Em Canoas, quase metade da população-alvo da vacina contra a gripe (influenza), composta por idosos, crianças e gestantes, não se vacinou em 2025. Dados do Ministério da Saúde, atualizados até 24 de agosto, apontam que das 89.019 pessoas dos grupos prioritários, somente 44.584 (50,08%) foram imunizadas na cidade. Já liberada para todas as faixas etárias, a vacina foi aplicada em 103.566 pessoas, ou seja, mais da metade dos vacinados corresponde ao público geral.

Foto: Paulo Pires/GES
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Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o município ainda possui cerca de 9 mil doses do imunizante. A aplicação seguirá em todas as Unidades de Saúde até o fim dos estoques. Desde o início do ano, Canoas registrou oito mortes pela Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) por influenza.
As gestantes lideram a baixa taxa de vacinação no grupo prioritário, das 2.981, foram imunizadas 643 (21,57%), seguida pelas crianças, das 22.698, somente 7.414 (32,66%) receberam a dose da vacina. Já os idosos, dos 63.340, 36.527 (57,67%) foram vacinados.
Com índices longe da meta de 90% recomendada pelo Ministério da Saúde, a cidade contabilizou, entre janeiro e agosto de 2025, 29 hospitalizações por influenza. De acordo com o painel da Secretaria Estadual de Saúde, 48,28% das internações foram em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Entre janeiro e dezembro de 2024, foram 44 hospitalizações e 11 óbitos causados por influenza.
Segura e eficaz
O vírus da influenza possui quatro tipos: A, B, C e D. Os vírus A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus tipo A responsável por pandemias. O médico infectologista e professor da Ulbra, Cezar Vinícius Würdig Riche, fala da cobertura da vacina oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS).

Foto: Arquivo pessoal
“É segura e eficaz. Ela protege contra três cepas do vírus influenza, duas do tipo A e uma do tipo B. Garante a proteção contra as cepas mais relevantes. É uma vacina trivalente e deve ser realizada anualmente”, enfatiza.
Com a proximidade do fim do inverno, Riche reforça a importância da vacinação contra a gripe.
“O melhor período sempre é antes do início do inverno. No entanto, o vírus circula o ano inteiro, ou seja, vacine-se. O imunizante auxilia na defesa. Ele dificulta e reduz o risco de internações. É a melhor forma de se proteger das formas graves da doença. Além de idosos, crianças e gestantes, pessoas imunossuprimidas [com um sistema imunológico enfraquecido] estão mais suscetíveis ao vírus. Por isso, a prevenção é a maneira mais eficaz.”
O médico infectologista desmistifica o mito de que a vacina causa gripe e riscos à saúde. Amplamente divulgada em grupos e movimentos antivacina, a informação é falsa.
“A vacina contra a influenza é feita com vírus inativo. O vírus morto é destruído em partículas. É importante observar o tempo que o imunizante leva para iniciar a proteção. Esse processo leva cerca de 15 dias para iniciar e atinge, em média, o pico em quatro semanas. O que pode acontecer é, antes de começara produção de células de defesa e anticorpos neutralizantes, a pessoa entrar em contato com o vírus da gripe. Ela não ficou doente devido à vacina e sim, porque ainda o imunizante não completou a proteção. Embora não bloqueie completamente a infecção, a vacina reduz severamente o risco de complicações, hospitalizações e óbitos”, finaliza.
Nova Santa Rita
Em Nova Santa Rita, a situação da imunização do público-alvo é semelhante com Canoas. Os dados do Ministério da Saúde apontam que das 6.973 pessoas dos grupos prioritários, 3.813 (54,08%) receberam a vacina contra a gripe. Até o momento, foram aplicadas 9.779 doses do imunizante na cidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a vacina, já liberada para todas as faixas etárias, seguirá enquanto houver estoque nas Unidades de Saúde Adão Preto, Coronel Olympio, Pedreira, Morretes, Maria José e Rural.
De janeiro a agosto, Nova Santa Rita registrou duas mortes pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por influenza e 19 hospitalizações. Em 2024, a cidade contabilizou quatro óbitos e 24 hospitalizações.