O casal Lucas Romero, de 20 anos, e Patrícia da Rosa, de 30, de Novo Hamburgo, vive um drama após a perda dos filhos gêmeos nesta segunda-feira (17). A reportagem de ABCmais esteve no bairro Santo Afonso, onde os pais residem, para entender a sequência de atendimentos, diagnósticos conflitantes e a indignação da família.
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Foto: Geison Concencia/GES-Especial
A gestante relata que procurou atendimento pela primeira vez no dia 9 de novembro, quando foi liberada após avaliação médica. Dois dias depois, em 11 de novembro, realizou um exame particular que identificou dois embriões em desenvolvimento. “Encontraram os dois embriões, com os tamanhos certinhos. Só não apareceu batimento porque ainda eram muito pequenininhos”, explica.
No dia 13, ela voltou ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo com sangramento. Segundo relata, o médico a examinou e disse que o colo estava fechado, orientando que retornasse para casa. No dia seguinte, em novo atendimento, ouviu que poderia se tratar de um aborto retido, mas novamente foi encaminhada para casa com orientação para repetir a ecografia no sábado.
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Na ecografia realizada no dia 15, o profissional informou que não se tratava de aborto, mas de uma “ameaça de aborto”, com uma divergência: o exame apresentava apenas um embrião. A equipe recomendou que a gestante retornasse ao hospital caso o sangramento persistisse.
A situação se agravou no dia 17, quando a gestante voltou ao Hospital Geral. Ela afirma ter aguardado horas na fila de espera. “Nossa indignação não foi só por causa de mim, mas por todas as mães que estavam ali. É triste ver tanta gente esperando”, relata.
Somente na segunda-feira, após nova ecografia e longa espera, o casal recebeu o diagnóstico da perda dos bebês. “Nada vai trazer meus filhos de volta, eu sei. Mas o descaso que está tendo lá é uma vergonha. Se a gente não tivesse botado a boca, se meu marido não tivesse ido na administração reclamar, eles não tinham feito nada. Estávamos lá horas esperando para receber o laudo de que tínhamos perdido os bebês”, afirma.
O casal também contesta a declaração inicial divulgada pelo Hospital Geral. “O hospital disse na nota que no dia 11 já tínhamos perdido os nenês. Como? Dia 11 nós estávamos numa clínica particular descobrindo que eram gêmeos”, questiona a gestante.
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O que diz a Fundação de Saúde de Novo Hamburgo
“Em resposta a video veiculado nas redes sociais em que um homem se identificando como esposo de uma paciente atendida no HMNH alega que a mesma teria perdido 2 bebês em decorrência de demora na consulta no pronto atendimento obstétrico desta instituição no dia 17/11/25, a direção por meio do setor de comunicação vem esclarecer o seguinte:
O plantão diurno das segundas-feiras é historicamente movimentado, uma vez que absorve demandas do final de semana, quando a rede de postos é fechada. Especificamente no dia dia 17/11/25 houve um movimento atipicamente maior que o já usual, tanto em número de consultas, quanto em demanda de procedimentos cirúrgicos obstétricos para a equipe médica e de enfermagem, a qual se encontrava desfalcada e sobrecarregada.
A paciente sobre a qual trata o vídeo veiculado foi atendida no serviço 05 vezes entre os dias 09/11/25 e 17/11/25, realizou exames laboratoriais, 2 ecografias e foi devidamente acolhida, avaliada e liberada com orientações conforme registros do prontuário eletrônico.
A espera prolongada por atendimento no dia 17/11/25, apesar do lamentável desconforto causado, não teve nenhuma influência no resultado final do quadro obstétrico da paciente, a qual se encontrava em gestação inicial e, conforme as ecografias anteriormente realizadas, já se apresentava como uma gestação que não evoluiu e o sangramento apresentado era parte do quadro clínico esperado para o caso. Isso foi devidamente explicado à paciente durante a consulta médica e escrito em linguagem clara e acessível na Nota de Alta entregue à mesma.
Ao final da consulta, paciente demonstrou ter compreendido as informações recebidas, e, apesar da frustração pela sua perda, foi acolhida e consolada pela equipe em sala e saiu do consultório calma e sem queixas.
O autor do vídeo não se encontrava presente na consulta, logo não recebeu essas informações para adequada compreensão do quadro da paciente.”