“Às vezes a gente chega e tem moradores de rua.” É o que conta o vereador mirim Victor da Rosa, de 15 anos, que está elaborando um projeto para proporcionar uma quadra fechada para a Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Kurt Walzer, onde estuda em Novo Hamburgo.
É que, devido às falhas de cercamento ao redor da quadra, os estudantes enfrentam problemas de segurança ao praticar esportes no local. Embora o espaço seja fechado por telas de arame, há pedaços arrancados por desconhecidos, fazendo com que o local esteja sempre aberto para quem passa nas proximidades.
Rasgos nas goleiras e lixo espalhado pelos arredores também podem ser vistos, além de um banco quebrado.
“Uma das principais dificuldades que temos ao usar a quadra é invasão. Às vezes a gente chega e tem cavalo, moradores de rua… às vezes as bolas saem pelas redes e pelas telas e vão parar na rua. Também tem muito lixo, então muitas vezes não conseguimos utilizar”, afirma Victor.
“É perigoso, as crianças podem ser atropeladas buscando a bola e muitas outras coisas podem acontecer. Então trouxe a ideia de reconstruirmos esta quadra, colocar muros, talvez até uma cobertura”, continua.
A presidente do Conselho Escolar e também professora de português, Márcia Helena Santos da Silva, reforça que a equipe docente já tentou, por diversas vezes, fechar a cerca.
“Sempre que a gente fecha, alguém arranca de novo. Por isso, nós mantemos o portão de acesso à quadra fechado para evitar invasões à escola, e, quando os alunos vão usar, nós abrimos para eles”, ressalta.
A professora de Educação Física, Emanuele Silva das Neves, conta que há ainda um valão ao lado da quadra onde a bola cai, fazendo com que os alunos tenham que se equilibrar para buscar, além de desconhecidos que tentam participar da aula.
“Diversas vezes entramos para buscar bolas ali, porque não temos muitas. Às vezes a bola sai para o meio da rua, então temos que ficar sempre de olho, as crianças podem sair correndo, atravessar, então tem que sempre nos atentar à segurança… às vezes surgem jovens de fora que querem participar e a gente não sabe quem é”, descreve.
“A nossa comunidade está inserida em uma região periférica, então a gente sabe que muitas vezes é pelo esporte que a gente consegue oportunidades para as nossas crianças. A estrutura da quadra realmente afeta no aprendizado, no bom gesto motor, no fundamento de um esporte…além da segurança”, menciona também.
O esporte como ponte para oportunidades
Para além das questões de segurança, Victor pensa na reforma da quadra também como um fator de incentivo à potencialização das habilidades dos alunos.
“O esporte é muito importante para os jovens. Às vezes o aluno não sabe que tem um talento no esporte, no vôlei, no futebol…mas no fim, com a quadra arrumada, teriam mais chances de descobrir isso, porque a quadra se tornaria um lugar mais aconchegante, que acolhesse eles, para aprenderem que eles têm potencial e ninguém pode tirar isso deles.”
A professora Emanuele Silva menciona que, mesmo enfrentando desafios estruturais, o esporte tem contribuído para o desenvolvimento dos estudantes.
“Quando comecei aqui na escola, começamos a participar das olimpíadas escolares aqui do município, onde todas as escolas públicas e privadas participam. Ano passado fomos campeões no sub-15 do futsal, tivemos destaques no atletismo como a medalha de ouro na corrida de mil metros, lançamento de dardos…”, cita.
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“Além da parte social, onde aprendem a conviver, interagir, a perder e a vencer, o esporte traz benefícios emocionais também, físicos… é uma disciplina que muitas vezes pode ser negligenciada por parecer brincadeira, mas tem um fundo muito mais sólido, trazendo benefícios para o desenvolvimento dos nossos estudantes”, comenta também.
Mãe orgulhosa comemora o feito do filho
A professora Márcia Helena dá destaque ao esforço de Victor e à importância do projeto para todos os estudantes;
“O Victor é um aluno muito bom, maravilhoso, muito dedicado e preocupado com as melhorias da escola. Esse projeto para termos uma quadra com boa estrutura é muito importante para nossa comunidade, temos vários alunos que são destaque em diversos esportes e poderíamos desenvolver mais as potencialidades deles, mas conseguimos perceber o grande crescimento que eles estão tendo.”
Orgulhosa, a mãe de Victor, a faxineira Ester Konrath Tuchenhagem, de 29 anos, vibra com seu desenvolvimento. “Fiquei muito feliz em ver como ele está botando em prática a criação que dei para ele, sempre o ensinei a ser honesto e respeitar a todos, independente de quem seja. Quero que ele faça uma faculdade e aproveite a oportunidade que não tive.”
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Sem vereadores ou advogados na família, Ester menciona que a inspiração de Victor parte de si mesmo. “O que ele gosta muito é de podcast, fez até um curso de operador de duração de 70 horas que ele ganhou em um sorteio”, comenta.
O aluno comenta que se inscreveu a partir da sugestão do diretor da escola. “Sempre gostei muito de liderança e de tentar projetos novos, aí o diretor perguntou se eu queria participar. Eu fiquei pensando, porque já era líder da escola, mas me inscrevi sem pensar em ganhar e ganhei.”
Seduc afirma que escola possui demanda cadastrada
Procurada, a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc) afirmou, por meio de nota, que a escola possui a demanda cadastrada no Sistema de Gerenciamento de Obras (SGO), onde ocupa a posição 127 de 162 escolas sob a jurisdição da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), que abrange o município.
A pasta afirma que a ordem de priorização considera critérios como condições de infraestrutura, número de estudantes atendidos, oferta de Ensino Médio em tempo integral e situações emergenciais.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria da Educação (Seduc) informa que a Escola Estadual de Ensino Fundamental Kurt Walzer, em Novo Hamburgo, possui uma demanda de infraestrutura cadastrada no Sistema de Gerenciamento de Obras (SGO). A Seduc, em parceria com a Secretaria de Obras Públicas (SOP), utiliza uma matriz de priorização para o atendimento das 162 escolas sob a jurisdição da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), que abrange o município.
No cronograma, a escola Kurt Walzer ocupa a posição 127. A ordem considera critérios técnicos, como as condições da infraestrutura, o número de estudantes atendidos, a oferta de Ensino Médio em Tempo Integral e situações emergenciais.
As obras são executadas conforme essa priorização. À medida que os projetos das escolas classificadas nas primeiras posições são concluídos, as demais unidades avançam na fila para elaboração dos projetos e execução das intervenções previstas.”