As aulas de astronomia foram levadas para a prática durante esta terça-feira (25) na Escola Estadual de Ensino Médio (Eeem) Osvaldo Aranha, de Novo Hamburgo. Entre os turnos da manhã e da tarde, mais de 200 alunos participaram da soltura de um foguete de garrafa pet — atividade que é planejada ao longo de um trimestre e envolve também disciplinas de matemática, física e química.
O responsável pela orientação ao longo do trabalho é o professor de Física, Matemática e Astronomia Valdir Boesel, que dá aula na escola há mais de vinte anos.
“Nós fazemos todo ano e em março os estudantes já querem saber se nós vamos lançar o foguete. E nessa ação nós estamos incluindo a matemática, com todas as funções e gráficos, toda a parte da física, com cálculos de velocidade e pressão, a química [devido ao uso de elementos para a soltura] e a biologia, já que utilizamos materiais recicláveis”, descreve o professor.
Valdir ainda acrescenta que o aprendizado vai além das ciências exatas e congrega também disciplinas da área de humanas. “Buscamos toda a parte histórica desde o início, lá por 1957, quando se lançou o primeiro satélite, o Sputnik [pela antiga União Soviética]. A gente tenta mostrar que é uma brincadeira, mas que é cobrado depois e eles precisam entregar um relatório completo.”
Veja também: Cidade da região abre edital para contratação de professores, motoristas e nutricionistas
Segundo o professor, a montagem em si leva em torno de duas semanas para ficar pronta. “Usa-se a trigonometria na Matemática para calcular o ângulo em que ele vai ser lançado. E a gente trabalhou duas semanas no laboratório de ciências preparando, cortando as vasilhas de garrafas pet de dois litros, colocando as peças, pintando, fazendo balanceamento e construindo as bases.”
Alunos aprendem com os desafios
Divididos em grupos e duplas na área externa da Escola, quatro turmas participaram da atividade na turno da manhã e três no turno da tarde. No momento do lançamento, o brilho nos olhos entregava a surpresa dos alunos ao verem a distância que o foguete é capaz de atingir.
Para as estudantes Nathalia Study, de 17 anos, e Maria Eduarda Marques, da mesma idade e ambas do 2º ano do Ensino Médio, tudo era novidade.
“A experiência foi bem diferente, a gente nunca tinha participado e foi um desafio fazer do zero. A parte mais difícil foi montar toda a estrutura dele para tudo se encaixar direitinho”, afirma Maria.
ENTRE NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
“Foi realmente diferente de tudo o que a gente tinha feito antes. A parte mais difícil foi montar a estrutura e saber as medidas para encaixar tudo”, concorda Eduarda. “Os cálculos, até chegarmos no resultado final, teve mais dificuldade”, completa.
Clube de astronomia é diferencial na escola
Além das aulas de astronomia, a escola possui ainda um clube que, conforme o professor Valdir, conta com 20 alunos. “Eles sempre querem participar. Nós temos aqui dois telescópios e essa sala especial, e chamamos também a comunidade para vir aqui, além de levar o equipamento para escolas que não têm”, afirma.
Na visão do profissional, a disciplina deveria ser mais explorada no ensino público. “As universidades deveriam formar professores das séries iniciais com conhecimento em astronomia. Eu sempre digo que a gente não tem que conhecer da Terra para fora, e sim de fora para a Terra. Conhecer como surgiu o universo, o Big Bang, como surgiu o Sistema Solar…”