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DECISÃO

Clube amador de Novo Hamburgo desocupa prédio após prefeitura receber parecer favorável para construção de praça pública

Município prevê construção de uma grande praça pública voltada ao desenvolvimento das crianças e dos jovens

Publicado em: 14/03/2026 às 17h:37 Última atualização: 14/03/2026 às 17h:37
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Com 35 anos de história no bairro Jardim Mauá, o Botafogo Futebol Clube está deixando a sede que marcou gerações de moradores em Novo Hamburgo. Um dos clubes mais tradicionais da cidade, com mais de 70 anos de trajetória, precisou iniciar neste fim de semana a retirada de seus pertences do local, que ainda não tem um novo destino definido para abrigar parte de sua história.

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Começa desocupação da sede do Botafogo | abc+



Começa desocupação da sede do Botafogo

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

Integrantes da diretoria e membros da comunidade estiveram presentes na sede para retirar quadros, mesas e outros objetos que guardam memórias construídas ao longo de décadas. O material reúne registros e lembranças que fazem parte da identidade do clube e da convivência de muitas famílias da região.

A saída ocorre após decisão judicial favorável à Prefeitura de Novo Hamburgo, que autorizou a desocupação da área para a construção de uma praça pública. Segundo o Executivo municipal, o espaço deverá receber investimento superior a R$ 4 milhões e será voltado a projetos destinados a crianças e jovens.

O pedido de desocupação havia sido apresentado ainda em 2025. Na época, algumas decisões judiciais permitiram o adiamento da desocupação, o que acabou postergando a saída do clube do local. No entanto, uma nova determinação da Justiça definiu que a área deve ser desocupada até segunda-feira (16).

Apesar do projeto de revitalização anunciado pela prefeitura, parte da comunidade mantém forte vínculo afetivo com o espaço. Para muitos moradores, a sede do Botafogo sempre foi mais do que um clube: era ponto de encontro entre amigos e cenário de momentos que fazem parte da história de diversas famílias do bairro.

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Começa desocupação da sede do Botafogo | abc+



Começa desocupação da sede do Botafogo

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura disse que a área ocupada pelo Botafogo do Jardim Mauá deverá ser devolvida ao Município de Novo Hamburgo por determinação judicial. A decisão autoriza a Prefeitura a realizar os procedimentos necessários no local, incluindo a desocupação da área e eventuais intervenções na estrutura existente.

“A Administração Municipal reforça que a medida não decorre de uma decisão administrativa isolada do Poder Executivo, mas do cumprimento de uma determinação do Poder Judiciário, que definiu a devolução da área ao patrimônio público. Ao analisar o mérito da ação, a Justiça acolheu os argumentos apresentados pelo Município, reconhecendo-os como legais e adequados, o que fundamentou a decisão que autoriza a retomada da área”.

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A Prefeitura afirmou que antes da realização de qualquer procedimento no local, o Município realizará uma vistoria na área com o objetivo de preservar itens que façam parte da história do Botafogo do Jardim Mauá. “Também será adotado cuidado na desmontagem das estruturas que possam ser retiradas e no recolhimento dos materiais existentes, evitando perdas desnecessárias e garantindo o devido respeito à trajetória do clube”, diz nota.

Detalhes do projeto para o espaço

No local, o Executivo prevê a construção de uma praça pública voltada ao desenvolvimento das crianças e dos jovens, pensada para atender aos anseios das famílias não apenas do bairro Jardim Mauá, mas de toda esta região da cidade. “A proposta integra o compromisso do Município em qualificar os espaços públicos e transformar a área em uma praça exemplar para Novo Hamburgo, ampliando as oportunidades de convivência, lazer e práticas esportivas. Para a implantação do projeto, estão previstos investimentos superiores a R$ 4 milhões.

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Clube tenta preservar história e projetos sociais

Para integrantes do clube, a saída da sede representa mais do que a perda de um espaço físico. Conselheiro do Botafogo, Gerson Luis Sudekm, que acompanha a trajetória da entidade desde os primeiros anos, afirma que o impacto atinge diretamente a comunidade do bairro Jardim Mauá e os projetos sociais desenvolvidos no local.

Segundo ele, além das atividades esportivas, a sede abriga iniciativas abertas à comunidade, como aulas de capoeira, tai chi e futebol. Com a desocupação, participantes desses projetos ainda não sabem para onde irão. “Não é só o clube que está perdendo. O bairro também perde. Hoje temos projetos sociais acontecendo aqui e o pessoal já está perguntando para onde vai”, relata.

O conselheiro destaca também o vínculo afetivo construído ao longo das décadas. A sede, segundo ele, sempre funcionou como ponto de encontro para moradores e simpatizantes do clube, com atividades e confraternizações que aproximavam a comunidade. “Todo sábado a gente está aqui fazendo churrasco com o pessoal do bairro. É um lugar de convivência que marcou muita gente”, afirma.

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Além da questão simbólica, o clube enfrenta agora um desafio prático: encontrar um espaço para guardar o patrimônio acumulado ao longo dos anos. Quadros, mesas, cadeiras e outros objetos históricos começaram a ser retirados da sede, mas ainda não há um local definitivo para abrigá-los.

Mesmo diante da situação, o conselheiro afirma que o clube pretende cumprir a decisão judicial. “A gente vai cumprir o que foi determinado, com muita tristeza, mas sem criar confusão. Agora vamos ter que parar, sentar e reorganizar o Botafogo”, diz.

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Ele ressalta que, apesar da saída da sede histórica, a intenção é manter viva a trajetória da entidade. “Aqui termina uma parte da nossa história, mas o Botafogo não acaba. Vamos continuar de um jeito ou de outro.”

Gerson Luis Sudekum | abc+



Gerson Luis Sudekum

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

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Projeto esportivo busca novo espaço para continuar atendendo crianças

A saída do Botafogo da sede também impacta iniciativas esportivas que utilizavam o campo do clube. Uma delas é a escolinha de futebol coordenada por Rosane Fontes, que realizava treinamentos no local e atendia crianças da região.

Segundo Rosane, o projeto começou após a equipe buscar um espaço para atividades próximas ao bairro. A parceria com o Botafogo permitiu ampliar o atendimento, inclusive com vagas gratuitas para crianças da comunidade. “Quando procuramos um campo, tivemos uma receptividade muito grande do Botafogo. Eu ofereci que as crianças do bairro que viessem participar teriam gratuidade na escolinha, e assim começamos a atender os alunos aqui”, explica.

Com a desocupação da área, a coordenadora agora tenta encontrar um novo local para dar continuidade às atividades e evitar que os alunos fiquem sem treinamento. “Estou procurando algum lugar próximo para não deixar desamparado quem acreditou no projeto e veio treinar aqui”, afirma.

Ela relata que a decisão afeta não apenas a rotina dos treinos, mas também uma relação construída ao longo de anos entre a escolinha e o clube. “A gente já fez muitos jogos e eventos aqui. É um espaço que sempre esteve ligado ao futebol e às atividades com as crianças”, comenta.

Rosane destaca ainda que, embora a escolinha seja particular, mantém um trabalho de inclusão social ao oferecer vagas gratuitas para alunos da rede municipal. Segundo ela, os estudantes que recebem o benefício participam das atividades nas mesmas condições que os demais. “Eu libero vagas gratuitas para alunos do município, forneço uniforme e eles participam de tudo sem diferenciação”, ressalta.

Memórias de uma geração ligada ao campo

Ex-atleta do Botafogo, Luciano da Rosa acompanha com tristeza a desocupação da sede que marcou sua infância e a de muitos moradores do bairro Jardim Mauá. Segundo ele, o clube sempre foi um espaço de convivência e formação para crianças e jovens. “A nossa infância foi aqui. Tinha escolinha de futebol com cerca de 50 guris treinando”, relembra. Luciano conta que esteve no local para registrar uma última foto e compartilhar com amigos que fizeram parte dessa história. Para ele, o campo também cumpria um papel social importante. “Muita gente vinha caminhar aqui, pais traziam os filhos para brincar. Agora a gente fica se perguntando para onde essas crianças vão ir.” Mesmo diante da despedida, ele destaca que o espaço ajudou a formar valores e amizades que permanecem até hoje.

Luciano da Rosa | abc+



Luciano da Rosa

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

 



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