De que forma estudantes podem ser ouvidos em uma sociedade que silencia? O SUS é importante? Pequenos insetos como as abelhas podem ter grandes papéis na natureza? Jogos de aposta é questão de saúde mental? O holocausto pode voltar? E se caísse um meteoro na terra?

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
As respostas para essas e muitas outras perguntas estão na 12ª Feira Municipal de Iniciação Científica e Tecnológica (Femictec), aberta nesta quinta-feira (4) nos pavilhões da Fenac. Promovida pela Secretaria de Educação, a feira envolve todas as 91 escolas da rede municipal, além de instituições privadas convidadas. (Veja o vídeo no fim da matéria).
O evento segue até sábado (6), reunindo quase 800 alunos e mais de 200 professores, com 192 trabalhos expostos em diferentes áreas do conhecimento. A expectativa é de receber cerca de 2 mil visitantes por dia. Em paralelo, acontece também a 8ª Olimpíada Municipal de Robótica.
Ensino pela pesquisa
Para o coordenador da Femictec, Carlos Bach, a feira representa a consolidação da proposta de colocar os estudantes no centro do processo de aprendizagem. “A gente vê a importância quando os alunos estão realmente expondo seus trabalhos e percebemos o quanto de pesquisa tem neles. São projetos interdisciplinares, com conhecimento além da escola. O movimento do ensino pela pesquisa é o que mais proporciona autoria e protagonismo para os alunos”, afirmou.
Segundo ele, há destaques desde a educação infantil até a EJA, com temas que vão de saúde e educação física a questões sociais, como o machismo estrutural. “Antes, víamos trabalhos muito focados em ciências naturais, como vulcões e tubos de ensaio. Agora, os próprios alunos escolhem seus temas, o que amplia o espaço para pesquisas em ciências humanas e projetos ligados à vivência deles”, explicou.
Um mundo de descobertas
Entre os trabalhos apresentados, os temas refletem tanto preocupações sociais quanto questões ligadas à saúde e ao cotidiano dos jovens. Isabelli Miranda, 13 anos, da Emeb Getúlio Vargas, apresentou o projeto “Vozes Silenciadas – Construindo espaços de apoio e igualdade”, junto com Rafael Viana da Silva, 14, e Manoela Almeida, 14. “Falamos sobre o sistema patriarcal e o quanto isso influencia na vida dos estudantes. Nosso objetivo é que a escola seja um espaço de apoio e igualdade”, afirmou Isabelli.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Já Isadora Sophia Cavalheiro, 10 anos, da Escola Harry Roth, defendeu um tema bem atual no trabalho “Saindo do virtual e conhecendo o mundo real”, desenvolvido com as colegas Agatha Trevisan, Gabrieli da Silva Ferreira e Milena Rodrigues, todas com 9 anos. “Queremos conscientizar os estudantes para que larguem um pouco as telas e passem a brincar mais com outras atividades”, explicou.

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Questões de saúde também foram foco. Kamilli Giovana, 14, e Anelise Severo, 15, da Emeb Bento Gonçalves, apresentaram o projeto “Sangue Coagulado, Corpo Comprometido!”, sobre prevenção da hipercoagulabilidade. “Nosso trabalho orienta sobre como prevenir e evitar o risco de trombose”, contou Kamilli. Anelise completou: “Se o sangue fica grosso ou entupido por coágulos, ele não chega direito aos órgãos, prejudicando a digestão e todo o corpo.” O projeto pode ser acompanhado também no Instagram @coagulacao_excessiva.
Um dos estandes que mais chamou a atenção foi o dos colegas Isadora Bueno, 15 anos, Júlia Klonk, 14, Arthur Luiz Pacheco, 14 e Guilherme de Souza, 14. Os alunos da Escola Martha Wartenberg apresentaram o trabalho “Holocausto de Novo?”, trazendo o tema como reflexão aos constantes discursos de ódio e ações discriminatórias que vêm ocorrendo no campo político ao redor do mundo. Com livros sobre o tema, como o Diário de Anne Frank, o grupo também proporciona aos visitantes um óculos 3D onde pode-se caminhar por campos de concentração nazistas.
Temas atuais também estão em evidência, como o vício em apostas, no trabalho “Does This Have a Future?” (Isso tem futuro?), de Laura Gabriele, Rafaela dos Santos, e Petrick Ortiz, de 15 anos. “O vício em apostas pode ser tão nocivo quanto o vício em drogas”, alerta Rafaela. Da mesma forma, a adultização foi tema no trabalho “O Fim da Infância”, apresentado por alunos da escola Martha Wartenberg.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Espaços heurísticos na educação infantil
Na mostra, os pequenos foram apresentados a uma proposta diferenciada, como destaca a gerente de educação infantil do município, Regina Gomes. “Este espaço heurístico e investigativo demonstra como se dão as aprendizagens com crianças pequenas. Não se trata apenas de um local de diversão, mas de uma proposta que mostra como a pesquisa e a investigação são promovidas no cotidiano escolar.”
As atividades estão divididas em quatro salas, com linguagens distintas: expressão gráfica e artística, luz e sombra, experimentação com materiais e corpo e movimento. Cada ambiente recria experiências que já fazem parte do trabalho diário das escolas. “Nosso objetivo é evidenciar como a pesquisa acontece desde cedo, por meio da brincadeira, da descoberta e dos projetos temáticos”, completa Regina.
Dimensão do evento
Para o secretário de Educação, André Luis da Silva, a Femictec já se consolidou como um dos eventos mais relevantes da pasta, pois promove a pesquisa científica e a curiosidade dos alunos de todas as faixas etárias. “Estamos na 12ª edição e ampliamos o número de projetos em quase 30 em relação ao ano passado. A feira dinamiza a escola, porque muitos estudantes trabalham e pesquisam problemas locais, do território em que vivem, buscando soluções ou compreensões melhores”, destacou.
A feira segue aberta à visitação do público até sábado, sempre nos pavilhões 1, 2 e 3 da Fenac.