Uma situação que já é difícil está ainda mais complicada desde setembro de 2025 para a aposentada Celita Prass, 82 anos, e o neto Henrique Germano Prass, 25, do bairro Primavera, em Novo Hamburgo. É que, desde aquele mês, o jovem está sem receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que era pago devido ao seu Transtorno de Espectro Autista (TEA). [Veja o vídeo ao final desta reportagem.]
Com apenas o salário mínimo da aposentadoria, Celita tem que arcar com a alimentação dos dois, o aluguel de cerca de R$ 900 e as contas básicas da casa. Por ser não verbal, Henrique dependia do BPC para contribuir com o seu sustento e o da avó.

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial
“O aluguel eu não estou conseguindo pagar, então não sei como vai ser. A gente precisa comer também, precisa pagar luz, água… E eu tenho meus problemas de saúde também”, desabafa Celita.
Filho da aposentada, o pai de Henrique faleceu em 2020 devido a um AVC hemorrágico aos 55 anos. Conforme Celita, a mãe dele é dependente química. Embora tenha outros netos maiores de idade, ela conta que eles ainda não conseguem ajudá-la financeiramente.
No aguardo do INSS
Sem saber muito para onde correr, Celita recebe apoio da assistente social Karla Mombach, de 61 anos, que, mesmo aposentada, atua de forma voluntária. “Estamos no Janeiro Branco (mês para conscientizar sobre a saúde mental e emocional), e que saúde mental pode ter uma família numa condição dessas?”, questiona Karla.
A profissional explica que o benefício de Henrique foi cancelado devido a uma pendência na atualização de dados. “Com isso, eu fui acompanhar a dona Celita, ela fez uma nova perícia social e ainda está em análise. Eles ganhavam esse benefício desde 2010.”
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi procurado para dar um posicionamento a respeito da análise do benefício de Henrique, mas não deu retorno à reportagem. Quem quiser ajudar a família pode fazê-lo por meio da chave Pix (CPF 05389175042), no nome de Eduardo Cassiano Prass.
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Acesso a serviço especializado
Henrique recebe atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Também para garantir o atendimento, eles contam com a ajuda de Karla. Ela afirma que o último atendimento no Caps ocorreu em julho do ano passado. “Aí o que ele faz? Pega os exames e os remédios aqui no postinho Primavera, mas ele acaba ficando só com os remédios, sem um acompanhamento.”
A Prefeitura nega a situação e informa, em nota, que Henrique foi atendido três vezes em dezembro pela equipe multidisciplinar e que o Caps é um serviço de portas abertas, sem fila de espera. “Como iria três vezes ao atendimento se eles nem têm como ir?”, contrapõe Karla.
A Prefeitura foi questionada sobre a possibilidade de Celita ser contemplada com o Aluguel Social para garantir a moradia e informou que, para saber se pode ser contemplada, a idosa precisa estar com o CadÚnico em dia e entrar em contato com a Diretoria Geral de Habitação.
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