A Casa do Imperador foi tombada historicamente em Novo Hamburgo na última quarta-feira (8). O local, que fica na Avenida Coronel Travassos, 203, bairro Rondônia, dentro do Parque Floresta Imperial, é um dos prédios mais antigos do município e ainda carrega consigo uma lenda sobre a possível passagem do imperador Dom Pedro II nos anos 1800.
CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DE NOVO HAMBURGO NO WHATSAPP
O documento foi assinado pelo prefeito Gustavo Finck e oficializado à Comusa Serviços de Água e Esgotos, em evento na Fundação Scheffel. Na mesma data, também foi tombada a Casa Júlio Adams – Casa CDL.
“Sabemos que essas duas casas fazem parte da história de Novo Hamburgo. Por isso é importante reconhecer a relevância destes imóveis”, ressaltou Finck.
A Casa do Imperador, segundo o secretário de Cultura de Novo Hamburgo, Ângelo Reinheimer, está fechada para visitações há mais de dez anos. “Provavelmente por 2010 ela já não estava em uso, e isso agravou o estado de conservação da Casa também. Em 2019, a Comusa assumiu a gestão do Parque Floresta Imperial, e a equipe achou por bem cobrir o prédio com uma a lona para evitar maiores danos”, explicou.
VEJA TAMBÉM: NATAL LUZ: Edição histórica de 40 anos terá mais de 300 atrações e orçamento de R$ 37 milhões
“A Casa possui danos no telhado, mas estruturalmente está muito bem, é muito sólida e é uma das casas mais antigas da cidade. O tombamento é importante porque qualifica o bem a ser restaurado com recursos das leis de incentivos, tanto a Lei Rouanet como a LIC [Lei de Incentivo à Cultura], do governo o Estado”, prosseguiu.
O tombamento
De acordo com Paulo Roberto Kopschina, diretor-geral da Comusa e responsável pela administração do Parque desde 2019, o endereço agora passa a ser considerado patrimônio histórico-cultural da cidade. Com isso, sua manutenção e cuidado adequados passam a ser obrigatórios por lei.
“Esse tombamento deixa muito claro, que a partir de agora, a casa não pode ser demolida. Ela pode ser restaurada e tem que ser conservada, porque pertence ao patrimônio histórico e cultural da nossa cidade”, afirmou Kopschina.
ENTRE NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
“Já está sendo desenvolvido o projeto a partir dos arquitetos da Secretaria Municipal de Cultura, liderados pelo secretário Ângelo, e da nossa Comusa, liderados pelo arquiteto Neri e pela arquiteta Sâmia, já estamos negociando um esboço do que faremos de restauração. Ela agora vai ter sua finalidade”, continuou.
Paulo Roberto Kopschina informa que ainda não há uma data para a conclusão do projeto.
Papel histórico da Casa do Imperador
“Isso faz parte da história, que Dom Pedro II teria passado por aqui, se hospedado ou passado uma noite nessa casa, contada pelos historiadores da nossa cidade. Agora a nossa parte é fazer com que essa casa volte a ser um ponto de encontro da sociedade hamburguense com o seu passado, com aquilo que nossos antepassados deixaram para nós”, destacou Kopschina.
A história aponta que, quando Dom Pedro II esteve na região para conferir o projeto de imigração alemã do Rio Grande do Sul, em 1860, sua cavalaria acampou na área externa da casa. Foi devido a isso que o nome do parque onde a casa é localizada passou a ser Floresta Imperial. Assim também a região passou a ser chamada de Kaiserwald (Floresta do Imperador).
Chegou-se a supor que Dom Pedro II teria se hospedado na casa, e há também a versão de que ele teria ficado em um hotel que pertencia à família de Jacob Kroeff, casado com a filha do casal Steigleder.
Ideias para o projeto são abordadas no programa NH10
Em entrevista com o apresentador João Paulo Gusmão no programa NH10 desta terça-feira (14), na rádio ABC 103.3 FM, Paulo Roberto Kopschina e Ângelo Reinheimer trouxeram detalhes sobre o projeto de restauração da Casa do Imperador.
“No dia em que estivemos lá, o porão (que agora já está limpo), estava todo cheio de lenha e uma porção de coisas, e o Ângelo fez algumas observações importantes de que dá para aproveitar bastante material original. E também pode ser feita uma varanda envidraçada de frente para uma cafeteria no parque, num local aprazível que seguramente será muito frequentado”, afirmou Kopschina.
Ângelo explicou que trabalhos como esse, de restauração de espaços históricos, passam pelo setor de Patrimônio Histórico da Secult. “Temos que pensar sempre duas coisas: sensibilidade e respeito. Será feito um levantamento da Casa, com todas as suas patologias e tudo o que precisa ser restaurado ou retirado, porque muita coisa foi sendo acrescentada com o tempo, algumas ‘enjambrações'”, disse.
“Tenho a tranquilidade de ter arquitetos que avaliam intervenções nos prédios históricos da cidade, e são inúmeros no Centro Histórico”, completou.