O cenário de abandono do Colégio Estadual Tereza Francescutti, no bairro Mathias Velho, em Canoas, permanece desde a enchente de maio de 2024. Atingido pela tragédia climática, o prédio da instituição segue fechado e sem previsão de início das obras de reconstrução.

Foto: Paulo Pires/GES
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Diante da ausência de prazos, a medida provisória de alocação de alunos e professores na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) São Francisco de Assis continua no ano letivo de 2026. Desde setembro de 2024, as turmas de ensino fundamental, ensino médio e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Tereza Francescutti passaram a ter aulas presenciais nas dependências da instituição.
A promessa de demolição e construção de um novo prédio segue no papel. Sem especificar datas, o governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), afirma que um anteprojeto arquitetônico, elaborado pelo Instituto Alana, foi desenvolvido para a criação de projetos executivos e posterior licitação da obra.
Ainda de acordo com a pasta, o colégio Tereza Francescutti foi inserido na estratégia da Seduc de garantir infraestruturas escolares sustentáveis e resilientes, com construções que consigam operar com eficiência mesmo em condições adversas.
Anteprojeto
Conforme o Instituto Alana, o anteprojeto arquitetônico foi desenvolvido pelo arquiteto Tomaz Lotufo. A proposta inclui um memorial descritivo e um “caderno de soluções baseadas na Natureza”, que detalha as soluções de resiliência e adaptação climática que serão implementadas na escola.
“O próximo passo [do Instituto Alana] é a conclusão dos trâmites de doação do anteprojeto à Seduc. Após isso, a continuidade está sob a responsabilidade da pasta e da Secretaria de Obras Públicas do Estado. O cronograma será definido por eles. A atuação do Alana se restringe à entrega e doação do anteprojeto”, explica a co-líder do portfólio de Natureza do Instituto Alana, Laís Fleury.
A co-líder destaca que o anteprojeto tem como diretriz o Plano de Necessidades da escola e o padrão de qualidade da rede estadual de ensino.
“Tivemos a fase de escuta para elaboração do projeto quanto no momento de aprovação. Todos os ajustes solicitados foram considerados. Os prazos foram reavaliados, conforme revisões e entregas parciais foram ajustadas com o governo e a comunidade escolar.”
“Parece que estão brincando”
Sem solução efetiva, a comunidade escolar relata falta de diálogo com a Seduc e a 27ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
“Parece que estão brincando com a educação. A gente não ouve mais falar. Disseram que seria uma escola-modelo, mas pelo jeito só no papel. Na minha opinião, foi um erro ter colocado o Instituto Alana no meio disso tudo. Talvez, se fosse só o Estado envolvido, a gente já estaria com a escola de volta”, opina Priscila Leci de Souza, mãe de um aluno do 7º ano do ensino fundamental.
Mãe de uma aluna do 1º ano do ensino médio, Luiza Carla Fernandes, revela apreensão com o futuro do Tereza Francescutti.
“É triste, mas esse é o resultado da omissão de todas as partes responsáveis. Colocaram duas escolas dentro de uma. Ano passado eram dois lados de corredores com salas de aula. Agora, somente um lado está em uso na São Francisco de Assis para os alunos do Tereza. Está ruim para todo mundo. Estão prejudicando os estudantes de duas escolas”, reclama.
Limitações
A diretora do 20º Núcleo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), Cleusa Werner, critica a limitação de espaço para os profissionais e estudantes.
“É muito ruim. Os professores estão sem espaço adequado para trabalhar. Os alunos estão pedindo transferência de escola. Recentemente, duas professoras do Tereza Francescutti procuraram o Cpers para relatar redução de carga horária por causa da diminuição de turmas”, destaca a diretora.
Para Cleusa, a morosidade na busca de resoluções compromete a aprendizagem dos alunos. “O vínculo com a escola se rompe. O psicológico tem relação direta com o aprendizado dos estudantes. Aguardamos uma reunião com o Estado para cobrar por prazos. Ninguém sabe quando começará a demolição e a construção do prédio novo.”
Estrutura condenada
Fechado há quase dois anos, o colégio Tereza Francescutti sofre com a degradação do tempo. Com a estrutura condenada após a enchente, as dependências e o entorno da escola apresentam mato alto e acúmulo de lixo.
“A escola está abandonada há muito tempo. Estamos preocupados. Precisamos saber quando a reconstrução começará. No ano passado, tivemos uma audiência pública na Assembleia Legislativa sobre o futuro da escola. Estou aguardando um retorno do Estado para marcar um novo encontro. Vamos cobrar uma data para o início dos trabalhos de demolição e construção”, afirma o vereador Eric Douglas (União), que tem uma filha matriculada na escola e participou da reunião na AL.

Foto: Paulo Pires/GES