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Nestor Wennholz

Concerto de Páscoa em Porto Alegre conecta obra sacra a legado de maestro de Novo Hamburgo

Apresentação neste domingo inclui abertura de grupo que carrega no nome a influência de Nestor Wennholz, referência da música coral no Estado

Dário Gonçalves
Publicado em: 16/04/2026 às 15h:51 Última atualização: 16/04/2026 às 15h:52
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A força da música sacra e a memória de um dos principais nomes do canto coral no Rio Grande do Sul se encontram neste domingo (19), em Porto Alegre. O Concerto de Páscoa promovido pela Casa da Música terá como destaque a execução do Stabat Mater, do compositor italiano Giovanni Battista Pergolesi, mas começa antes, já na abertura, com um elo direto com Novo Hamburgo.

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 Carla Maffioletti e Angela Diel. | abc+



Carla Maffioletti e Angela Diel.

Foto: Vitor Ceolin

Quem sobe primeiro ao palco é o Madrigal Nestor Wennholz, grupo vocal masculino que carrega no nome e no repertório a influência de um maestro que ajudou a moldar gerações de cantores e regentes no Estado.

Com regência de Lucas Alves e interpretação do Ensemble Casa da Música, o concerto ocorre às 18h, na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, no Centro Histórico da capital, com participação das solistas Carla Maffioletti (soprano) e Angela Diel (contralto).

Composta em 1736, a obra Stabat Mater traduz, em música, o sofrimento da Virgem Maria diante da crucificação de Cristo. A peça é considerada uma das mais emblemáticas do repertório sacro, marcada pelo equilíbrio entre dor e contemplação, em uma escrita delicada e expressiva.

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Um nome que atravessa gerações

Natural de Novo Hamburgo, Nestor Wennholz construiu uma trajetória que o colocou entre os principais nomes da música coral no Rio Grande do Sul. Maestro, professor, arranjador e compositor, teve atuação destacada junto à Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), onde foi regente do coro sinfônico e assistente da orquestra por mais de duas décadas.

Sua influência, no entanto, vai além das instituições. Wennholz teve papel decisivo na consolidação do movimento coral no Estado a partir das décadas de 1960 e 1970, período de intensa atividade de festivais e formação de grupos. À frente de corais como o da UFRGS, o da Universidade de Caxias do Sul e o tradicional 25 de Julho, ampliou repertórios, qualificou cantores e formou novos regentes.

Madrigal Nestor Wennholz | abc+



Madrigal Nestor Wennholz

Foto: Vitor Ceolin

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O trabalho combinava rigor técnico e sensibilidade artística. Nos programas, transitava entre o repertório erudito europeu e a música brasileira e regional, com arranjos e composições próprias que seguem sendo interpretados. Entre elas, peças sacras e adaptações de canções folclóricas gaúchas que marcaram época no canto coral.

Fundadora da Casa da Música Porto Alegre, a mezzo-soprano Angela Diel conviveu com o maestro e acompanhou parte dessa trajetória. “Na minha avaliação, ele foi o maior compositor e arranjador coral do Rio Grande do Sul. Tinha uma versatilidade impressionante, trabalhando tanto o repertório clássico quanto a música brasileira e gaúcha”, afirma.

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Segundo ela, uma das principais características de Wennholz estava na condução dos grupos. “Tinha uma grande capacidade de extrair o melhor dos cantores, especialmente na interpretação, dinâmica e expressão musical”, lembra.

Um legado que segue em cena

É dessa relação direta que surge o Madrigal Nestor Wennholz. O grupo foi criado em 2015 a partir da reunião de ex-integrantes do Coral 25 de Julho, que também foi regido pelo maestro, e mantém viva a proposta de um canto coral refinado, com repertório que inclui obras do próprio Wennholz, além de peças renascentistas, barrocas e contemporâneas.

“O Nestor criou arranjos de obras como Suíte dos Pescadores e de canções folclóricas como Os Homens de Preto e Gaudêncio Sete Luas, sempre com muito bom gosto e qualidade musical. Também compôs peças marcantes, como um Pai Nosso que interpretamos a cappella”, conta Angela.

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Mais do que uma referência nominal, o vínculo se traduz na prática musical. O grupo ensaia na Casa da Música e integra um conjunto de projetos que buscam formação e difusão musical, incluindo uma orquestra jovem que atende centenas de estudantes de escolas públicas.

“Ele era uma pessoa extraordinária, com quem mantínhamos um excelente relacionamento. Tinha um humor refinado e uma grande capacidade de extrair o melhor dos cantores, especialmente na interpretação, dinâmica e expressão musical”, destaca a contralto.

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Um dos nomes por trás da Casa da Música

A trajetória da Casa da Música também passa por outras contribuições importantes. Entre elas, a do médico Fabiano Ferreira, que atuou por mais de duas décadas na área da saúde em Novo Hamburgo e participou da criação da instituição ao lado de Angela Diel, sua esposa.

Segundo a mezzo-soprano, o doutor teve papel relevante no desenvolvimento dos projetos ligados à formação musical. Fabiano Ferreira morreu de forma repentina há quase dois anos, aos 59 anos.

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Doutor Antônio Fabiano Ferreira Filho, faleceu nesta quinta-feira (11) aos 58 anos | abc+



Doutor Antônio Fabiano Ferreira Filho, faleceu nesta quinta-feira (11) aos 58 anos

Foto: Divulgação/Feevale

Além da atuação na área cultural, também deixou como legado iniciativas sociais, como a Casa do Xadrez, em Porto Alegre, voltada principalmente a crianças de escolas públicas e que segue em funcionamento.

“A ideia é realizar um recital em homenagem a ele em Novo Hamburgo, possivelmente na Fundação Scheffel”, adianta Angela.

Serviço

  • O quê: Concerto de Páscoa com Stabat Mater
  • Quando: 19 de abril, às 18h
  • Onde: Catedral Anglicana da Santíssima Trindade (Centro Histórico de Porto Alegre)
  • Abertura: Madrigal Nestor Wennholz
  • Ingressos: R$ 40 (inteiro) e R$ 20 (meia), com venda antecipada e no local
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