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MERCADO DE TRABALHO

Programa Por Mim conecta vítimas de violência a vagas de emprego em Canoas

Acesso à iniciativa é viabilizado por meio do Centro de Referência da Mulher (CRM) Patrícia Esber

Taís Forgearini
Publicado em: 24/02/2026 às 14h:48 Última atualização: 26/02/2026 às 19h:45
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Considerada um dos pilares no combate à violência contra a mulher, a autonomia financeira ainda é uma realidade distante para mulheres que vivem um ciclo de dependência em relacionamentos abusivos. Em Canoas, o programa Por Mim oportuniza entrevistas de trabalho junto à iniciativa privada para vítimas de violência doméstica e familiar.

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Acesso à iniciativa é viabilizado por meio do Centro de Referência da Mulher (CRM) Patrícia Esber

Foto: Paulo Pires/GES

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Com foco na empregabilidade, a iniciativa auxilia na inserção ao mercado de trabalho. O acesso ao programa Por Mim é viabilizado por meio do Centro de Referência da Mulher (CRM) Patrícia Esber, que oferece serviços psicológicos, de assistência social e técnicos.

“Todas as informações das vítimas são sigilosas e protegidas. Quando a equipe do CRM identifica que a mulher está em um ciclo de violência por dependência financeira ou tem dificuldades de recolocação no mercado, ela é encaminhada para participar do programa”, explica a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI), Patrícia Augsten.

Embora o CRM seja o fluxo preferencial de encaminhamento, a titular da pasta esclarece que as mulheres podem procurar a SMDEI diretamente se precisarem apenas de uma vaga de emprego e não de apoio psicossocial. A secretaria também pode encaminhá-las ao CRM, se necessário.

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A partir de uma triagem inicial realizada pelo CRM, a mulher é encaminhada para uma entrevista de emprego em uma das vagas do programa, ofertadas pelas empresas parceiras. As candidatas passam por um processo seletivo diferenciado, com apoio da equipe técnica da Diretoria de Emprego, Trabalho, Renda e Formação Profissional, vinculada à SMDEI, e da Diretoria de Políticas para as Mulheres, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Participação Social.

Criado em 2019 e descontinuado em 2021, o Por Mim foi retomado em 2025. Segundo Patrícia, além da intermediação de vagas de emprego, o programa auxilia no encaminhamento de cursos profissionalizantes disponibilizados gratuitamente pela Prefeitura de Canoas.

“No ano passado, tivemos nove mulheres encaminhadas. Infelizmente, isso indica uma barreira na chegada das vítimas ao programa Por Mim. Estamos reforçando a atuação com as demais secretarias e com o CRM. A violência psicológica muitas vezes impede a mulher de trabalhar ou se qualificar, e ela chega ao mercado de trabalho muito insegura”, pontua.

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Atualmente, o Por Mim tem quatro empresas parceiras, que disponibilizam vagas nas áreas de educação, indústria e recursos humanos. “A meta é alcançar no mínimo dez empresas até o fim de março. Pedimos para as empresas que se sintam sensibilizadas pela pauta, que procurem a secretaria para formar parcerias. Queremos oferecer um leque maior de vagas e perfis.”

Para incentivar a adesão das empresas, a SMDEI estuda a criação de um selo de reconhecimento como “Empresa Amiga da Mulher” para as participantes.

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“Sem trabalho, nada disso seria possível”

Por uma década, Joana (nome fictício) sofreu com a escala da violência em casa. Impedida de trabalhar, a canoense de 34 anos relembra a dolorosa experiência que viveu em relacionamento abusivo com o pai de seus três filhos.

Ainda na adolescência, Joana teve sua independência e sonhos interrompidos pelo marido. Casada aos 17 anos com um homem, à época com 30 anos, a jovem foi proibida de exercer qualquer trabalho fora de casa. A rotina de cerceamento da independência foi gradualmente imposta.

Documentos e roupas rasgados, controle e supervisão do telefone, proibição de uso das redes sociais, dependência financeira, ameaças, xingamentos antecederam a agressão física sofrida por Joana.

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“Por 10 anos, a minha vida foi um inferno. O estopim foi quando ele me bateu. Ele me deu um soco no rosto enquanto eu segurava meu filho caçula no colo. Puxou meus cabelos e agrediu meus braços. Registrei um Boletim de Ocorrência. Ele foi enquadrado na lei Maria da Penha, mas nunca ficou nem um dia preso”, revela.

Sob constante ameaça e controle, a mulher reflete sobre a dependência financeira e emocional vivida desde o início do relacionamento.

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“Sofri um abuso na infância. Acho que isso me levou a buscar ‘alguém que me tirasse daquele lugar escuro’. Hoje, entendo que fui influenciada nas minhas escolhas. Fiquei cega para os sinais de alerta.”

Após o pedido de separação, Joana perdeu a casa em que morava com os três filhos. O homem vendeu a residência que a mulher havia ganhado de sua antiga patroa.

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“Antes de conhecer ele, eu trabalhava como babá. Era informalmente, mas eu tinha o meu dinheiro. Fiz um laço de amizade com a minha ex-patroa. Ela carinhosamente me deu de presente um lar. Morávamos na casa que era minha.”

Com uma resiliência inabalável, Joana lutou para sustentar os filhos e retornar ao mercado de trabalho. Desde 2021, conquistou a tão sonhada carteira assinada. Atualmente, a mulher trabalha como auxiliar de serviços gerais.

“Aos poucos fui reconstruindo minha vida. Consegui reconstruir minha casa. Tenho meus filhos ao meu lado. Sigo criando eles sozinha. Sem trabalho, nada disso seria possível”, finaliza.

CRM Patrícia Esber

Localizado na Rua Siqueira Campos, 321, Centro, o Centro de Referência da Mulher (CRM) Patrícia Esber disponibiliza um serviço de acolhimento e acompanhamento, com equipe multidisciplinar, para atendimento às mulheres em vulnerabilidade social e vítimas de todas as formas de violência contra as mulheres.

O espaço atende mulheres adultas de todas as faixas etárias e adolescentes a partir de 14 anos completos. Todos os serviços oferecidos são gratuitos. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, e sábado das 8 às 12 horas. Telefones para contato: (51) 3464-0706 – WhatsApp: (51) 99815-3503.

Tipos de violência

A coordenadoria do CRM de Canoas chama a atenção para o fato de quem nem sempre a violência é uma agressão física. Por isso, o centro produziu um folheto com os cinco tipos de violência elencados na Lei Maria da Penha. Confira:

  • violência física: bater, arremessar objetos, sacudir, apertar os braços, estrangular/sufocar, cortar/perfurar, queimar
  • violência psicológica: ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, limitação do direito de ir e vir
  • violência sexual: obrigar a mulher a fazer ou presenciar atos sexuais, forçar o aborto ou a prosseguir com uma gestão, impedir o uso de métodos contraceptivos
  • violência moral: expor a vida íntima, desferir críticas mentirosas, rebaixar a mulher com xingamentos sobre sua índole, desacreditar de uma vítima pela sua vestimenta

Como denunciar

Disque Mulher – (51) 99275-8146

Brigada Militar – ligue 190

Guarda Civil Municipal – ligue 153

Central de Atendimento à Mulher – ligue 180

Disque Mulher Canoas – (51) 99275-8146

Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) – Plantão (51) 99859-0943

Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) – 3425-9000 – atendimento 24 horas, todos os dias.

Contatos do CRM Patrícia Esber

Telefones: (51) 3476-0706 e (51) 99815-3503 (WhatsApp)
E-mail: crm@canoas.rs.gov.br
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas; sábado, das 8 às 12 horas
Endereço: Rua Siqueira Campos, 321 – Centro

(*) Reportagem usou um nome fictício para proteger a identidade da entrevistada.

SILÊNCIO APRISIONA. INFORMAÇÃO LIBERTA. DENUNCIE! LIGUE 180.

 

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