A catástrofe que atingiu a Venezuela na noite desta terça-feira (24), quando terremotos mataram centenas de pessoas, impactou os imigrantes e refugiados venezuelanos que vivem em Canoas desde 2018.
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Foto: Agência Brasil
A Associação dos Venezuelanos de Mato Grande (AVMG), entidade dedicada ao acolhimento e integração dos imigrantes em Canoas, iniciou um trabalho imediatamente após a tragédia.
Segundo o representante Gabriel Lizarraga, as primeiras notícias da tragédia levaram ao desespero muitos venezuelanos que buscavam informações sobre parentes e amigos vivendo no país vizinho.
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“Nas primeiras horas após a tragédia, muitos migrantes e refugiados enfrentaram momentos de desespero e angústia, tentando estabelecer contato com seus familiares para saber se estavam seguros”, conta.
Houve uma mobilização ainda na noite desta terça-feira visando o suporte às famílias, diante do quadro de perdas de vidas e da falta de informações concretas sobre a real situação do país.
“Estar longe do nosso país em um momento tão difícil torna a situação ainda mais dolorosa”, explica. “Principalmente por não podermos estar ao lado de nossos familiares e amigos.”
Como apoio à comunidade que vive em Canoas, integrantes da associação mantiveram-se noite adentro trabalhando no auxílio a famílias que buscavam notícias de seus parentes desaparecidos na Venezuela.
Campanha de arrecadação
Além disso, houve o reforço à Associação Migrantes e Refugiados Unidos RS e com a Casa de Migrantes e Refugiados para organizar uma ação solidária por meio de uma campanha de arrecadação, que pode ser acessada neste link.
“O objetivo da iniciativa é reunir recursos financeiros que serão destinados a uma organização de confiança na Venezuela, responsável por distribuir a ajuda às necessidades mais urgentes das pessoas atingidas”, esclarece.
Os recursos poderão ser utilizados para a aquisição de alimentos, água potável, medicamentos, produtos de higiene, cobertores, materiais de primeira necessidade e outros itens essenciais para enfrentar a emergência, informa.
“Esperamos que esta corrente de solidariedade possa levar esperança às famílias afetadas e contribuir para minimizar o sofrimento causado por essa tragédia”, salienta Lizarraga.
Angústia
Há quatro anos vivendo em Canoas, Franklis Pazos relata que estava assistindo à partida da Seleção Brasileira na TV quando surgiram as primeiras mensagens sobre a catástrofe na Venezuela.
Foi quando acessou a internet e acabou impressionado com a magnitude do terremoto. Isso porque ainda não havia ouvido a respeito de um abalo sísmico duplo como o que aconteceu nesta terça-feira.
“Eu lembro de terremoto, mas não dessa magnitude. Um abalo duplo como aconteceu, eu nem havia escutado a respeito. Na Venezuela, acontecem mais abalos sísmicos, mas não assim”, lamenta.
Por meio do grupo de WhatsApp mantido por imigrantes que vivem em Canoas, teve início a conversação buscando contato com os parentes que permanecem na Venezuela.
“Eu mesmo tentei contato com parentes e amigos lá e não consegui conversar com ninguém”, diz. “Acontece que há toda uma área em Caracas onde não há casas. Apenas prédios. Isso significa toneladas de escombros.”
Também representante da Associação Migrantes e Refugiados Unidos RS, Franklis aponta que as redes sociais têm atuado como aliadas neste momento de angústia, já que o compartilhamento das informações é mais rápido.
“Há milhares de desaparecidos”, aponta. “Então, sempre que recebemos informações sobre alguém encontrado, há o compartilhamento para encerrar a angústia de quem está longe da Venezuela.”
Presença
Em 2018, por meio de um convênio da Organização das Nações Unidas (ONU) com a Prefeitura de Canoas, chegaram os primeiros 310 refugiados venezuelanos à cidade. Foram abrigados em condomínios especialmente preparados pela ACNUR [Agência da ONU para Refugiados] para o acolhimento de homens, mulheres e crianças.
Após o encerramento do convênio, um ano depois, houve concentrações de imigrantes nos bairros Mato Grande e Rio Branco, além de uma ocupação irregular a metros da Estação São Luís, áreas para onde novos imigrantes passaram a chegar de modo sistemático, aumentando para quase mil o número de venezuelanos na cidade.