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MEMÓRIA

Sensível e impactante: exposição traz o olhar de Paulo Pires sobre a enchente de 2024 em Canoas

Mostra de fotografias abre nesta terça-feira (26) na Casa dos Rosa, no Centro

Publicado em: 24/08/2025 às 11h:19 Última atualização: 24/08/2025 às 11h:19
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O olhar que mistura o jornalístico com o artístico. Informa, mas também emociona e que é impossível de desviar o olhar sobre um dos eventos mais impactantes da história recente de Canoas. A mostra “Águas de Maio: Memórias…” traz os registros do fotógrafo Paulo Pires sobre da enchente de maio de 2024. As fotos estão em exposição no Museu Hugo Simões Lagranha, dentro do Parque dos Rosa, no Centro, a partir desta terça-feira (26).

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Exposição com fotos de Paulo Pires abre nesta terça-feira (26) na Casa dos Rosa | abc+



Exposição com fotos de Paulo Pires abre nesta terça-feira (26) na Casa dos Rosa

Foto: Nicole Goulart/Especial

São 27 imagens expostas no segundo andar que mostram o caos, o desespero, a imensidão da água e de pessoas deslocadas. Todas são exclusivamente do fotógrafo que trabalha há 12 anos no Diário de Canoas e no Grupo Sinos.

Um dos curadores e organizadores da exposição é o chefe da unidade de Museu e Arquivo Histórico da Secretaria Municipal da Cultura e Turismo de Canoas, Airan Milititsky Aguiar, que acredita ser uma mostra bem significativa sobre esse momento histórico.

“De imediato, eu pensei em recorrer a mídia local e já conhecia o Paulo. Quem tirou fotos, acompanhou isso e reportou para ter uma material bacana. O Paulo na hora foi super parceiro e me falou ‘peraí que eu vou te mandar uns e-mails com as fotos que eu tenho’. Me mandou mais de 90 fotos excelentes. Acho que uma pessoa não viveu o episódio com essas fotos consegue sentir alguma coisa que faz pensar no que foi esse evento trágico para a cidade”, destaca.

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A proposta de promover essa mostra partiu da própria secretaria de Cultura com o objetivo de rememorar a superação um depois da enchente. As fotos podem ser apreciadas pelo público até dezembro. A entrada é gratuita.

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O olhar do fotógrafo sobre o próprio trabalho

Antes de abrir a exposição, Paulo Pires visitou o espaço na Casa dos Rosa para ver de perto a curadoria feita pelo museu. O olhar que capta o momento, agora reflete sobre o próprio ofício de registrar o cotidiano, não importa qual seja.

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“Depois de 40 anos de profissão, percebo que este foi um dos episódios mais trágicos que já registrei. Ao mesmo tempo, sinto-me grato pela oportunidade de documentar, através das minhas fotos, a fragilidade daquele momento. Pelas imagens, eternizaram-se a dor, a tristeza e a luta diária de tantas pessoas”, afirma.

Na correria da tragédia e das demandas do jornal, às vezes não se tem tempo para digerir o que sente. Mas uma hora isso acontece. “Minha pauta era observar como cada um estava enfrentando a tragédia: acompanhar, com minhas lentes, os resgates, os animais, as famílias, os abrigos. Quando finalmente consegui entrar de barco, após 15 dias, fui tomado por um sentimento profundo de tristeza. O silêncio, o vazio e o cheiro da morte revelaram, de fato, a dimensão do que estávamos vivendo”, relembra.

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As fotos tiradas por Paulo Pires ficam expostas na Casa dos Rosa até dezembro | abc+



As fotos tiradas por Paulo Pires ficam expostas na Casa dos Rosa até dezembro

Foto: Paulo Pires/GES

“Esse é um tipo de fotografia que não permite pensar em enquadramento ou luz. Em qualquer direção havia uma história a ser contada. Placas, carros submersos, pessoas em silêncio e tristeza. Quando chegava ao jornal e via as fotos, não conseguia escolher quais publicar. Muitas vezes voltava para a redação e chorava, sentindo a dimensão de tudo o que havia acontecido. Foram noites sem dormir, sabendo que no dia seguinte estaria novamente diante daquela dor”, conta.

Por isso, o convite para a exposição foi uma surpresa. “No primeiro contato com a montagem, a emoção foi intensa. De um lado, o orgulho de expor as imagens. Mas de outro, a consciência de decorar uma casa de cultura com um tema que muitos não queriam lembrar. Um ano depois, ser convidado para transformar esse trabalho em uma exposição é reviver, de forma diferente, todo aquele percurso. Uma experiência dura, mas necessária”, completa o fotógrafo.

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Fotos escolhidas a dedo

A seleção não foi tarefa fácil. Além do montante de materiais de qualidade, as fotos precisavam estar conectadas entre si e passar uma mensagem, mesmo que o assunto seja um só. Os produções foram escolhidas pelo Airan junto com a diretora da secretária Paula Fernanda Farias.

“Eu pensava ‘essa tem mais impacto’, ‘essa é uma situação importante’ como a do hospital e da passarela. Acabamos dividindo por temáticas que retratassem um pouco a complexidade do que foi aquele episódio. E algumas imagens do Paulo foram selecionadas pela questão plástica. São imagens realmente boas enquanto imagens, a despeito do tema, é uma foto boa”, explica o chefe de unidade do museu.

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Estação Mathias Velho durante a enchente em maio de 2024 | abc+



Estação Mathias Velho durante a enchente em maio de 2024

Foto: Paulo Pires/GES

Entre as 27, algumas chamam mais a atenção e são simbólicas. “Com certeza a foto do São Jorge é a foto mais impactante nesse sentido. Tive uma certa predileção por ela. A imagem do ciclista também impactou muito, pessoa sozinha na água. Vimos algumas imagens que como foto eram um fotão, além da parte do tema, do que ele captou daquele momento. Acho que a melhor cobertura fotográfica com certeza me parece ser a do Paulo e que nos cedeu as imagens com todo o amor e carinho”, ressalta.

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“O mais importante das imagens é colocar o quanto as pessoas conseguiram se despir de suas vaidades e ajudar uns aos outros, tentando salvaguardar o que era mais importante para qualquer um que era a vida das pessoas. O resto se dava um jeito, mas salvar a integridade física das pessoas, socorrer de fato, tirar da situação de calamidade, de afogamento. E as imagens colocam tudo isso, imagens que colocam uma dimensão de dor, de tristeza e de sofrimento, mas parece que predomina esse lado mais positivo que é do auxílio, do socorro, que todo mundo se colocou a disposição de todo mundo para poder se salvar e evitar uma tragédia maior”, frisa.

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Quem é Paulo Pires

Paulo Nicassio Biscaino Pires é repórter fotográfico, natural de Uruguaiana (RS), com uma trajetória marcada pelo olhar atento aos acontecimentos que moldam a história e o cotidiano das cidades. Sua jornada na fotografia começou em 1986, aos 16 anos, no Jornal de Uruguaiana, quando, ainda como office boy, quando fotografou o enterro de um candidato a prefeito.

A partir daquele episódio decisivo, nasceu o interesse pela fotografia — impulsionado pela curiosidade, Paulo começou a estudar por conta própria, lendo livros e observando o fazer fotográfico em seu ambiente de trabalho.

Ao longo de sua carreira, teve fotos publicadas em veículos de destaque como Zero Hora, Correio do Povo, O Sul, O Globo e a Revista Versatille. Atuou por 13 anos no Jornal de Uruguaiana, 11 anos em A Razão, de Santa Maria, e 12 anos no Grupo Sinos, em Canoas, especialmente no Diário de Canoas. Também trabalhou como freelancer em Porto Alegre por quatro anos. Atualmente, vive em Canoas e segue comprometido com a missão de contar histórias reais através da fotografia.

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