Abandonado há quatro anos, o prédio onde funcionava a Justiça do Trabalho em Novo Hamburgo, na Rua Três de Outubro, será reaberto em breve. Ao menos, essa é a expectativa das seis associações com atuação social que buscam transformar o sonho da sede própria em realidade.
No entanto, as entidades precisam de ajuda para avançar com o projeto. “Queremos nos mudar até o fim deste ano, mas para isso ainda temos muito para organizar e reformar”, salienta a advogada Elisa Saul, presidente da SOS do Bem NH, responsável pelo espaço.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
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Atualmente, um grupo de voluntários se reúne todos os sábados para mutirões de limpeza e pequenas reformas. “Já conseguimos algumas pessoas que nos auxiliaram na retirada da fiação antiga, por exemplo.”
Além da falta de energia elétrica, por conta da fiação deteriorada e de furtos, o prédio apresenta outros problemas estruturais. “Temos infiltrações, estava chovendo na parte interna. Também há a questão da segurança no segundo andar, vamos precisar colocar grades devido à circulação de crianças no futuro.”
A acessibilidade também é uma prioridade no projeto. “Queremos retomar colocar o elevador novamente em funcionamento.” Segundo Elisa, toda a ajuda é bem-vinda, não apenas financeira. “Quem estiver interessado em auxiliar durante o processo pode nos procurar pelo telefone (51) 99676-3612. Estamos à disposição para receber mais voluntários, materiais, mão de obra e também apoio financeiro.”
Afinal, apenas as grades de alumínio do 2º piso estão orçadas em aproximadamente R$ 100 mil. “Há outras necessidades, especialmente com material de construção.” A advogada reforça que a SOS do Bem está registrada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).
Todas as reformas são acompanhadas desde já por engenheiros responsáveis, para que nenhuma estrutura do prédio seja danificada.

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Em busca do sonho
A utopia começou quando Elisa percebeu o local desocupado. “Percebi o abandono, me interessei e resolvi convidar outras entidades que estavam precisando de um local com estrutura para seguir atuando.”
A cessão foi possível por meio do programa Imóvel da Gente, criado em 2024 pelo governo federal. A proposta é dar uso social a imóveis públicos ociosos. “Realizei o projeto e entrei em contato com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Conseguimos a aprovação então fiz o convite formal aos interessados”, explica Elisa.
Na sequência, o convite de Elisa se estendeu ao Banco de Alimentos da Região do Calçado, à Associação de Apoio a Portadores de Mucoviscidose do RS (Amucors), Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (Adevis), Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA) e Instituto Semente do Bem.
As entidades atuam em diferentes campos, mas carregam algumas semelhanças. “O objetivo é que cada um possa ajudar o outro, todos nos damos muito bem aqui”, explica a mentora do Centro de Atendimento do Terceiro Setor (CATS).
O prédio já foi dividido e as associações sabem exatamente o espaço destinado para cada uma. Uma sala de eventos para uso comum também será preparada, inclusive com projetor para uso em palestras e reuniões.
Inicialmente, a cedência do prédio público terá duração de 10 anos.
SOS do Bem
A SOS do Bem é uma entidade ligada a causa animal. “A parte da frente será usada por nós. Mas, não teremos abrigos para animais, vamos ter a sede administrativa.”

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A atuação da Oscip está diretamente relacionada a conseguir fundos para custear castrações de animais abandonados e de famílias em vulnerabilidade. “Nosso trabalho começou há 5 anos, em 2020, mas atuo como protetora há mais tempo”, completa Elisa.
Banco de Alimentos
Ainda no térreo será instalado o Banco de Alimentos da Região do Calçado. Há 10 anos a entidade funciona na Rua Cinco de Abril, bairro Rio Branco. “O espaço atual é cedido por um empresário. Ele já tem um projeto comercial para a área. Estávamos procurando algo, quando a Elisa entrou em contato”, diz o presidente Ademir Rodrigues.

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A saída estava programada para dezembro, mas foi prorrogada. “Essa mudança será fundamental. Vamos ter uma área maior para guardar os alimentos, um escritório amplo, garagem. Ainda precisamos de algumas obras, mas com a luz será possível começar a mudança.”
AMA
A Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA) está atualmente localizada em uma sala na Rua David Canabarro, no Centro de Novo Hamburgo. “Procurávamos um local próprio há anos. A sala onde atendemos, além de ser muito pequena, é alugada”, relata a presidente Carla Cristina Wecker.

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Questionada sobre o que a mudança vai significar para a Associação, ela é direta. “Significa tudo. Vai nos proporcionar um acolhimento muito melhor. Hoje são duas terapias em dias alternados porque não temos espaço.”
A voluntária Vivian Machado reforça que mais de 100 famílias são atendidas pela AMA. No novo espaço, as quatro salas serão divididas em mais alas para atender o público.
Adevis
A sede própria também é uma oportunidade para Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (Adevis) sair do aluguel. “Temos três salas alugadas na Avenida Pedro Adams Filho. Além do custo, o espaço é limitado”, explica Odenar Souza, que atua no administrativo.

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Souza salienta que são realizadas reuniões com grupos grandes. “Há também a questão da nossa biblioteca. Vamos conseguir guardar todo nosso acervo, o espaço é amplo e isso vai inclusive ampliar nossos atendimentos”, reforça.
Amucors
Já a Associação de Apoio a Portadores de Mucoviscidose do RS (Amucors), que atua no apoio a pessoas com fibrose cística, atende em uma sala cedida pela Prefeitura de Novo Hamburgo. “No entanto, é precária para nossos atendimentos”, diz a secretária da Associação, Adriane Buss.

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Segundo Adriane, as três salas no CATS, além de cozinha, vai proporcionar uma nova realidade para o trabalho na região. “Vai alavancar nossa associação.”
Semente do Bem
Por fim, o Instituto Semente do Bem não conta com uma sede fixa, até por isso o convite de Elisa foi visto com alegria e esperança para dias melhores. “Conheci a Elisa nas enchentes de 2024. Atuamos no atendimento, auxílio às gestantes e crianças de até 8 anos”, diz Ana Barros.

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A nova realidade com a sede no CATS deve ampliar os atendimentos. “Queremos trabalhar no contra turno escolar com crianças do bairro Santo Afonso, proporcionando novas experiências de vida.” A voluntária Susana Schneider complementa a fala da amiga. “É esperança de dias melhores.”
Elas inclusive já começaram a levar kits e materiais para o prédio. “Tudo estava na minha casa”, finaliza Ana
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