Com aventais, bandanas, e muitos cookies no forno, jovens com síndrome de Down participaram de uma sessão de fotos temática nesta quinta-feira (20), em Canoas. A ação faz parte do Projeto Downs do Bem e acontece na véspera do Dia Mundial da Pessoa com Síndrome de Down, celebrado nesta sexta-feira (21).
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Foto: Paulo Pires/GES
O tema da vez mostra os modelos como chefs de cozinha, uma atividade para demonstrar a autonomia e a criatividade. Um deles é o Samuel Corrêa Machado, 37 anos, que participou pela primeira da sessão de fotos, mas que tem muita experiência na cozinha. “Para mim é fácil porque faço as minhas refeições em casa, sozinho. Faço omelete, tapioca, crepioca. Mas a minha mãe acha que eu uso muito sal e óleo, ai fica controlando. É coisa de mãe, ela é preocupada”, conta.
Na preparação dos cookies, Samuel decidiu pelas decorações de chocolate. “Coloquei MMs e oreo. Eu adoro oreo”, ressalta. E ele não foi o único a ir por esse caminho. A Luisa Santiago Nicolau, 25 anos, colocou gotas de chocolate, , uma por uma, nos seus cookies. “Eu estou adorando fazer cookies. A minha tia me ensinou a fazer e eu faço em casa. Minha mãe me deixa fazer tudo na cozinha”, afirma.

Foto: Paulo Pires/GES
Mostrar que pessoas com síndrome de Down podem ocupar todos os lugares é o objetivo da fotógrafa Mari Schmitt, idealizadora do Projeto Downs do Bem. “Não é uma coisa engessada, é para eles interagirem e dizer que eles podem fazer isso em casa. O projeto dá ideais de atividades que talvez eles não pensassem em fazer, que não foram apresentados. Ano passado foi o crossfit, esse ano é a cozinha e assim vai”, explica.
As atividades contaram com a participação voluntária da chef de cozinha Marya Karolina Brito Zeferino e da professora de Educação Física, Juliana Cunha. “Já trabalhei com autistas, cadeirantes, deficientes visuais, mas com pessoas com síndrome de Down é a primeira vez. Eles são muito amorosos”, ressalta a chef.
“A inclusão desacomoda as pessoas”
A animação dos modelos se estendem às famílias que acompanham de perto e incentivam cada ação. A Maura Reis dos Santos, mãe do Leonardo Santos Trindade, 27 anos, demonstra o seu carinho a todo mundo através de elogios. “Muito bem, Léo. Que lindo, Leonardo. A mãe está orgulhosa”, diz para o filho.
A mãe também é professora da sala de recursos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Monteiro Lobato, no bairro Rio Branco. Com curso superior e pós-graduação na área da Educação e Inclusão, Maura já foi professora em Nova Santa Rita, São Leopoldo e Novo Hamburgo, sempre atuando com aqueles que precisam de mais atenção.
SIGA O ABC+ NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Foto: Paulo Pires/GES
“Foi uma conquista muito grande porque não foi fácil”, relembra emocionada. “Temos que mostrar que eles tem direitos, gostos e dificuldades, como todo mundo tem. Eu quero mostrar isso como uma mãe atípica e professora inclusiva. A inclusão desacomoda as pessoas”, destaca. Na escola, Maura fez um painel sobre o Dia Mundial da Pessoa com Síndrome de Down e produziu um panfleto com informações sobre o que é a condição genética e quais termos corretos usar.
Uma das mensagens passadas pela professora é a de que as pessoas com síndrome de Down estão sendo cada vez mais incluídas no mercado de trabalho. Um exemplo é o Samuel, técnico em processamento de dados e trabalha há uma década na Universidade LaSalle. “Já passei pela informática, mexi com jogos pedagógicos e robótica. Agora estou na biblioteca”, comenta enquanto espera os biscoitos assarem.
Mas o sonho é trabalhar na música. “Eu toco violão e guitarra, mas agora o meu foco é a carreira de cantor lírico, na linha do Andrea Bocelli e Luciano Pavarotti. Eu ainda tenho o sonho de ser regente de coral e cantar em banda. Tenho que me preparar para isso”, afirma.
Dia Mundial da Síndrome de Down
A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética causada pela presença de três cromossomos 21, em vez de dois. A condição também é conhecida como trissomia do cromossomo 21. A alteração produz características físicas e intelectuais comuns entre as pessoas com SD.
O dia 21 de março, que faz alusão a trissomia, é lembrada pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2012. Desde 2022, o Brasil também utiliza a data para celebrar o Dia Nacional da Síndrome de Down. O objetivo é ressaltar a importância de incluir e valorizar a pessoa com SD, além de conscientizar contra estereótipos e preconceitos.