Pintor, artista plástico e tatuador reconhecido pelo trabalho na capital Porto Alegre, Eduardo Grisa, aos 47 anos, passou a ganhar mais admiradores desde que se concentrou na tragédia que marcou Canoas em maio do ano passado.
O artista, diferente de outros que se aventuraram a retratar o período, acompanhou o drama por meio da namorada, que vivia no bairro Mathias Velho, epicentro da tragédia, quando, na noite do dia 3 para o 4 maio.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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Ele resolveu se expressar por imagens. Escolheu tintas e pincéis para pintar um quadro a óleo que retratasse o drama que acompanhou, inicialmente ao vivo, e posteriormente pela TV.
“Eu queria retratar os resgates, mas não apenas isso”, explica. “Me marcou muito o caso da bebê Agnes [da Silva Vicente], que morreu na época, então adicionei o anjo com a bebê no colo. A irmã gêmea sobreviveu, mas ”
O quadro chamou a atenção e acabou servindo de porta de entrada para que Grisa recebesse o convite da Prefeitura de Canoas para pintar três painéis, na Praça J. C. Nozari, na entrada do bairro Mathias Velho.
O trabalho durou mais de um mês, período em que o artista ouviu relatos comoventes e observou homens e mulheres chorando ao reencontrar a realidade ilustrada nas “paredes.”
“A primeira coisa que aconteceu, vi pessoalmente, foi o pessoal estendendo as mãos, depois houve a solidariedade, mobilização e resgates”, esclarece. “Eram moradores dando as mãos, uns para ajudar outros. Penso que consegui captar o espírito.”
Os painéis na praça em que está o monumento em homenagem aos voluntários das enchentes foram trabalhos voluntários, ele faz questão de dizer. Sente-se somente honrado pela oportunidade de fazer parte desta história.
“Lembro enquanto estava pintando que uma mulher parou. Ficou um tempo olhando e de repente começou a chorar”, recorda. “O que aconteceu mexe muito com as pessoas. Não teve raça, cor ou dinheiro. Todos se obrigaram a dar as mãos.”
Continuidade
Embora com um trabalho sedimentado na capital, Grisa garante que permanecerá próximo a Canoas. Isso porque ele pretende continuar desenvolvendo trabalhos com base na tragédia do ano passado.
Impressionado com a exposição das imagens captadas pelo fotógrafo Paulo Pires, atualmente no Parque dos Rosa, ele adianta que pretende ilustrar, pelo menos, uma do fotógrafo do Diário de Canoas.
“Há uma ou duas imagens da enchente de 1949, mas o que aconteceu no ano passado recebeu ampla cobertura. O trabalho do Paulo Pires se destaca. Tu olha as fotos e não há como não se impressionar.”
Grisa também criará dois quadros como complemento para a pintura inicial em que retratou o resgate e o anjo com a bebê. O quadro permanece, por enquanto, no segundo piso da Casa dos Rosa.
“Quero que este quadro circule de modo itinerante”, avisa. “Até porque é um trabalho em desenvolvimento. Continuarei pintando a óleo como a reforçar na memória de autoridades uma tragédia que ninguém que viveu esquecerá.”
Trabalho
Eduardo Grisa tem formação em artes plásticas, com estudo e conceito na arte realista. Quem quiser conhecer mais o trabalho do artista, pode conferir sua obra por meio do instagram @eduardogrisa.