“Senhor, é vossa face que eu procuro.” É com este lema que o novo padre Pedro Kaufmann irá se guiar em sua vida no sacerdócio. Ordenado no final do mês passado na Paróquia Nossa Senhora das Graças, o padre canoense de 27 anos que cresceu no bairro Rio Branco agora reza missas em Guaíba.
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Foto: Paulo Pires/GES
As palavras de Davi no salmo 26 (27) refletem o espírito de um padre jovem que sabe que ainda há muito o que aprender com a próprio igreja e com os fiéis que mantenham uma paróquia viva. Mas tudo começou e segue de forma espontânea e serena, como relembra Pedro.
“O pai e a mãe sempre foram bastante de igreja, sempre incentivaram participar. Claro que no começo eu não curtia muito, como todo piá, mas sempre insistiam e puxavam a orelha para ir junto na missa. Depois de um tempo, eu comecei a gostar. Foi fazendo bem para mim. Então, depois era eu que estava chamando eles para ir mais para dentro da igreja, participar dos grupos, ajudar na paróquia”, conta.
Interesse pela missa
O padre frequentou a Paróquia Imaculada Conceição ainda criança, no Rio Branco, antes de migrar para a Nossa Senhora das Graças. Já na infância, começou a integrou grupos das igrejas voltados para os pequenos com atividades lúdicas, antes de se aprofundar na vida religiosa.
“O pessoal já falava um pouco de Jesus para nós, mas depois eu fui participando de grupos de jovens. Aquilo que me chamava mais a atenção, eram jovens da mesma idade que eu, conversando sobre as mesmas coisas. A própria questão da missa começou a me chamar mais a atenção. Comecei a gostar mais e entender o que é a missa”, destaca.
E quem rege a missa? O padre. “A missa é o sacrifício de Cristo. Ali é como se estivéssemos vivendo de novo a última ceia, a morte, a crucificação e a ressurreição de Jesus. A cada domingo é de um jeito diferente. É a mesma coisa, mas com as leituras diferentes, a vivência diferente. É participar do sacrifício de Cristo”, explica Pedro.
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Foto: Paulo Pires/GES
Longo caminho do discernimento até o ordenamento
Ser padre não é uma decisão que se toma do dia para noite, assim como acontece em outras profissões, mas sim algo que vai sendo amadurecimento ao longo do tempo. E esse tempo é o tempo de Deus, o Kairós – nome também dado aos encontros vocacionais para reflexão e discernimento dos jovens que pensam em seguir no sacerdócio.
“Eu comecei o meu caminho de discernimento, para ver se era isso mesmo, entre 2011 e 2012, eu tinha 13, 14 anos. Em 2013, eu tive a oportunidade de entrar no ensino médio no seminário. Mas meus pais começaram a trabalhar no Colégio Espírito Santo e conseguiram uma bolsa de 100%. E eu pensei ‘estou muito novo, vou fazer o ensino médio em casa’. E não quis entrar no ensino médio do seminário. Ainda tive todo esse período de discernimento. E o Kairós durou seis anos para ver se era isso mesmo”, relembra.
Após o ensino médio, Pedro entrou no seminário junto com outros oito jovens. Dois deles ainda estão em preparação, enquanto que os demais decidiram por não seguir a formação. Além de aprender mais sobre a igreja e os livros religiosos, os seminaristas também estudam Filosofia e Teologia na PUC-RS e são designados para paróquias para conviver com as comunidades.
Depois deste período, começou o ano pastoral de Pedro, que foi realizado na Paróquia Santa Edwiges, em Alvorada. “É como um estágio, moramos na paróquia sete dias por semana, aprendendo mais sobre como ser padre. Depois do ano pastoral, somos ordenados diáconos. Ficamos seis meses e depois vira padre”, detalha.
“Vamos aprendendo com as formações do seminário a ser um discípulo, preparando o nosso coração para ser um discípulo de Jesus. Antes mesmo de ser padre, temos que ser discípulos, como todo cristão. É organizar e transformar o coração no coração de Cristo, o bom pastor. Essa é a figura do padre, o bom pastor que cuida das ovelhas”, observa.
Buscar a face de Cristo e ver ela em todos
O padre não vai somente buscar a face do Senhor em sua caminhada, como vai querer essa mensagem em suas homílias. “Cada final de semana tem uma temática diferente, mas o principal é o Cristo. Não fazer a nossa vontade, mas fazer a vontade de Cristo. Se fomos pegar o evangelho é isso, é Jesus nos ensinando, mostrando o caminho. Tirar nós do centro e colocar o Cristo”, frisa.
Suas conversas, que serão trocas com os fiéis, também deve ressaltar a empatia e o companheirismo. “Não viver esse egoísmo. Somos nós, todos juntos. Tem a cabeça de Cristo e nossos somos o seu corpo. Nós vamos fazer o bem e tirar as pessoas das suas dificuldades. É mostrar essa face do Cristo para todos, e ao mesmo tempo vão ser essa face de Cristo nos outros”, completa.