Fechado desde a enchente de maio de 2024, o Colégio Estadual Tereza Francescutti, localizado no bairro Mathias Velho, em Canoas, segue sem previsão de início da operação de demolição e começo das obras de construção de um novo prédio. Os alunos permanecem realocados provisoriamente na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) São Francisco de Assis. O Tereza é a única unidade estadual que não retornou após a tragédia climática na cidade.

Foto: Paulo Pires/GES
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Sem solução efetiva, mães e pais dos estudantes relatam falta de diálogo com a direção do Tereza Francescutti e com o governo do Estado.
“A história está sendo apagada pelo abandono. Ninguém nos atende. Ninguém nos responde. Quando ficamos sabendo de algo, é pura desinformação. Já fizemos protestos na frente da escola, fizemos o tradicional abraço no entorno do prédio, mas nada foi feito pelo Estado, que é o responsável. No protesto que fizemos em março, vários vereadores vieram aqui, mas só para aparecer em vídeo e foto. Sei que não é responsabilidade direta deles, mas já que vieram poderiam dar um apoio. Estamos esquecidos”, desabafa Priscila Leci de Souza, mãe de um aluno da 6ª série.
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Desde setembro de 2024, as turmas de ensino fundamental, ensino médio e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) passaram a ter aulas presenciais na escola São Francisco de Assis. Anteriormente, os alunos ficaram quatro meses com atividades no formato remoto.
“É um descaso total. O governo do Estado há pouco dias anunciou uma escola nova em Gravataí, reforma em escola em São Leopoldo, e Canoas sempre abandonada. Os alunos do São Francisco não têm mais turno integral porque os estudantes do Tereza precisam do espaço. Está ruim para todo mundo. Estão prejudicando duas escolas. Imagina duas escolas dentro de uma. É o que está acontecendo há um ano”, lamenta a moradora do bairro Mathias Velho.
Mães reclamam da falta de segurança
Mãe de uma aluna do 2ª ano do ensino, Edicléia Decarli, 40 anos, cita insegurança e até falta de professores.
“Até hoje o muro da frente da escola [São Francisco de Assis] está quebrado. As ruas no entorno não são seguras. Qualquer um pode entrar na escola. Está muito ruim. Já houve até falta de professor. Queremos a nossa escola de volta. Nós tivemos que voltar para nossas casas atingidas, mas a escola não pode voltar. Se vão demolir por que não fizeram nada até agora? Cadê o projeto?”, questiona a doceira.
O que diz 27ª a Coordenadoria Regional de Educação
Segundo o coordenador da 27ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Francisco Olímpio Fagundes Ximenes, o prédio do Colégio Estadual Tereza Francescutti está completamente interditado, sem condições de funcionamento escolar.
“Em função da enchente, será construída uma nova escola, no mesmo local. O projeto já está aprovado.”
O coordenador não informou detalhes sobre início das obras, valores, prazos e também até quando os alunos ficarão provisoriamente na escola estadual São Francisco de Assis.