Pensar em dinheiro, renda e em como gastar parece assunto de gente grande, mas a educação financeira deve começar desde cedo. Pensando nisso, o Procon de Canoas realizou uma oficina sobre orçamento familiar com os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Leonel Brizola, nesta segunda-feira (18), no bairro São José.
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Foto: Paulo Pires/GES
Com cédulas, cartão de crédito e uma planilha, os 28 alunos de uma turma de 9º ano aprenderam a pensar em como usar o dinheiro que ganham, ou que vão ganhar futuramente.
Tudo começa pelo valor da renda, que variou entre um e três salários mínimos, de R$1.518 a R$4.554. Depois, vem o mercado, moradia, educação, saúde, transporte, lazer e vestuário – nesta ordem de importância. Ao final, os alunos somam o total de gastos e indicam se sobrou ou faltou dinheiro.
Público específico
O jogo, que é sério, foi comandado pelo educador Leandro Lang Garcia e pela psicóloga Katiele Neuenschwander, ambos do Núcleo de Apoio ao Superendividado (NAS) do Procon de Canoas. O setor realiza esse trabalho de educação financeira com as turmas de 9º anos em todas as escolas municipais.
“Trabalhamos com eles de forma lúdica como fazer o orçamento familiar, como organizar as contas, que tipo de conta e como alocar esses valores em cada quadradinho”, explica o educador.
A iniciativa tem um público específico e não é por acaso. “O 9º ano é quando eles estão iniciando, indo para o mercado de trabalho. Eles vão ter o primeiro salário, a primeira bolsa do Jovem Aprendiz. Como administra esse dinheiro? Justamente para eles não irem direto fazer um cartão de crédito ou gastar sem necessidade”, ressalta o educador.
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Assunto é novidade para os alunos
O assunto parece distante da realidade dos estudantes nesta idade, mas eles se empenharam no jogo. Cada grupo recebeu um valor de renda diferente para pensar o orçamento, calculando também de acordo com a quantidade de pessoas.
O grupo dos amigos Julian Menegotto, Israel Pereira, Willian Felter, ambos de 15 anos, e Bryan Saldanha, 14, estavam entretidos com a sua renda de três salários mínimos. Para os jovens, a atividade é novidade.
“Não tem sido muito fácil. Acho que se fosse minha família, ia ser diferente”, afirma Israel. “Não temos noção de preço”, observa Willian.
Cuidado com o superendividamento
Além do assunto orçamento, os estudantes também aprendem sobre o superendividamento. “Hoje um tema nacional. Como não se tornar um superendividado, como não usar de forma irregular o cartão de crédito, o limite da conta. Trabalhamos os juros também”, afirma Leandro Garcia, que também é coordenador de projetos no NAS.
O superendividamento é quando a quantidade de dívidas interferem na sobrevivência da pessoa. “Ela não tem mais dinheiro para coisas básicas do dia a dia, como por exemplo, comida, água, luz, moradia. Quando o salário da pessoa já está tão diminuído com empréstimo, cartão de crédito, contas no geral, e não tem mais dinheiro para o básico. Ou seja, ela está num momento de inseguranças alimentar e habitacional”, detalha a psicóloga Katiele para os alunos.
A profissional é quem primeiro atende aqueles que procuram o núcleo. “Tudo começa com os psicólogos ou assistente social. A Katiele vai fazer um acolhimento, uma escuta, vai entender como aquela pessoa chegou àquele momento. As pessoas não chegam a essa situação porque querem”, observa Garcia.
“A vida das pessoas são marcadas por muitos imprevistos e se não temos um dinheiro guardado ou um bom salário que nos ajude, esses imprevistos podem fazer afetar o orçamento”, observa a psicóloga.
Dicas para ter uma boa saúde financeira
A exemplo da oficina feita com os estudantes, o educador Leandro Garcia elenca algumas dicas para ter um orçamento organizado e não se endividar.
- 1. Ter um orçamento familiar
- 2. Apontar bem qual é a renda total da família e como distribui essa renda dentro das necessidades básicas para que consiga fazer uma reserva financeira
- 3. Não deixar a reserva financeira parada, mas sim aplicada para ter rendimentos
- 4. Cuidado com o cartão de crédito para comprometer a renda no mês seguinte
- 5. Empréstimo pessoal somente em casos realmente importantes, e não em coisas desnecessárias
Quando procurar ou indicar o núcleo?
O Núcleo de Apoio ao Superendividado é indicado para quem já está com a renda totalmente comprometida, não sobrando dinheiro para alimentação e moradia, por exemplo.
“Quando verificar que a renda não dá, que já no vermelho no cartão, no empréstimo. Já pegou empréstimo consignado, já pegou empréstimo pessoal. Não está sobrando mais dinheiro mesmo para pagar o básico do básico. Se identificou, é caso para o Nas”, ressalta o coordenador de projetos do núcleo.
O serviço é gratuito e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30, na Rua General Salustiano, 142, Marechal Rondon. Também é possível entrar em contato através do e-mail, nasprocon@canoas.rs.gov.br oudo telefone (51) 3236-2056.
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