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OPINIÃO

A Guerra dos Pinhões

Os revoltosos [...] perseguidos pelo Exército, retiravam-se pelas florestas de araucárias

Ivar Hartmann - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 11/06/2026 às 14h:03 Última atualização: 11/06/2026 às 14h:03
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Dizemos: o pinhão. Mas compramos, assamos e comemos pinhões; repartimos pinhões assados (eu com meu neto). Me parecem melhores do que as castanhas e pistache. Queria conhecer o vulcão Osorno e a terra do Pablo Neruda. Nos Andes, no fim do Chile. Uma noite, no hotel, serviam uns assadinhos do tamanho de uma castanha de caju. Experimentei. Era pinhão. Pelo tamanho e local, perguntei ao gerente de onde vinham. Respondeu-me que ali, nas imediações do Osorno, era o último canto do sul da América, onde se colhiam pinhões.

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Pequenos comparados aos nossos, mas ótimos. Chegamos ao fim desta safra. Ainda com pinhões à venda em todas as cidades. A quem não apetece? Quero contar um “causo” verdadeiro, acontecido durante a Revolução Federalista de 1893 que durou dois anos. Sangrenta, matou três vezes mais soldados e civis do que a Revolução Farroupilha de 1835, que durou dez anos.

Saindo do Rio Grande, os revoltosos avançaram na direção do Rio de Janeiro, para derrubar o presidente Floriano Peixoto. Derrotados na Lapa, norte do Paraná, retornaram os maragatos para o Rio Grande em maio de 1894, em péssimas condições. Perseguidos pelo Exército, retiravam-se pelas florestas de araucárias.

Então, no inverno de 1894, graças aos pinhões, estas tropas rebeldes conseguiram sobreviver ao rigoroso inverno de SC. Faltos de cavalos, roupas e provisões, sem linhas de suprimento, enfrentaram a fome, lutando sob condições extremas, e alimentando-se dos pinhões. Chamaram o episódio de Guerra dos Pinhões. Graças à semente de araucária, conseguiram retornar ao Rio Grande.

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