A recente troca de gestão nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Rio Branco, Liberty Conter (Caçapava) e Boqueirão, em Canoas, tem gerado preocupação e questionamentos sobre a qualidade do atendimento à população. No último sábado (25), o Instituto Maria Schmitt (Imas) assumiu as unidades em caráter emergencial após a paralisação do contrato com a IBSaúde. Médicos denunciam atrasos salariais e a falta de profissionais nas escalas, levantando dúvidas sobre a capacidade de atendimento.

Foto: Paulo Pires/GES
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O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) relata que a maioria dos médicos que atuavam nas UPAs optou por não participar das atuais escalas de trabalho. A principal causa são os atrasos nos pagamentos de honorários, que se estendem por mais de 90 dias em alguns casos.
“Diante dos constantes atrasos nos honorários, praticados pelas empresas anteriores, os médicos não pretendem retornar até que todos os pagamentos sejam regularizados. A empresa Dotmed, designada pelo IBSaúde para contratar os profissionais, não pagou os meses de agosto e setembro. Alguns ainda têm valores em aberto referentes a julho. São mais de 90 dias sem receber”, explica Marcelo Matias, presidente do Simers.
Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada no início da semana, o Simers orientou os médicos a procurarem o departamento jurídico do sindicato antes de aceitarem qualquer proposta de trabalho com o Imas.
“Caso alguém resolva prestar serviços ao Imas, remeta antes o contrato ao Simers para o departamento jurídico poder analisar. A escolha do Imas para administrar as UPAs de Canoas necessita de atenção. O instituto administrava a assistência do Hospital Viamão e deixou para trás dívidas com os médicos prestadores de serviço e também não pagou as rescisões de outros profissionais celetistas”, alerta o presidente.
Reunião com o Imas
Nesta terça-feira (28), representantes do Simers reuniram-se com o diretor executivo do Imas, Francisco Paiva, para obter esclarecimentos sobre a contratação das equipes médicas.
“Nossa equipe visitou as três UPAs, que agora são administradas pela nova gestora. Conversaram com alguns médicos e com o diretor executivo do Imas. Ele explicou que, por se tratar de contrato emergencial, três empresas estão atuando nas escalas. Para fechar as escalas, a empresa precisou trazer médicos de outros estados, principalmente de Santa Catarina. Solicitamos que o instituto mantenha um diálogo aberto com o Simers e com os profissionais e fiscalize para que os pagamentos sejam feitos em dia”, relata Matias.
O que diz a Prefeitura
Por meio de nota, a Prefeitura de Canoas informou que as UPAs passam por uma reorganização para o restabelecimento dos atendimentos de forma integral.
“O fim de semana nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Canoas foi de nova gestão após semanas de transtornos e restrições nos atendimentos causadas pela falta de pagamento, pelo IB Saúde, empresa que geria as unidades até então, dos médicos que atuam nestes locais. Com a contratação emergencial do Instituto Maria Schmitt (IMAS), as UPAS Guajuviras, Rio Branco e Liberty Dick Conter passam agora por uma reorganização para o restabelecimento dos atendimentos de forma integral.
Os médicos das UPAs optaram pela restrição nos atendimentos no início do mês, após atrasos nos seus pagamentos, que são responsabilidade da empresa que os contratou. Os sucessivos problemas com as escalas médicas incompletas, e a consequente restrição da assistência à população, foram o motivo da decisão da administração municipal pela paralisação dos contratos com a empresa e a contratação emergencial de outra gestora.
Desde que assumiu a gestão das UPAs canoenses, ao longo do dia de sábado, o Imas passou a restabelecer as escalas médicas e os atendimentos nas unidades.
A Prefeitura reitera que não há valores em atraso para serem pagos ao IB Saúde. Os únicos valores em aberto são cerca de R$ 2 milhões, referentes a serviços prestados no mês de setembro, e que ainda estão dentro do prazo normal de pagamento e dentro do cronograma orçamentário da administração municipal. A Prefeitura realizou os pagamentos de todos os serviços comprovadamente prestados pela empresa”, diz a nota.