O 20º Festival de Artes de Lomba Grande levou várias atrações para o bairro hamburguense entre a quinta-feira (16) e o domingo (19) na Paróquia São José de Lomba Grande. Inclusive, contando a história das bonecas Abayomi.
O evento contou com roda literária, oficinas de lambe, serigrafia, construção de bonecos, entre outras atividades artísticas. A programação ainda envolve o tradicional Encontro de Coros, a Feira de Economia Solidária e a Exposição de Artes Plásticas e Visuais, com curadoria de Maurício Hilgert e Fernanda Nielsen da Cruz.

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial
O Festival teve origem em 2002 e é idealizado pela professora de artes e música Jacinta Scalcon, conhecida como Tita, que coordenava oficinas artísticas voltadas a crianças e jovens do bairro. “O Festival de Artes não é apenas um espetáculo a ser assistido, mas um convite para que as pessoas venham participar e possam sentir coletivamente uma experiência que fortaleça a vida cultural e social dessa comunidade de Lomba Grande.”
De acordo com Fernanda Nielsen da Cruz, que também integra a organização, comenta que o evento é uma forma de levar oportunidades de lazer à comunidade da zona rural.
“Muitas pessoas tinham dificuldade para se deslocar ao centro de Novo Hamburgo para acessar qualquer tipo de cultura, qualquer tipo de arte, fora o que era gerado no próprio bairro. Então para facilitar, ela desenvolveu esse projeto de canto, dança e flauta que se intitulou Cantalomba”, afirma, acrescentando que o Festival surgiu a partir da “evolução de tais atividades”.
Público desfruta das bancas de artesanato e oficinas
A estudante Eduarda Soares, de 17 anos, moradora do bairro Lomba Grande, desfrutou do Festival acompanhada da mãe, a estudante de Pedagogia Fabíola Soares de Souza, 47. Elas participaram juntas da Oficina de Bonecas Abayomi, conduzida pela presidente da Associação de Artesãos da Feitoria, de São Leopoldo, Sueli Angelita da Silva.
“É a minha primeira experiência. Minha mãe me falou que tinha várias coisas legais, que incentivam a cultura, então achei interessante e decidi visitar com ela. Achei legal a valorização da cultura afrobrasileira e como as pessoas estão realmente interessadas”, diz Eduarda.
Fabíola, que conhecia a organização, ofereceu-se para auxiliar com as oficinas e aproveitou para participar da oficina de Sueli. “Foi muito bom conhecer a história das bonecas Abayomi, ainda mais com uma professora que conhece toda a dinâmica e nos envolveu com a história. Essas bonecas, que acalentavam as mães e seus filhos, deveriam ser mundialmente conhecidas assim como a Barbie.”
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Bonecas Abayomi: uma história de resistência
A oficineira Sueli explica que as Abayomi têm origem no período a escravidão da população africana no Brasil e foram utilizadas em dois contextos daquela época. “Elas são a boneca da resistência, hoje em dia feitas para resgatar a cultura africana no contexto do Brasil. O primeiro contexto foi nos navios negreiros [que traziam o povo escravizado para o país], as mulheres rasgavam retalhos de suas roupas e produziam as bonecas para acalmar as crianças”, conta.
Já o segundo contexto era referente à amamentação dos filhos das sinhás (esposas dos patrões que escravizavam a população africana) e das mulheres negras.
“Elas [as bonecas] eram feitas porque as amas da leite eram retiradas da senzala para amamentar os bebês das sinhás, e quando elas saíam das senzalas, seus filhos ficavam e tinham que ser amamentados por outra negra, muitas vezes mais franzina, mais frágil”, explica.
“Então, usava-se as Abayomis para pegar o cheiro da mãe e aproximar essas bonecas do bebê e da outra mulher para que ela conseguisse pegar o leite”, prossegue.
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Como foi a programação:
Todos os dias
- Exposição de Artes
- Mediação guiada
- Feira de Economia Solidária
Quinta-feira
8h às 11h30
- Palhaçaria/Circo, Oficinas de Lambe e Serigrafia
13h30 às 16h30
- Palhaçaria/Circo, Oficinas de Lambe e Serigrafia
Sexta-feira
8h às 11h30
- Palhaçaria, Oficinas de Bonecas Abayomi e Oficina de Colagem com materiais reutilizáveis
13h30 às 16h30
- Palhaçaria, Oficinas de construção de bonecos, Serigrafia, Dança Cigana e Artesanato com palhas naturais
19h às 22h30
- Sarau, com abertura oficial do evento
Sábado
8h30 às 11h30
- Roda literária. Grupo da Invernada Mirim do CTG de Lomba Grande, Grupo de Dança Cigana Suhad
14h às 17h
- Oficina e assessoria de pintura (para adultos, idosos e PCDs)
20h
- Encontro de Coros na Igreja Luterana de Lomba Grande; jantar de confraternização.
Domingo
14 às 18h
- Mateada Multicultural, apresentação do grupo de canto da Adevis; “Palavras de papel: a escrita do que se é, a leitura do que se sente” com Anabela Ferrarini; Grupo Move sem Fronteiras; Orquestra de Flauta- doce e Ukulele Cantalomba; Palco aberto.
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