Encerrou-se neste domingo (18) o 5º Festival de Artistas de Rua (FAR) de Novo Hamburgo. O evento, que celebra e divulga o trabalho daqueles que fazem do asfalto o seu palco, levou às ruas da cidade diversas apresentações artísticas, workshops, debates, oficinas e rodas de conversa. Os encontros aconteceram no Complexo Cultural da Protegidos e na Sociedade Cruzeiro do Sul.

Foto: Eduardo Amaral/GES-Especial
A primeira edição do FAR aconteceu em 2015 nas cidades de Porto Alegre, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Já em 2020, o evento foi realizado de forma virtual devido às restrições impostas pela crise sanitária da pandemia de Covid-19. Uma década depois do primeiro evento, o FAR retorna às ruas, considerado o “local de onde nunca deveria ter saído”, como afirmam os organizadores.
Produtora e uma das realizadoras do festival em 2025, Dominique Martins destaca a importância do evento para a valorização dos artistas de rua. “O festival nasceu com a ideia de fomentar a arte de rua para o público, trazendo ótimos espetáculos, artistas profissionais, rodas de debate e oficinas para amadores que desejam iniciar nas artes de rua e aprender um pouco mais. E, também, para os artistas, para eles estarem aprendendo, se conhecendo e trocando informações para que a arte de rua fique cada vez melhor, com mais nível e dignidade”, explica.
O significado do chapéu
Contorcionista, paradista e malabarista, Dominique se apresenta nas ruas há cerca de 20 anos e reforça a importância do evento para desmistificar dogmas sobre o trabalho de artistas de rua. “Como toda a área, temos bons e maus profissionais, mas, o artista de rua, dedica o seu tempo para estar ali na rua trazendo um brilho e a sua arte para as pessoas que passam”, destaca.
No entanto, Dominique lembra que os artistas de rua também precisam custear sua vida. “Tem pessoas que dizem: ‘tá ali só por dinheiro’. Ainda há muitos preconceitos, mas a gente também tem todas as contas para pagar, e é por isso que o chapéu passa”, explica, ao falar sobre a forma que os profissionais encontram para serem pagos pelas apresentações.
É por isso que durante o festival, ao final de cada atividade da programação, foi passado o simbólico chapéu, como forma de também fazer com que o público entenda o dia a dia da profissão.
Fomento público
Nos anos anteriores, o Coletivo FAR e os artistas custearam sozinhos os gastos do festival. Para este ano, contudo, foi possível captar recursos a partir do Fundo Municipal de Cultura de Novo Hamburgo. “Por isso, todas as atividades foram aqui em Novo Hamburgo e todos os artistas ganham cachê para fazer parte da programação”, explica Dominique.