O Botafogo, clube de futebol amador de Novo Hamburgo que completou 70 anos em maio, recebeu da Prefeitura uma ordem de despejo e deve desocupar o campo localizado no Jardim Mauá até a próxima sexta-feira (3). O Executivo fala em construir uma área de lazer no local, que fica nos fundos do Parcão.
A decisão pode decretar o fim de uma das instituições mais antigas do município e a que mais conquistou títulos varzeanos.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Neste sábado (27), em sinal de protesto, faixas foram estendidas no alambrado do campo. Entre as mensagens, estavam frases como “Campo é cultura, não mercadoria. Não se desocupa” e “70 anos não se apagam”. A mobilização busca sensibilizar moradores e frequentadores do espaço, que é utilizado rotineiramente para lazer e atividades esportivas.
Diretoria busca reverter decisão
Segundo o conselheiro do clube, Gerson Luis Sudekum, a diretoria não pretende entregar a área e estuda formas de reverter a decisão do governo municipal. Ele relata que, desde o recebimento da notificação, a diretoria tenta diálogo com o prefeito Gustavo Finck, mas não houve abertura.
“A gente tentou conversar com o prefeito, mas ele jamais quis nos receber”, pontua. Sudekum explica que no dia 14 de setembro, o clube protocolou no setor de patrimônio da Prefeitura todas as ações e projetos do Botafogo para tentar enterrar a ordem de despejo.
Dez dias depois veio a negativa, dizendo que o projeto da Prefeitura era mais relevante para o bairro do que o do Botafogo. “Nós não temos como sair. Vou botar a história do Botafogo dentro de um caminhão e largar em frente à Prefeitura?”, questiona.
A Prefeitura foi procurada no final da tarde deste sábado (27), mas até a publicação da reportagem não havia retornado. Em nota divulgada na última quarta-feira (24), o executivo afirmou que a ordem de desocupação, com prazo de 60 dias, foi dada no dia 3 de julho deste ano. Desde então, houve trocas de e-mails sobre o assunto, mas que a decisão foi mantida pelo município, que destaca que a área será usada para a construção de uma praça.
Sem diálogo, clube pensa em tomar outros caminhos para mediar conflito
O prazo inicial para desocupação era 2 de setembro, mas o clube conseguiu adiar a data para 3 de outubro. Agora, restam apenas cinco dias até a determinação ser cumprida. Segundo Sudekum, o Botafogo ainda busca alternativas.
“Estamos estudando medidas. Tentamos politicamente, mas também existe a possibilidade de medidas judiciais. Nesta segunda-feira (29) vamos ter uma reunião com vereadores na Câmara. Depois disso, vamos avaliar os próximos passos”, sinaliza.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A relevância social e comunitária do clube também é destacada pelos moradores, que não querem que o clube deixe de existir. O aposentado Marcos Adair Marcos Werle, 61 anos, lembra da importância do Botafogo como espaço de convivência e lazer.
“Eu acho um tremendo absurdo, porque isso aqui é um baita de divertimento para as pessoas. Não concordo com isso que a Prefeitura está fazendo. Quando eu era piá, joguei muita bola aqui. É um patrimônio do bairro, com certeza absoluta”, defende.