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SAÚDE EM XEQUE

Superlotação e estrutura na saúde de Canoas preocupam Cremers

Entidade cobra solução de irregularidades recorrentes. Prefeitura avalia situação.

Taís Forgearini
Publicado em: 21/01/2025 às 12h:15 Última atualização: 21/01/2025 às 12h:15
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Superlotação, estrutura precária e longa espera para consultas, exames e cirurgias são situações enfrentadas pela população que procura atendimento médico em Canoas. Entidades médicas pedem uma solução para a nova gestão. Já a Prefeitura de Canoas diz que avalia e faz um diagnóstico dos problemas da saúde.

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Hospital Nossa Senhora das Graças - HNSG



Hospital Nossa Senhora das Graças – HNSG

Foto: Taís Forgearini/GES-Especial

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Em busca de soluções para questões de assistência à população e para a falta de condições de trabalho para médicos, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) demonstrou preocupação com o que foi encontrado em vistorias técnicas.

Segundo o órgão, entre as principais irregularidades (recorrentes) estão a superlotação nos ambientes de urgência e emergência, a falta de insumos e medicamentos, a ausência de diretor técnico que responda pelo Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), e a falta de adequação das acomodações para os médicos.

Os apontamentos foram apresentados durante reunião na sexta-feira (17) com representantes do HNSG, do Hospital de Pronto-Socorro de Canoas (HPSC), da Prefeitura Municipal de Canoas, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), da Procuradoria-Geral de Canoas e do Ministério Público Estadual.

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“Não se está conseguindo prestar atendimento minimamente de qualidade”, salientou o presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade. “Estamos diante de uma situação que não é nova, que se estende há anos, e que é bastante complexa. Apesar dos indicativos de interdição ética, é dever do Cremers buscar soluções em conjunto com a comunidade para melhorar a estrutura da saúde e o atendimento aos pacientes.”

Para a primeira-secretária do Cremers, Laís Del Pino Leboutte, a prioridade é encontrar soluções para os problemas que atingem o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A procuradora do Cremers, Carla Bello, explicou que as vistorias do Conselho seguem normas e roteiros objetivos, que são estabelecidos por Resoluções do Conselho Federal de Medicina e do próprio Conselho Regional, e que resultam em análises técnicas.

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“Estou correndo contra o tempo para não perder a mobilidade”, diz paciente

A espera por atendimento é algo que afeta milhares de pacientes como o promotor Edemilson Viegas Freitas, 47 anos, que descobriu um tumor raro na região dos nervos. Diagnosticado com neoplasia de bainha neural do tipo Schwannoma, o morador de Sapucaia do Sul, foi encaminhado em junho para o Hospital Nossa Senhora das Graças e está há mais de seis meses aguardando para fazer uma cirurgia pelo SUS.

Edemilson corre o risco de perder os movimentos



Edemilson corre o risco de perder os movimentos

Foto: Arquivo pessoal

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Com o diagnóstico de um tumor benigno alojado na coluna cervical, o sapucaiense entrou na fila de espera para uma cirurgia de remoção do tumor.

“Tenho muitas dores. Para amenizar, necessito a cada quatro dias utilizar morfina. O tumor logo vai comprometer os movimentos das minhas pernas. Por causa do descaso com a saúde pública, estou correndo contra o tempo para não perder a mobilidade do meu corpo”, lamenta Freitas. “Para casos oncológicos, por lei, a espera não poderia ultrapassar os 60 dias.”

Depois de ficar meses aguardando pelo procedimento, Freitas foi chamado para uma consulta na instituição no início deste ano.

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“No dia 6 de janeiro, fui atendido por um novo neurocirurgião porque o profissional que estava dando assistência ao meu caso não faz mais parte do quadro de funcionários do hospital. O novo médico me disse que o tumor está em estágio avançado, já comprometendo movimentos, e o Hospital Nossa Senhora das Graças não possui estrutura para esse tipo de procedimento”, recorda.

Freitas realizou novo atendimento nesta segunda-feira (20) no HSNG.

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“Foi feito um procedimento de bloqueio na coluna, um tipo de infiltração. O médico solicitou uma ressonância magnética, ele disse que seria mais rápido se fosse particular. No entanto, não tenho como pagar. Para realizar a ressonância no hospital precisaria ficar internado, mas a resposta foi que não há leito disponível”, lamenta.

Sem perspectiva de realizar a cirurgia, o promotor técnico faz um apelo às autoridades.

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“Sofro um grande risco de perder os movimentos da cintura para baixo. A cada dia que passa, o tumor avança. Sem saúde, não posso voltar ao trabalho.”

O que diz a Secretaria Municipal de Saúde

Em resposta ao Cremers sobre os problemas identificados na saúde de Canoas, o secretário de Saúde do Município, Eduardo Bermudez, lembrou que a nova gestão começou há 20 dias, e que a equipe ainda busca informações sobre fluxos, processos, contratos. “Estamos tentando estabelecer um diagnóstico e também soluções para os problemas”, afirmou.

Sobre o caso do paciente Freitas, a Secretaria Municipal de Saúde, emitiu uma nota informando que o paciente havia realizado a ressonância nesta segunda-feira (20). “Seu atendimento está ocorrendo normalmente”, disse o comunicado.

No entanto, Freitas informou à reportagem que o procedimento não foi realizado. “O exame não foi feito e nem agendado. No Graças [hospital], a resposta recebida foi que não havia leito e nem previsão para realizar a ressonância.”

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