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RUMO AOS 100 ANOS

Como foi a construção da identidade calçadista de Novo Hamburgo

Jornal NH publica nesta quarta-feira, 1º de julho, o terceiro fascículo alusivo ao centenário do município, que será comemorado em 5 de abril de 2027

Publicado em: 06/07/2026 às 01h:09 Última atualização: 06/07/2026 às 01h:09
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Na década de 1950, Novo Hamburgo já era reconhecida como uma das principais cidades industriais do Rio Grande do Sul. O crescimento das fábricas, especialmente ligadas ao setor coureiro-calçadista, transformava a paisagem urbana e atraía trabalhadores, investimentos e novas oportunidades econômicas.

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Em 1960 lideranças calçadistas fizeram a primeira missão internacional com vistas à exportação | abc+



Em 1960 lideranças calçadistas fizeram a primeira missão internacional com vistas à exportação

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo

Mas, apesar desse avanço, a cidade ainda enfrentava desafios importantes. Serviços essenciais para uma comunidade em expansão, como a telefonia automática, ainda não estavam disponíveis. Além disso, os diferentes setores produtivos locais careciam de uma representação mais integrada, capaz de articular demandas comuns e projetar os interesses da região para além dos limites municipais.

Foi nesse cenário que instituições como o Jornal NH e a Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo (ACI) passaram a desempenhar um papel decisivo. Em parceria com lideranças políticas e empresariais, ajudaram a construir uma visão compartilhada sobre o futuro da cidade e do Vale do Sinos. Por meio de seus jornais – especialmente o NH e o Exclusivo –, campanhas e espaços de debate, desde 1960 o Grupo Sinos dá visibilidade às necessidades da comunidade e dos setores produtivos.

Ao mesmo tempo, a ACI fortalece a articulação entre empresários e poder público. Juntas, essas iniciativas ajudaram a criar um discurso coeso em defesa do desenvolvimento regional. Este conteúdo faz parte do terceiro fascículo alusivo ao centenário de Novo Hamburgo. Boa leitura!

Os pioneiros

O processo de imigração em Hamburgo Velho trouxe uma nova configuração para o modelo colonial no Vale do Sinos. Iniciativas comerciais como a de João Pedro Schmitt chamaram a atenção de vários indivíduos que, mesmo tendo vindo para o Brasil como agricultores, desempenhavam funções artesanais ainda em solo europeu. Entre esses artesãos estavam muitos sapateiros e curtidores de couro, atividades que encontravam matéria-prima abundante no Rio Grande do Sul.

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O surtimento de artesãos concentrados transformou Hamburgerberg num polo atrativo para quem queria aprender e empreender no setor coureiro-calçadista. Entre o fim do século XIX e começo do século XX, vemos vários nomes se assentando em Novo Hamburgo: Guilherme Ludwig, Pedro Adams Filho, Arthur Haas e tantos outros que fizeram história na economia regional. Na foto, a fábrica de pelegos de Luiz Doerr, em Hamburgo Velho. Foi referência no preparo de couros para montaria.

Fábrica de pelegos de Luiz Doerr, em Hamburgo Velho | abc+



Fábrica de pelegos de Luiz Doerr, em Hamburgo Velho

Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal

Curtume a vapor

Em 1924, vários empreendimentos de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Campo Bom e Sapiranga foram retratados em um livro comemorativo do centenário da imigração alemã. Entre eles, o curtume a vapor de Norberto Lichtler, pioneiro no curtimento de couros utilizando máquinas movidas a vapor na região.

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Formação técnica

Em maio de 1931, Jeronymo Issler promoveu um curso para modelista de calçado, função cada vez mais procurada na região. Os interessados deveriam procurar o Hotel Familiar, na Rua General Neto, atual Calçadão. Um anúncio chamando para o curso foi publicado no jornal O 5 de Abril.

Propaganda de 1924

Na mesma publicação de 1924, a fábrica e varejo de Hans Nauer, localizada na Rua Júlio de Castilhos, mostrava a diversidade de artigos relacionados à produção coureiro-calçadista à venda no estabelecimento.

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Os empresários se unem

Percebendo a necessidade de organização das empresas locais, em 18 de outubro de 1920 um grupo de empresários do 2º Distrito de São Leopoldo cria a Associação Comercial de Novo Hamburgo.

Em 1935, depois de anos de encontros no salão do Gesangverein Frohsinn, em Hamburgo Velho, a ACI alugou uma sala junto ao Banco Brasileiro-Alemão, na Júlio de Castilhos. Em 1959 iniciavam-se as obras da sede própria, na esquina das ruas Joaquim Pedro Soares e Lucas de Oliveira, no Centro.

O Palácio do Comércio e da Indústria foi inaugurado em 1961, mesmo ano em que a ACI promoveu a 1ª Exposição de Calçados e Artigos de Couro, iniciativa que pode ser considerada o embrião da Fenac.

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As entidades específicas do couro e do calçado surgem anos depois. A história do Centro Tecnológico do Couro, Calçados e Afins (CTCCA), atual IBTeC, começa em 1972. A Abicalçados surge em 1983 como Associação das Indústrias de Calçados do RS (Adical). No mesmo ano é criada a Assintecal.

Inauguração do prédio da ACI de Novo Hamburgo em 1961 | abc+



Inauguração do prédio da ACI de Novo Hamburgo em 1961

Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal

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Calçados Ciro

Fundada na década de 1930 pelo pai do empresário Syrio Brenner, a empresa logo teve o acréscimo dos sócios Alvício Klaser e Arnaldo Grin, com o nome de Brenner, Klaser & Cia. Renomeada posteriormente como Calçados Ciro, a fábrica marcou época no bairro Rio Branco, instalada na esquina das ruas Joaquim Nabuco e Imperatriz Leopoldina, onde hoje há um centro comercial vizinho ao shopping.

Em novembro de 1960, a contracapa do Jornal NH trazia a publicidade dos modelos Tabu e Ciro, fabricados pela Calçados Ciro, na campanha “O bom calçado de Novo Hamburgo”.

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Em novembro de 1981, no caderno especial sobre o bairro Rio Branco, a Calçados Ciro saudava suas origens, relembrando o antigo bairro da Mistura com uma imagem do início da empresa. A foto aérea mostra a empresa no lado direito e, no lado esquerdo, o Curtume Jaeger, onde hoje fica o Bourbon Shopping.

Calçados Klaser

Com origens na Irmãos Klaser, fundada em 1924 e estabelecida posteriormente na chamada “Vila Moderna”, nas imediações da atual Sociedade Ginástica, a Calçados Klaser fez história na produção de sapatos em Novo Hamburgo.

Em 1981, a fábrica tinha, além da matriz na Rua 25 de Julho (foto acima), três filiais no bairro Rio Branco. O anúncio publicado no Jornal NH em junho de 1960 (detalhe) mostra, além dos calçados Klaser, outros modelos clássicos da indústria calçadista hamburguense: Konde, Kilate e Kimino, produzidos pelos Klaser, pela Calçados Kilate, do bairro Primavera, e da empresa de Fleck, Chaves & Cia, localizada na Rua Maringá, depois incorporada pela Calçados Klaser.

Irmãos Müller

Uma das gigantes do calçado, a Irmãos Müller foi fundada em 1933 por Edgar e Ivo Müller e teve seu auge nas décadas de 1970 e 1980, quando as esteiras da fábrica do bairro Canudos batiam um recorde atrás do outro. A foto abaixo é de 1974. Os modelos Searom e Müller foram as estrelas da publicidade do Bom Calçado de Novo Hamburgo em junho de 1960.

Tyrone, Sinatra e Marta Rocha, três modelos produzidos pelos Müller inspirados em estrelas da época, também foram destaque na campanha de valorização do calçado hamburguense. No início dos anos 1980, o tênis Motoca era a grande estrela da Calçados Irmãos Müller. O modelo, que vinha com um charmoso bolsinho na lateral, era muito popular entre os jovens.

Irmãos Müller foi fundada em 1933 por Edgar e Ivo Müller e teve seu auge nas décadas de 1970 e 1980 | abc+



Irmãos Müller foi fundada em 1933 por Edgar e Ivo Müller e teve seu auge nas décadas de 1970 e 1980

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo

Calçados Navio

A Calçados Navio, fundada em agosto de 1966 pelos irmãos Remi e Oscar Müller, em Hamburgo Velho, funcionava num prédio junto aos já aposentados trilhos do trem, em frente à antiga estação de Hamburgerberg, na esquina da atual Rua Londrina com a Avenida Victor Hugo Kunz.

Curiosamente, na extensão da Londrina ficava a Calçados Relim, nome que remete à pronúncia de Müller ao contrário, que pertencia a Mário Edgar Müller, também irmão dos proprietários da Navio. O forte da empresa era a produção de calçados masculinos, inclusive coturnos para o Exército. A produção cresceu rápido, passou de mil pares por dia, e a calçadista mudou para nova sede, onde hoje funciona a Zenglein, no bairro São Jorge.

A Calçados Navio funcionava num prédio junto aos já aposentados trilhos do trem, em frente à antiga estação de Hamburgerberg | abc+



A Calçados Navio funcionava num prédio junto aos já aposentados trilhos do trem, em frente à antiga estação de Hamburgerberg

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo

Calçados Peretto

Desidério Peretto montou sua empresa de calçados na Vila Jaeger no início dos anos 1960. O grande pavilhão, na Rua Alberto Torres, hoje bairro Ouro Branco, continua de pé como um centro desportivo. A inauguração teve uma grande churrascada para funcionários, sócios, amigos e representantes comerciais.

Casado com dona Nilsa e sócio de Pércio Haas, Desidério Peretto era pai de Luís Carlos Peretto, o Índio, proprietário da Jam Sons Raros, clássica loja de discos que funcionava ao lado da casa dos pais, na Rua Marcílio Dias, falecido em 2023. Os calçados infantis Jurity eram o carro-chefe da produção dos calçados Peretto em 1960.

Calçados Petry

Empresa fundada por Bruno Petry, um dos visionários idealizadores da Fenac, a Calçados Petry foi uma das empresas que ficaram na memória dos hamburguenses como símbolo da época de ouro do calçado.

Em 1960, a Calçados Petry conseguiu a licença para produzir o sapato infantil norte-americano “Jumping Jack”, modelo criado pela International Shoe Company ainda na década de 1950 e que se tornou extremamente popular nos Estados Unidos.

Era fabricado com couro de alta qualidade e formas anatômicas. Contavam com solados flexíveis, que facilitavam os movimentos naturais da criança, além de um reforço no calcanhar para maior estabilidade.

Calçados Scout

A Indústria e Varejo de Calçados Scout, de Omar Senger, tinha sua sede na esquina das ruas 24 de Maio e Aquidaban, junto à BR-116. Um diferencial era a produção artesanal de calçados em tressê, técnica que, segundo a professora Ida Helena Thön, diretora do Museu Nacional do Calçado, era uma exclusividade das fábricas Seibert e Scout antes da produção deste estilo se tornar mecanizada.

A foto abaixo mostra a ferramenta de corte para a produção com a técnica tressê preservada no Museu Nacional do Calçado. No detalhe, o anúncio da campanha do “Bom calçado de Novo Hamburgo” publicado no Jornal NH. O destaque, claro, era para os modelos Scout e Suster, feitos à mão.

Superly Garoty

A Superly Garoty tem sua origem na empresa “Becker, Myllius & Cia”, fundada em 1935, cuja primeira fábrica ficava na Rua Júlio de Castilhos, próximo à Calçados Adams, no Centro. Em 1966, ainda sob a direção dos sócios Athanásio Becker, Emir Myllius e Afonso Eifler, a empresa passou a se chamar Superly Garoty, nome das suas principais marcas de calçados, voltadas, respectivamente, ao público feminino e infantil.

Abaixo, uma cena comum na época áurea do calçado envolvendo dois clássicos da economia hamburguense: um caminhão do Expresso Rio Grande-São Paulo sendo carregado com sapatos da Superly Garoty na Pinheiro Machado. No detalhe, anúncio da empresa na campanha de valorização do produto local.

Superly Garoty tem sua origem na empresa "Becker, Myllius &Cia", fundada em 1935 | abc+



Superly Garoty tem sua origem na empresa “Becker, Myllius &Cia”, fundada em 1935

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo

Formas Kunz

As formas Kunz iniciaram sua trajetória em 1927, mesmo ano da emancipação de Novo Hamburgo. Seu fundador, Oscar Kunz, havia dominado a fabricação de formas de calçados com seu pai, Julio Kunz, numa fábrica de sua propriedade fechada em 1921 em decorrência da crise financeira advinda da 1ª Guerra Mundial, finalizada em 1918.

No detalhe, anúncio da campanha “do bom produto de Novo Hamburgo”, do Jornal NH. “Da boa forma depende a elegância do calçado”, dizia a publicidade, deixando claro que a Formas Kunz apostava na experiência e tradição como seu diferencial. Na foto acima, um clássico da modelagem de calçados, a forma fabricada pela Kunz era onipresente nas empresas do setor.

Grande Gala

A história da Calçados Grande Gala envolve personalidades tradicionais da história da indústria calçadista em projetos que se entrelaçam ao passar dos anos. O empresário Pedro Adams Neto e o estilista Ruy Chaves instalaram a empresa no antigo Centro Cooperativo dos Calçados Adams, próximo ao Hospital Municipal, trabalhando numa simbiose em que Chaves criava e Adams Neto vendia as ideias revolucionárias do estilista.

A foto acima é de 1971, quando Ruy Chaves fez história ao vencer o chamado Oscar do Calçado, concedido pela Academia Italiana de Designer. No detalhe, anúncio do primeiro e único calçado perfumado do Brasil.

A exportação

Em 1960, buscando minimizar a crise que atingia a indústria gaúcha, o então governador Leonel Brizola promoveu uma missão econômica para Nova York. O plano era conhecer e sondar as possibilidades do mercado norte-americano para o calçado hamburguense e da região.

Liderados pelo presidente da ACI, Edgar Sieler, e pelo deputado Seno Ludwig, o grupo de empresários formado por Oscar Adams, Nilo Grin e Bruno Petry, de Novo Hamburgo; Aquiles Gerhardt, de São Leopoldo; Cláudio Strassburger, de Campo Bom; além de Hugo Hoffmann, da Mercur Publicidade, e do jornalista Alceu Feijó, voltou dos Estados Unidos cheio de informações e ideias.

Polo internacional

Ao final daquela década, o mercado exportador já tomava grande parte da produção calçadista de Novo Hamburgo. O crescimento vertiginoso da produção exigiu uma expansão também do parque fabril, o que rapidamente fez da região um polo internacional do setor – surgia aí a “Capital Nacional do Calçado”.

Em 1969 o Vale do Sinos exportou 205,8 mil pares de calçados. Dez anos depois, o número já estava em 34,3 milhões de pares, aponta pesquisa de doutorado do professor e historiador Rodrigo Perla Martins, da Universidade Feevale.

As fotos mostram o primeiro carregamento de sandálias Franciscano, produzidas pela Strassburger, chegando ao porto para a viagem até a Inglaterra, em 1969, e a capa de uma edição do Jornal NH de setembro de 1960 destacando que o setor também investia em parcerias latino-americanas e africanas.

Em 1960 lideranças calçadistas fizeram a primeira missão internacional com vistas à exportação | abc+



Em 1960 lideranças calçadistas fizeram a primeira missão internacional com vistas à exportação

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo

O Raid do Calçado

Em 1963, Mario Alberto Gusmão, Alceu Feijó, Iara Adamy, Lilian Kauffmann e Zitta Noll – as chamadas embaixatrizes do calçado –, juntamente à mãe de Zitta, Lucena Noll, realizaram uma epopeia pelo Brasil.

A bordo de uma perua DKW Vemag e de um Fusca, a comitiva percorreu o Brasil divulgando o calçado hamburguense e a 1ª Fenac. Com apoio de empresas – como Calçados Franciscano (Campo Bom), Calçados Grande Gala (Novo Hamburgo) e Arplac (São Leopoldo) – e lideranças políticas, o 1º Raid do Calçado queria tornar o principal produto da indústria local conhecido nacionalmente. E conseguiu.

Partindo de Novo Hamburgo, eles foram até a Bahia visitando prefeitos, governadores, emissoras de rádio e TV e os principais jornais. No caminho, uma pausa em Brasília, onde foram recebidos pelo então presidente João Goulart.

Primeiro Raid do Calçado, em 1963, com a participação do empresário Mario Gusmão | abc+



Primeiro Raid do Calçado, em 1963, com a participação do empresário Mario Gusmão

Foto: Livro Alceu Feijó: a imagem além do tempo

30 dias e 10 mil quilômetros

O 1º Raid do Calçado durou 30 dias e somou nada menos de 10 mil quilômetros percorridos. Em cada visita o grupo entregava pares de sandálias e sapatos e uma carta-convite assinada pelo então prefeito de Novo Hamburgo, Martins Avelino Santini, para conhecer a cidade e sua produção industrial.

“A primeira parada foi em Curitiba, onde visitaram, na residência oficial, o governador Ney Braga e a primeira-dama Dona Eunice, gaúcha de nascimento”, conta o livro “Mario Gusmão: revisitando o passado e o presente”, de Anete Amorim Pezzini.

O texto detalha que, na sequência, a comitiva foi recebida pelo governador de São Paulo, Carvalho Pinto, no Palácio dos Campos Elísios. Na foto acima, Iara Adamy, Lilian Kaufmann, Zita Noll e Mario Gusmão participam de telejornal da TV Tupi, no Rio de Janeiro.

Primeiro Raid do Calçado, em 1963, com a participação do empresário Mario Gusmão | abc+



Primeiro Raid do Calçado, em 1963, com a participação do empresário Mario Gusmão

Foto: Livro Alceu Feijó: a imagem além do tempo

E surge a Fenac!

Entre 25 de maio e 15 de junho de 1963 foi realizada a 1ª Festa Nacional do Calçado (Fenac), fruto da exposição realizada em 1960 na inauguração do prédio da ACI e de uma visita de Bruno Petry (dono da Calçados Petry) e Paulo Sérgio Gusmão (um dos fundadores do Grupo Sinos) à Festa da Uva, em Caxias do Sul. O evento caxiense existia desde 1931 e, por que não, fazer algo semelhante na terra do calçado?

A ideia teve rápida adesão junto a empresários e políticos e contou com o apoio do Jornal NH para a construção do primeiro pavilhão. Antes de ser inaugurado, o prédio foi danificado durante um vendaval. Os estragos no telhado adiaram a 1ª Fenac em três semanas. Na foto abaixo, o dia da inauguração da festa. No detalhe, a capa do Jornal NH de 25 de maio de 63.

1ª Festa Nacional do Calçado (Fenac) foi entre 25 de maio e 15 de junho de 1963 em Novo Hamburgo | abc+



1ª Festa Nacional do Calçado (Fenac) foi entre 25 de maio e 15 de junho de 1963 em Novo Hamburgo

Foto: Acervo da Fundação Scheffel

Uma grande vitrine

Registros da época indicam que 300 mil pessoas passaram pela 1ª Fenac. Era tanta gente que no encerramento, marcado pelo Baile da Cinderela, faltou lugar para algumas autoridades. O sucesso foi tanto que Novo Hamburgo não teve dúvidas: a festa – que viria a ser a “mãe” das feiras – era a nova vitrine do calçado produzido na região.

Para a edição seguinte uma das prioridades era a construção de um restaurante – o Panorâmico – que viria a ser usado tanto para almoços e jantares quanto para palestras e grandes reuniões. O registro abaixo é da 2ª Fenac, já com dois pavilhões, feito pelo fotógrafo amador Alfredo Bruno Harff.

Terceira Fenac, em 1969 | abc+



Terceira Fenac, em 1969

Foto: Arquivo/Jornal NH

Passarela de famosos

A segunda metade dos anos 1960 e a década de 1970 foram de muito crescimento na produção e comercialização de calçados. Em 1969 Novo Hamburgo e região produziram 205,8 mil pares. Em 1970 o volume saltou para 2,2 milhões e, em 1971, já estava em 6,1 milhões. Em 1979 a produção foi de 34,4 milhões de pares.

Nesse contexto de muito otimismo ocorreram as edições seguintes da Fenac, que além de público e negócios, atraíram muita gente famosa. Em 1967, por exemplo, Hebe Camargo esteve em Novo Hamburgo. Na volta a São Paulo, disse na televisão que havia sido recebida “como uma rainha” na terra do calçado.

As empresas também recebiam celebridades dos palcos e dos esportes em seus estandes e fábricas. Nas fotos acima, o empresário Valdir Lindemayer, da Calçados Solemio, com o tricampeão Everaldo e esposa e o cantor Martinho da Vila.

Exclusivo do calçado

Em 1969, quando começou o ciclo de maior crescimento da produção de calçados em Novo Hamburgo e região, o Grupo Sinos lançou o jornal especializado Exclusivo. Era a expansão de um suplemento especial que já circulava no Jornal NH. O foco principal do Exclusivo era levar aos lojistas as novidades do setor coureiro-calçadista, ajudando a potencializar as vendas.

No ano seguinte o Exclusivo já chegava regularmente a 8 mil varejistas brasileiros e teve até edição em inglês circulando na Feira do Couro, em Paris. “O novo jornal visa tornar ainda mais eficiente e completa a missão que o Jornal NH vem cumprindo há alguns anos, levando ao comércio calçadista do Brasil a imagem da região do Vale do Sinos”, dizia a capa da primeira edição.

A manchete era sobre a produção de calçados para o fim do ano e uma das fotos era sobre a coleção de 450 criações do modelista José Maria Carrasco Mena que estaria em exposição em seu atelier.

Desde então, o Exclusivo acompanha o dia a dia do setor no Brasil e no mundo. Está presente nas principais feiras e é considerado uma referência nacional no setor. Os conteúdos estão no site exclusivo.com.br e nas redes sociais.

Papo Exclusivo: entrevista com Paulo Spolier, historiador e professor
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