É um dos casos mais marcantes do ano: a diretora Allane de Souza Pedrotti Matos, 41 anos, e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, 40, acabaram mortas no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Rio de Janeiro.
Foram baleadas com tiros de uma pistola Glock calibre 380. O atirador foi identificado como João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves. Testemunhas contaram à Polícia Civil que ele não aceitava ser comandado por mulheres no ambiente profissional.

Foto: Paulo Pires/GES
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É contra esta violência e o “remorso” acumulado por conta de séculos de patriarcado que o Comitê Gaúcho Eles por Elas organizou uma ação de conscientização, na Estação Canoas da Trensurb, na manhã deste sábado (6), como parte da programação do Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
Coordenadora do Comitê, Karen Lose explicou que a ideia e bastante simples: abordar e conversar com mulheres e meninas, esclarecendo que o perigo pode estar em casa e os canais de denúncias a serem acionados ao menor sinal de problema.
Além disso, homens e meninos são abordados, porém visando multiplicar o movimento, já que o compromisso de romper o ciclo de violência é coletivo. E para mudar a realidade da violência física e psicológica, é necessário o protagonismo masculino.
“Recrutamos homens para o nosso lado da luta”, afirma. “Entendemos que defender os direitos e a autonomia das mulheres também é responsabilidade deles. Todos, então, são bem-vindos a participar desta luta contra o patriarcado.”
Segundo a coordenadora, o feminicídio é o desfecho trágico de um ciclo prolongado de violências. É necessário identificar o início do ciclo e combater a ideia retrógrada de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
“As mortes que aconteceram no Cetef do Rio de Janeiro são exemplos do absurdo da violência, mas a preocupação maior está entre paredes, em casa, onde a autonomia das mulheres costuma incomodar”, reforça. “É preciso romper o silêncio e denunciar qualquer desrespeito.”

Foto: Paulo Pires/GES
Parceria
Diretor-presidente da Trensurb, Nazur Garcia compareceu à Estação Canoas e reforçou a importância da empresa se engajar na campanha, já que a empresa reforçou a vigilância contra qualquer tipo de violência de gênero.
“As mulheres formam a maioria do público atendido pela Trensurb”, aponta. “Fora isso, 30% dos colaboradores da empresa são mulheres, que superaram barreiras e venceram preconceitos para garantir o espaço. Firmar parceria com o Comitê Gaúcho é uma grande satisfação para nós.”
Para mudar a realidade
Com os emblemas “sua atitude hoje define o futuro” e “junte-se a nós no combate à violência contra as mulheres”, a campanha do Comitê Eles por Elas tem princípios básicos destacados nos panfletos distribuídos na Trensurb neste sábado. Confira:
Romper o silêncio: omissão também é violência;
Educar e desconstruir: questionar o machismo no dia a dia;
Denunciar: em caso de violência, ligue 180;
Apoiar: escutar e acolher sem julgamentos.