A Brigada Militar (BM) precisou ser acionada, na noite de domingo (28), após uma confusão durante o acolhimento a um paciente no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), em Canoas.
Tudo começou no final da tarde de domingo, quando um adolescente com 17 anos sofreu uma queda durante um número de dança em um CTG. Ele acabou encaminhado para a emergência do Graças.
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Foto: REPRODUÇÃO
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Amigo do adolescente, o bancário Igor Ienczak levou o jovem para a casa de saúde “urrando de dor”. E lá o menor permaneceu gritando por mais de hora, sem haver o acolhimento adequado diante da situação, diz ele.
“Chegamos e, aparentemente, não havia cadeira de rodas, maca, enfermeiro, médico, nada”, explica. “Porque chegou gritando e continuou lá gritando, sem que ninguém pudesse ajudá-lo com ao menos uma medicação”, relata.
Diante da demora, o trabalhador, com 23 anos, acabou ultrapassando o setor da triagem em busca de alguém que pudesse ajudar o adolescente. Foi quando começaram as discussões com os enfermeiros.
“Conseguimos atendimento no grito”, afirma. “Porque se o meu amigo permanecesse sentado esperando, estaria lá gritando até agora. Porque tinha outras pessoas ensanguentadas lá aguardando e ninguém agindo para ajudar”.
Igor observa que a presença da Brigada Militar não o intimidou, já que estava somente exigindo o atendimento adequado à população, que em sua avaliação vem sofrendo muito ao precisar de ajuda com algum problema de saúde.
“Hoje tenho plano de saúde, mas um dia já precisei de atendimento SUS e não lembro de ser tão ruim assim”, salienta. “A gente esperava, é claro, mas era atendido. Piorou muito, porque hoje as pessoas esperam horas sem a garantia de um acolhimento adequado. Ficam sofrendo”, critica.
Realidade
A confusão acabou gravada e foi parar nas redes sociais, onde houve quem comentasse que a cena se trata apenas de um retrato fiel da atual situação da saúde de Canoas, com pacientes “amontoados” nos corredores do Graças.
“Não fui eu quem gravou o vídeo, mas vi que parou nas redes e está todo mundo comentando e me apoiando, porque ninguém mais aguenta esta situação”, ressalta. “O povo está cansado de ver pacientes amontoados gritando nos corredores”.
Chamada
Segundo o comando do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), a Brigada Militar foi acionada e esteve no local, mas não houve necessidade de uma atuação mais enérgica, de maneira que a ocorrência encerrou sem que ninguém precisasse ser levado à Delegacia de Pronto Atendimento de Canoas.
“Houve um problema envolvendo o atendimento do paciente, conforme relatos aos policiais que chegaram ao local, mas acabou tudo certo, sem maior gravidade”, confirmou o comandante da BM em Canoas, o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves.
Taxa de ocupação em 480%, informa Prefeitura
A Prefeitura de Canoas informou que o Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) lamenta o ocorrido na noite de domingo (28) e informa que a triagem para o atendimento dos pacientes é realizada conforme a classificação de risco recomendada pelo Protocolo de Manchester, com prioridade garantida para casos de urgência e emergência. Na noite de domingo, aponta a Prefeitura de Canoas, a Emergência do HNSG registrou uma taxa de ocupação de 480%. O paciente em questão chegou ao Hospital apresentando um quadro de distensão muscular e recebeu a classificação de risco amarela. Foi avaliado pela equipe de Traumatologia, fez exame de imagem e, posteriormente, acabou medicado e liberado.