O que era para ser um momento de despedida e emoção neste sábado (1°) virou constrangimento para familiares e amigos de Nicolau Adams Pivotto, de 33 anos, que faleceu na sexta-feira (31).
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Foto: Arquivo pessoal
Morador do bairro Boa Saúde, Pivotto morreu na Serra gaúcha. Ele estava trabalhando quando passou mal no dia 19 de outubro e precisou ser levado à UPA. Depois, foi encaminhado ao Hospital Geral de Caxias do Sul, onde faleceu por complicações da Covid-19.
Por pesar 180 quilos, o caixão da vítima precisava de um espaço adequado. Como Pivotto morava em Novo Hamburgo, a família decidiu, então, pelo sepultamento na cidade, mas se deparou com uma situação delicada no Cemitério Municipal na manhã deste sábado.
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“A funerária entrou em contato com o cemitério. Disse que possuía uma gaveta para o tamanho dele disponível”, conta João Paulo Adams Pivotto, irmão do falecido.
No entanto, o espaço era apertado, e, para tentar “encaixar” o caixão, as alças foram quebradas. “Foi caro [o caixão]. Tentaram colocar de lado e estragaram ainda mais, constrangendo a família.”

Foto: Juliano Piasentin/ GES-Especial
Segundo o irmão da vítima, o que ocorreu na sequência foi ainda mais constrangedor: “Abriram covas de outras famílias. Tiraram caixões na nossa frente para tentar sepultar o meu irmão. Disseram que estavam inadimplentes [falecidos retirados]. Vimos saco com ossos sendo puxados”.
Por fim, sem sucesso, os coveiros cavaram uma nova cova no chão . “Levamos mais de duas horas para conseguir enterrar meu irmão. Não foi fácil. Agora pretendo registrar uma ocorrência policial e procurar advogados se for preciso”, desabafa João Paulo.
Apesar da situação, diz que os coveiros foram respeitosos com a família e elogiou os funcionários da funerária contratada. “Ficaram conosco até o final.”
Com o sepultamento concluído por volta das 13h30, o próximo passo é organizar o túmulo. “Na segunda-feira [3] vou ver para deixar tudo bonitinho para ele. Agora podemos descansar.”
Prefeitura procurada
No final da tarde deste sábado, a Prefeitura de Novo Hamburgo divulgou uma nota afirmando que o atraso no sepultamento foi motivado pelas dimensões do caixão, um modelo especial com capacidade para até 200 quilos. “Como na época da construção do cemitério não foram previstas gavetas para casos desse tipo, foi necessário disponibilizar um espaço no solo para o sepultamento.”
Conforme o Executivo, uma reunião será realizada durante a próxima semana, visando discutir a criação de espaços maiores e adequados para situações semelhantes. “A Administração reforça que o atraso não decorreu de falta de empenho da equipe, que atuou prontamente para solucionar o imprevisto.”
Confira a nota na íntegra:
Nota da Prefeitura de Novo Hamburgo
A Prefeitura informa que o atraso ocorrido nesta manhã no Cemitério Municipal foi motivado pelas dimensões do caixão, que se tratava de um modelo especial, com capacidade para até 200 quilos. Como na época da construção do cemitério não foram previstas gavetas para casos desse tipo, foi necessário disponibilizar um espaço no solo para o sepultamento.
A situação foi resolvida ainda no local, e o sepultamento ocorreu normalmente. Trata-se de um fato atípico nesta gestão, que já determinou a realização de uma reunião na próxima semana para discutir a criação de espaços maiores e adequados para situações semelhantes, de modo a evitar que o problema volte a acontecer. A Administração reforça que o atraso não decorreu de falta de empenho da equipe, que atuou prontamente para solucionar o imprevisto.