“A gente não sabe o que dizer ou o que fazer”. O relato é de uma moradora da Vila Esperança, no bairro Roselândia, em Novo Hamburgo, que recebeu uma notificação para desocupar o local onde vive há mais de 10 anos.
Roseni da Silva, 49, foi surpreendida com uma ligação da filha por volta das 10h15 da última sexta-feira (19). “Ela dizia que iam demolir a casa dela”, conta.
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Foto: Arquivo pessoal
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Um vídeo mostra Brenda da Silva Fernandes, 23, com o filho de 5 meses no colo, alegando, aos prantos, que ainda pagava a casa que uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (SMMADU) estava preparada para demolir com uma retroescavadeira. “Chegaram para derrubar, não queriam nem saber”, pontua Roseni.
O próprio secretário Anderson Bertotti foi filmado em contato com a população do entorno, que, segundo a moradora, teria tentado argumentar com o titular da pasta sobre a situação da família. “Meu pai morava há mais de 10 anos ali, eu e a minha filha cuidávamos dele, que morreu em janeiro. Ela decidiu reformar a casa, por isso não tem ninguém morando lá agora”, explica Roseni.
Tanto ela quanto outros moradores do entorno receberam notificação para desocuparem as casas com prazo de 30 dias a partir de 12 de setembro. A retirada da casa, contudo, tinha prazo de 24 horas, o que, segundo a Prefeitura, “não foi cumprido”.
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Em nota enviada à reportagem nesta quarta (24), a administração municipal, por meio da SMMADU, afirmou que o único alvo da operação da última sexta era “uma casa em construção em área pública, o que é ilegal”.
“É importante destacar que, em nenhum momento, a máquina se dirigiu a uma das residências já consolidadas e com moradores. Esses receberam um aviso para deixarem os imóveis em até 30 dias. Para a casa em construção, foi dado um novo prazo de 24 horas”, salientou em comunicado.
Após cerca de uma hora no endereço, a pasta não conseguiu iniciar a demolição. Em documento entregue à jovem ficou descrito que “a ação não pôde ser executada pelo órgão competente em razão da hostilidade dos populares no local, o que inviabilizou a efetiva atuação imediata da fiscalização”. Por isso, o prazo foi estendido.
“A gente não tem a quem recorrer”
Abalada, a família se direcionou ainda na sexta-feira à Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação de Novo Hamburgo para buscar outras alternativas, já que não há renda para comprar outro terreno. “Lá, nos deram mais um papel de desocupação. A gente não tem a quem recorrer”, lamenta Roseni.
Questionada sobre o assunto e a situação da filha da moradora, que tem dois filhos pequenos, a administração municipal informou que os dados “foram coletados pelos servidores da Prefeitura e encaminhados para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação, a fim de verificar se ela se enquadra em programas sociais de moradia”.