pelo Jacson Piovesan, também organizador do evento, no momento da feira e tapumes com colagens de diferentes artistas. “A ideia é que circule o trabalho desses artistas, circule a arte. Canoas tem muitos artistas. A ideia é fomentar quem produz na região, principalmente pessoas atingidas pelas enchentes”, ressalta Luana.
Os artistas puderam se candidatar para o evento atrás de um chamamento online. Os inscritos passaram por uma curadoria e foram selecionados aqueles que se encaixavam na ideia de revoada, proposta da exposição.
Além disso, o evento também contou com apresentação de teatro do Grupo TiA, performance de Kanahuã Nharu e show da Banda Rapina. A ação é viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Incentivo à Cultura.
Ocupar os espaços da cidade
Alocar uma feira, organizar uma exposição e promover apresentações movimentam espaços que, muitas vezes, não recebem atenção no cotidiano da cidade. Com a Casa de Artes da Villa Mimosa não é diferente.
“A casa precisa de mais atenção. Está cheia de manutenção para fazer. Além de valorizar os pontos que nós temos na cidade, temos que cuidar. Por que na Antiga Estação de Trem só acontece coisas pontuais? Por que a Casa dos Rosa e a Villa Mimosa não têm rede social? São coisas muito pequenas que dá para fazer”, afirma Luana Terra.
“Muitas pessoas também não conhecem a casa. Acho que é importante ter eventos aqui que chamem as pessoas. Por isso, hoje é muito legal que estamos tomando a calçada porque isso chama. Os editais estão ai e o que eu puder fazer para circular a arte em diferentes pontas da cidade, eu vou fazer”, completa.