O aposentado Gelson Bisso, 75 anos, escorregou e acabou caindo. Fraturou o braço na altura do ombro. Encaminhado para a porta de emergência do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC), precisou esperar cinco horas até ter o atendimento garantido nesta quarta-feira (4).

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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“Foi um descuido e, de repente, eu estava no chão”, conta. “Eu acho que quem precisa de atendimento, acaba esperando mesmo. Porque não tem para onde correr. Os médicos são bons, mas o problema é a demora.”
Como já é comum desde que as enchentes levaram o atendimento do HPS de Canoas para dentro do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), foram muitas as reclamações de pacientes nesta quarta-feira.
Não raro, como tem sido visto nas últimas semanas, alguns pacientes entram na emergência do Hospital pela manhã para sair somente à noite, devido ao acúmulo de pessoas em busca de atendimento.
Somado a este drama vivido por pacientes e parentes que buscam atendimento na porta do Hospital Nossa Senhora das Graças, há outros: há problemas até com insumos como papel higiênico.
Maria de Lurdes Menezes, 54 anos, esteve no HPS na manhã desta quarta-feira acompanhando a irmã. Ela reclama que, além da superlotação, não havia nem papel higiênico no banheiro.
“O paciente passou mal e sujou o chão inteiro”, relata. “Entraram no banheiro para pegar papel higiênico, mas não tinha. Acabaram jogando no chão aqueles lencinhos de assoar o nariz. Isso é um absurdo sem tamanho”, diz.
Lotação
Por meio da assessoria de comunicação, a Prefeitura de Canoas informou que a Sala Verde da Emergência do Hospital de Pronto Socorro de Canoas voltou a ter taxa de ocupação excedida em 570% nesta quarta-feira, com média de 24 pacientes para 14 poltronas, um patamar que vem se repetindo nos últimos dias.
O Município segue em tratativas para abrir uma porta de emergência no Hospital Universitário (HU) visando dirimir os problemas sentidos pela população. O assunto permanece em estudo por meio de parceria com o Estado.
Sem retorno
A reportagem tentou contato com a Secretaria Estadual de Saúde para saber sobre as tratativas de mudança da porta de emergência do HPS para o HU, contudo, não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Síndromes gripais
Longe da porta de emergência do HPS, há problemas também para quem busca ajuda na Unidade de Pronto Atendimento Boqueirão, que concentra busca por atendimentos, principalmente, ligados a doenças respiratórias.
A média da espera de atendimento, na manhã desta quarta-feira, era de, no mínimo, cinco horas, com alguns pacientes esperando mais que isso, conforme constatado pela reportagem.
A vendedora Isabela Garcez, 44 anos, chegou às oito da manhã e saiu quase meio-dia. Tudo porque precisava de um antigripal forte para a mãe, que contraiu um resfriado durante o último final de semana.
“Minha mãe demorou muito para ser atendida, mas eu soube de gente que chegou que esperou mais. Teve uma senhora que chegou às seis da manhã e saiu quase junto com a minha mãe. Isso é muito tempo”, lamenta.
A já conhecida demanda que existe oriunda do Guajuviras e bairros vizinhos, havia também crianças vindas de áreas mais distantes em busca de atendimento com pediatra devido à ausência em outras unidades.
Lisandra Gonçalves, 44 anos, levou o neto, o pequeno Valentin, apenas um ano, da UPA Niterói para a Boqueirão por não conseguir, perto de casa, um pediatra que avaliasse a gripe que atinge a criança há dias.
“Eu não entendo por que eles fazem a gente passar pela triagem para, depois de horas de espera, dizer que não tem pediatra”, reclama. “A gente se sente fazendo papel de bobo. Por que não colocam um aviso que não tem?”, argumenta.