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Desamparo

Subiu de 400 para 1.000 o número de pessoas em situação de rua circulando em Canoas

Secretaria de Assistência Social trabalha em estratégias para dirimir problema e acolher cidadãos vivendo com extrema vulnerabilidade

Publicado em: 03/06/2025 às 15h:36 Última atualização: 03/06/2025 às 16h:03
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Lúcio Ubirajara lembra a última vez que dormiu em uma cama quente. Foi há um ano, no inverno do ano passado, dias após a morte repentina da esposa. Desde então, vive sob marquises na área central de Canoas.

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Somente nas imediações do Centro de Canoas, podem ser contabilizados, pelo menos, 50 pessoas vivendo em situação de rua



Somente nas imediações do Centro de Canoas, podem ser contabilizados, pelo menos, 50 pessoas vivendo em situação de rua

Foto: Paulo Pires/GES

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“É difícil, porque a gente vive do que recebe”, diz. “Me perdi depois da morte da mulher e, desde lá, se eu ganho comida, eu como. Se me dão um cobertor, me aqueço. E assim por diante.”

Natural de Montenegro, o idoso com 65 anos vivia em uma casa no bairro Chácara Barreto. Hoje, vale-se da marquise da Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva. Pode ser visto sempre nas imediações do Centro.

“Fico mais aqui pelo Centro, porque de noite às vezes aparece alguém com comida e café”, explica. “É como loteria, sabe? Tem noites que não aparece ninguém, mas quando vêm, é bom e a gente consegue comer.”

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Lúcio faz parte da triste estatística da população em situação de rua que circula por Canoas. Se durante a pandemia, acabaram contabilizados 400 em semelhante situação, hoje eles já chegam a mil.

Sobretudo, o aumento de 150% deve à tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul no ano passado, que contribuiu para o empobrecimento de parte da população não só de Canoas, mas, igualmente, de cidades vizinhas, que vieram buscar abrigo na cidade desde então.

O apontamento é da Secretaria Municipal de Assistência Social, que trabalha para dirimir o impacto sofrido por esta parcela da população nas noites de baixa temperatura que vêm se registrando no Rio Grande do Sul.

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Segundo o secretário Márcio Freitas, as rondas à noite em locais de grande concentração de cidadãos em situação de desamparo aumentaram. Os agentes atuam no trabalho de convencimento, mas nem sempre é fácil.

“Aumentamos de 40 para 100 o número de vagas no Albergue do Município, mas muitos preferem não receber o acolhimento por conta dos regramentos que existem e por não permitirmos o uso de álcool e drogas”, esclarece.

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O secretário aponta que houve até mesmo a flexibilização no Albergue, que a partir de agora passa a receber também cães. Tudo visando tirar da chuva e do frio pessoas que não têm um abrigo à noite.

“Havia reclamações de que o Albergue não permitia pets, então providenciamos para que pudessem levar”, avisa. “Só não podemos forçar ninguém ao acolhimento. Ele precisa ser voluntário.”

Lúcia Ubirajara, 65 anos, vive circulando pelo Centro desde o ano passado, quando perdeu a esposa



Lúcia Ubirajara, 65 anos, vive circulando pelo Centro desde o ano passado, quando perdeu a esposa

Foto: Paulo Pires/GES

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“Eu não gosto de obedecer regras”, diz morador de rua

Ainda na semana passada, durante a batizada Operação Inverno, a Secretaria de Assistência Social anunciou, como medida de urgência, a ampliação de 40 para 100 vagas no Albergue Municipal.

Logo na primeira noite de operação, com temperaturas que, durante a madrugada, se aproximaram de zero graus, o Albergue recebeu somente 32 pessoas. Assim, sobraram camas e agasalhos.

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Também vivendo no Centro de Canoas, no entanto, com uma jornada que já dura seis anos, André Gonçalves, 48 anos, admite que, embora já abordado, prefere permanecer na rua do que pernoitar no Albergue.

Como justificativa, ele diz haver muitos estranhos dividindo um mesmo espaço. Sente-se à vontade, permanecendo sozinho com os próprios pensamentos e sem precisar interagir com ninguém.

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“Eu não gosto de obedecer regras. Ter hora para comer e dormir. Isso é ruim para mim”, afirma. “Também não quero ter que conversar com ninguém. É muita gente lá. Puxam assunto. Só quero ficar quieto”, completa.

Frio não matou em Canoas

Como parte da Operação Inverno, a Secretaria de Assistência Social anunciou o reforço das rondas durante a noite, uma busca ativa para tentar acolher a população em situação de extrema vulnerabilidade.

Na noite do último sábado (31), um morador de rua morreu. A vítima foi encontrada sem vida na Praça da Emancipação, em frente à sede da Prefeitura. Inicialmente, houve informações de que o homem havia morrido de hipotermia, porém isso não foi confirmado.

Ele havia passado mal já durante a tarde de sábado, segundo testemunhas, devido ao consumo de drogas e álcool, algo que é comumente visto por quem circula à noite em frente ao Paço Municipal.

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