O início do verão, que se inicia oficialmente no domingo (21), já vem acompanhado de dias de calor intenso e de um cenário conhecido em Novo Hamburgo: o aumento significativo no consumo de água. Diante desse contexto, a Comusa – Serviços de Água e Esgoto lançou a campanha de uso racional da água para os meses mais quentes da estação, com o slogan “Quem cuida da água, cuida da vida”.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Segundo a autarquia, a iniciativa atende a uma exigência da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS), mas também reflete a necessidade de conscientização da população após episódios recentes de desabastecimento. “Essa é uma campanha obrigatória, a Agesan exige e nós cumprimos, mas também entendemos que uma conscientização é necessária”, afirma o diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina.
Nos verões de 2024 e 2025, Novo Hamburgo enfrentou problemas graves de abastecimento em razão das ondas de calor, com temperaturas que ultrapassaram os 40°C. De acordo com Kopschina, o consumo elevado colocou o sistema sob forte pressão. “No verão passado, precisamos fazer manobras para garantir o abastecimento, diminuindo a distribuição durante a madrugada na cidade inteira”, relata.
Recordes de consumo
Os dados apresentados pela Comusa mostram a dimensão do desafio. Em fevereiro de 2025, mesmo com apenas 28 dias, a cidade bateu recorde de consumo no ano, com 58,444 milhões de litros de água utilizados. Em março, o volume se manteve acima de 58 milhões de litros, mas começou a cair nos meses seguintes de outono e inverno. Desde outubro, contudo, o consumo voltou a crescer, e a expectativa é de que dezembro ultrapasse os 57 milhões de litros.
Historicamente, janeiro apresenta um consumo um pouco menor, em função do deslocamento de moradores para o litoral durante as férias. “Isso é bom para todo mundo, inclusive para quem fica, porque tem menos pessoas consumindo”, observa o diretor.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Ampliação da captação
Para enfrentar os picos de demanda, a Comusa vem investindo na ampliação da capacidade de captação. Segundo Kopschina, anteriormente eram captados cerca de 660 litros por segundo. Hoje, esse volume já chega a 750 ou 760 litros por segundo. Com a conclusão de uma nova adutora, em construção junto à estação de captação, a expectativa é alcançar 810 litros por segundo. A obra deve ser finalizada em fevereiro.
Atualmente, a captação é considerada segura, com o nível do Rio dos Sinos variando entre 2,5 e 5 metros. A situação, no entanto, exige atenção constante. “Quando o rio fica abaixo de dois metros, os problemas de captação começam a aparecer e vira uma reação em cadeia. Problema na captação é problema na distribuição”, explica.
O diretor, no entanto, garante que não irá faltar água: “Nós temos a confiança, o comprometimento e o compromisso de que isso não vai voltar a acontecer. O prefeito Gustavo Finck (PP) nos cobrou incansavelmente para que não houvesse mais falta de água na cidade.”
Conscientização como estratégia
Apesar dos investimentos, a Comusa reforça que o uso consciente segue sendo fundamental para evitar novos episódios de desabastecimento. A campanha chama a atenção para hábitos cotidianos que impactam diretamente o sistema, como vazamentos domésticos, torneiras abertas sem necessidade e banhos prolongados.
“Cada gota importa. Esperamos conscientizar as pessoas para que consertem vazamentos, ensaboem a louça e escovem os dentes com a torneira fechada, sem deixar pingando, e que diminuam o tempo de banho, o que sabemos que é o mais difícil”, afirma Kopschina.
A proposta não é impedir o aproveitamento do verão, mas incentivar práticas mais responsáveis. A Comusa orienta, por exemplo, o reaproveitamento de água sempre que possível, inclusive para o uso em piscinas, além da utilização da água da chuva.
A campanha será divulgada por meio das redes sociais, site oficial da autarquia, outdoors e veículos de comunicação locais. Paralelamente, a Comusa reforça os canais de atendimento para comunicação de vazamentos e solicitação de serviços, pelo telefone 0800 6000 115, como forma de envolver a comunidade na preservação do abastecimento coletivo.