Com mais de 30 mil itens doados pela população, a Defesa Civil de Canoas organiza regularmente a distribuição de roupas e calçados para pessoas em situação de vulnerabilidade social no município. O órgão, que atua em parceria com iniciativas como “Prefeitura na Sua Casa”, reforça a importância das doações conscientes, com peças em condições de uso.

Foto: Paulo Pires/GES
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Responsável por separar, higienizar e entregar os itens, as equipes da Defesa Civil promovem ações nos bairros para facilitar o acesso. Para garantir o alcance, as entregas também ocorrem em associações de moradores e lideranças comunitárias, que cedem seus espaços para que os itens sejam expostos para quem mais precisa.
“Desde abril do ano passado temos um novo espaço para armazenar as doações. Antes o local era pequeno e não tinha estrutura adequada para conservar os materiais. Atualmente, temos dois pontos permanentes de coleta, a sede da Prefeitura e da Defesa Civil, na Rua Bandeirantes, 450. Interessados em receber as doações devem procurar a Secretaria de Assistência Social ou os Cras [Centro de Referência de Assistência Social]”, informa o secretário da Defesa Civil Canoas, Vanderlei Marcos.
Os doadores também podem deixar itens em qualquer órgão público do município, como secretarias, escolas, postos de saúde, Cras ou subprefeituras. Para quantidades significativas de donativos, a Defesa Civil oferece a opção de buscar os itens no local, mediante contato pelos telefones 3476-3400 ou WhatsApp de plantão (51) 98255-0805, facilitando para quem não pode se deslocar.
Segundo o titular, não há local fixo para a distribuição de roupas e calçados. Rua da Barca, Rua da Prainha, bairros Guajuviras, Niterói (João de Barro) e São Luís (Beco do Riso) estão entre as comunidades permanentemente assistidas.
Doação não é descarte
Apesar da grande solidariedade, o programa enfrenta desafios significativos, como o descarte de roupas e calçados sem condições de uso.
“O maior desafio é a recorrência de doações de roupas em mau estado, muitas vezes rasgadas, sujas ou sem condições de uso.” O Secretário expressa a frustração com o fato de que algumas pessoas ainda confundem doação com descarte, esquecendo que os beneficiários merecem respeito.
“As pessoas têm que ter consciência que não é descarte. Que é uma roupa que tem que ser usada. É uma oportunidade que dá para as pessoas ali para que elas possam utilizar essas roupas. Não de descarte, não é porque ela tem uma condição de vida um pouco inferior que ela merece receber qualquer coisa”, enfatiza.
Para manter a segurança, os itens recebidos passam por um processo de higienização e organização. “Tudo passa por uma triagem e higienização. Recebemos a doação de um morador, uma máquina lava e seca. Com ela, podemos lavar o que é necessário. Separamos por tamanho, gênero e estação.”
De acordo com Vanderlei, a maior necessidade é por roupa masculina, que geralmente é doada em menor quantidade e em estado de conservação mais desgastado do que as peças femininas.
O Secretário reitera o apelo à população para que continue doando permanentemente, mas com consciência e qualidade: “doe aquilo que você fosse usar, aquilo que você tem guardado, que hoje não serve mais para você, mas que vai fazer a diferença na vida das pessoas.”
Projeto em andamento
Um projeto futuro prevê a abertura do anexo de roupas duas vezes por semana para a população. “A ideia, um pedido do prefeito, é permitir que as pessoas escolham e experimentem as roupas como em uma loja, restaurando a dignidade e garantindo que levem para casa apenas o que realmente lhes serve. Isso visa evitar o descarte de peças inadequadas. Ainda não temos uma data definida para começar, mas a expectativa é para março”, finaliza Vanderlei.